BANCA DE DISSERTAÇÃO DE ANSELMO CHIZENGA


“Mineração e conflito: disputas em torno da implantação do megaprojeto da Vale na bacia carbonífera de Moatize, Moçambique”

Dia: 30.03.16
Local: Miniauditório do IFHC – Campus do Vale
Horário: 14h
Banca:

  • Jalcione Almeida (PPGS/UFRGS) – orientador e presidente
  • Rosa Maria Vieira Medeiros (Depto. Geografia – PPGGeografia/UFRGS)
  • Lorena Candido Fleury (Depto. Sociologia – PPGS/UFRGS)
  • Adriano Premebida (PPGS/UFRGS)

Resumo da dissertação:
A pesquisa analisa o conflito entre as populações locais de Moatize e a empresa mineradora Vale, que sob a égide de acordos de exploração de carvão mineral com o governo de Moçambique, iniciou a exploração mineira deslocando compulsoriamente populações locais de seus territórios. Com o aporte da teoria da Sociologia dos Regimes de Ação desenvolvida pela Sociologia Pragmática da Crítica de Luc Boltanski e colaboradores, o trabalho procura analisar a ocorrência de operações críticas e suas justificações (discursos e ações). O objetivo geral é analisar as dinâmicas do conflito em torno da instalação do megaprojeto de exploração de carvão da empresa Vale e as gramáticas enunciadas pelos atores envolvidos no conflito para criticarem e se justificarem. A pesquisa de campo, com enfoque etnográfico, ocorreu no distrito de Moatize, na província de Tete, região central de Moçambique, entre os meses de março a junho de 2015. As técnicas aplicadas para a coleta de dados foram a observação participante e participação observante com registros em diário de campo e aplicação de entrevistas semiestruturadas. Como resultado percebe-se que a crítica que mobiliza o conflito é motivada por mudanças estruturais que se instalaram no curso de vida das famílias submetidas ao deslocamento pela empresa Vale, como a desconexão com a diversidade de percursos e práticas de subsistência praticadas no seu local de proveniência (território), que se confrontam com as condições instaladas e existentes no lugar de reassentamento, assim como por expectativas frustradas em relação ao reassentamento. A justificação que se contrapõe à crítica orienta-se na ideia de que o processo de adaptação das famílias está em curso ainda e poderá se estabilizar com a criação de novos projetos econômicos para o “benefício” dos reassentados.