Quais são as medidas de prevenção que devem ser orientadas a gestantes sem toxoplasmose e com sorologia negativa para a doença (IgG negativo)?

Publicado em 02/05/2018

Para a prevenção da doença, as gestantes devem receber as seguintes orientações:

  • Higienizar corretamente as mãos antes das refeições, após manusear lixo, após o contato com animais, após manipular alimentos e sempre que necessário; ao manipular carnes cruas, procure usar luvas;
  • Evitar manusear terra ou solo e, caso necessário, utilizar luvas e higienizar as mãos após a atividade;
  • Consumir apenas água filtrada ou fervida; manter os reservatórios bem fechados;
  • Higienizar frutas, legumes e verduras em água corrente antes do consumo, conforme a seguir:
    • Selecionar os alimentos, retirando partes deterioradas e/ou sem condições adequadas;
    • Lavar os alimentos, um a um, em água potável corrente;
    • Desinfectar por meio da imersão em solução clorada com 200ppm de cloro, por 10 minutos, o equivalente a 1 colher de sopa de água sanitária para 1 litro de água;
    • Lavar os alimentos novamente, um a um, em água potável corrente;
    • Manter sob refrigeração até a hora do consumo.
  • Congelar a carne antes do consumo. O tempo mínimo de congelamento e a temperatura ideal ainda são controversos. O Ministério da Saúde e a CEVS recomendam que a carne seja congelada a pelo menos 15° negativos, por no mínimo 3 dias, em freezer doméstico. No entanto, a recomendação mais conservadora sugere que a carne seja congelada em freezer doméstico a pelo menos 18° negativos, por no mínimo 7 dias. O congelador da geladeira não atinge essas temperaturas, somente o freezer;
  • Higienizar tábuas de corte, facas, balcões e pia após a preparação dos alimentos;
  • Evitar a contaminação cruzada de alimentos crus com alimentos cozidos;
  • Não consumir carnes cruas, mal cozidas ou mal passadas e não provar a carne crua durante seu preparo; cozinhar a carne a pelo menos 67°C (ao ponto para bem passada).
  • Evitar ingerir carnes defumadas ou curadas em salmoura (embutidos – salame, copa, linguiça);
  • Não consumir leite e seus derivados crus, não pasteurizados, sejam de vaca ou de cabra;
  • Controlar vetores e pragas (ratos, moscas, baratas e formigas), descartando corretamente o lixo doméstico e os dejetos de animais;
  • Evitar o contato com cães que andem soltos – os cães também podem transmitir a doença ao sujarem o pelo no solo onde haja fezes de gato.

O principal fator de controle para a prevenção da infecção por T. gondii pelo consumo de carne é o cozimento adequado e a prevenção da contaminação cruzada.

Convívio com gatos:

  • Mantenha o gato bem alimentado com ração, não deixando que ele faça ingestão de caça ou carne crua;
  • Evitar que a troca da caixa de areia de gatos domésticos seja feita pela gestante (a troca pode ser feita por outra pessoa) e, caso não seja possível, deve-se limpar e trocar a caixa diariamente, utilizando luvas e pazinha, além de colocá-la ao sol com frequência;
  • Evitar o contato com fezes de gato no lixo ou no solo e lavar bem as mãos após, se isso ocorrer.

Ter um gato em casa não necessariamente acrescenta um risco de contrair toxoplasmose se as medidas preventivas forem tomadas, como não alimentá-los com carnes cruas ou mal cozidas, remover suas fezes corretamente e impedi-los de caçar.

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A infecção humana pelo Toxoplasma gondii é causada por meio da ingestão de cistos em carne crua ou mal cozida de animais infectados ou em frutas e vegetais contaminados, por ingestão de oocistos no ambiente (solo ou fontes de água contaminada com fezes de gatos), por transmissão transplacentária e por transplante de órgãos de um doador infectado.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) estima que aproximadamente 50% das infecções humanas estão relacionadas à ingestão de carne contaminada, sendo desconhecida a proporção de doença causada pela exposição a gatos e/ou fezes de gatos.

Referências

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Revisão
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