A presente pesquisa analisa o ativismo das grandes corporações, também conhecidas como “Big food”, e como elas constroem uma narrativa de defesa nutricional e ambiental em relação aos alimentos ultraprocessados no Brasil. Para tanto, busca-se: (1) mapear, a partir das disputas públicas sobre a Rotulagem Nutricional Frontal e da Reforma Tributária, coalizões empresariais e demais setores que compõem a indústria de alimentos, quais são seus principais argumentos em defesa dos ultraprocessados e actantes mobilizados; (2) analisar como as grandes produtoras de alimentos formulam suas próprias noções sobre saúde e sustentabilidade e usam isso para disputar o que significa ter uma alimentação saudável e sustentável; (3) investigar como a Ciência é mobilizada para legitimar os ultraprocessados como alimentos e desestabilizar as críticas e os dados fornecidos pelos grupos de ativismo alimentar progressistas. Dessa forma, a pesquisa pretende contribuir para a literatura sobre ativismo alimentar no Brasil, sobretudo nas análises referentes ao ativismo corporativo, o qual é pouco estudado sob tal prisma. Além disso, outra contribuição do estudo é a de uma definição mais qualificada sobre o que configura um “ativismo alimentar corporativo”. Embora exista uma extensa literatura, nacional e internacional, que aborda a atuação das corporações de alimentos na disputa pela narrativa dos ultraprocessados, essas pesquisas (1) focam em explicar como as corporações atacam a classificação NOVA, enquanto se importa muito pouco em entender as noções de saudabilidade construídas por tais grupos; (2) se concentram na área da saúde e são realizadas principalmente por nutricionistas e epidemiologistas e, ainda que também abordem as implicações sociais do consumo de tais alimentos, têm um enfoque muito grande nos seus impactos na saúde pública e possibilidades de políticas públicas que barrem o aumento do seu consumo. A presente pesquisa, portanto, se concentra nos discursos de defesa das produtoras de ultraprocessados e, mais do que isso, em entender não somente como ela disputa tal narrativa, mas também como cria formulações próprias do que constitui um alimento, de saúde e sustentabilidade e, consequentemente, do que é uma alimentação saudável e sustentável.

Participantes: Vitória Giovana Duarte; Marília Luz David (orientação).
Previsão de Conclusão: março de 2028
Situação: Em andamento
Financiamento: CNPq