Pesquisadoras e Pesquisadores do TEMAS coordenam Seminários Temáticos (ST) na VIII ReACT (Reunião de Antropologia da Ciência e Tecnologia)
Prazo para envio de trabalhos: 31/08
Pesquisadoras e Pesquisadores que fazem parte da equipe do TEMAS, Ângela Camana, Adriano Premebida, Lorena Fleury e Marília David, tiveram suas propostas de Seminários Temáticos (ST) aprovadas no VIII ReACT (Reunião de Antropologia da Ciência e Tecnologia), organizado pelo PPGAS-UFSCar e que ocorrerá entre os dias 22 e 26 de novembro deste ano. Ângela e Adriano coordenarão, em parceria com Felipe Vargas (UFBA), o ST21 – Experiências sentipensantes: corpos, saberes e ambientes em perspectiva. Marília David irá coordenar, em parceria com Julia S. Guivant (UFSC), o ST22 – Tecnociência e sistemas agroalimentares. Lorena, juntamente com Jean Carlos Hochsprung e Renzo Romano Taddei, ambos da UNIFESP, coordenará o ST23 – Infraestruturas e ecologias em crise: reflexões do tempo presente e de alianças futuras.
As submissões podem ser feitas até o dia 31/08, diretamente pelo site do evento: https://react2021.faiufscar.com/materia/296-submiss%C3%A3o-de-resumos-para-sts#/
Confira a seguir as ementas dos Seminários Temáticos: https://react2021.faiufscar.com/materia/296-submiss%C3%A3o-de-resumos-para-sts#/
ST21 – Experiências sentipensantes: corpos, saberes e ambientes em perspectiva
Felipe Vargas (UFBA)
Ângela Camana (TEMAS/UFRGS)
Adriano Premebida (TEMAS/UFRGS)
Resumo: A VIII ReACT apela às faculdades sensoriais e cognitivas como alerta ao “choque-entre- mundos”. Na esteira deste apelo, o presente ST tem como locus de inscrição a expressão talvez mais espantosa deste choque: a “crise ambiental”, que impõe repensar o “ambiente” como categoria-chave para ler e enfrentar este cenário. Tecer alianças, espreitar ameaças, desenhar paisagens, misturar os corpos, (com)fabular narrativas. Os entrelaçares possíveis entre formas de conhecer e de experienciar fricções convidam a articular habilidades corpóreo-sensitivas e arranjos materiais-simbólicos concretos capazes de fazer eclodir novos modos de habitar os mundos (possíveis) e, simultaneamente, fazer hesitar os modos de devastação. São bem-vindos trabalhos que, sem cederem à urgência de salvação, se dediquem a eventos empíricos que problematizam problemas ambientais concretos: as transformações do clima, a perda da biodiversidade, as ameaças à soberania alimentar e os efeitos da matriz energética capitalista industrial (megaprojetos hídricos, nucleares, fósseis, de mineração). Serão acolhidos resultados de pesquisas, dilemas e desafios teórico-metodológicos que façam emergir/exigir outros modos de sentir e pensar. Dar-se-à prioridade a trabalhos sob os seguintes eixos analíticos: (i) conflitos ambientais; (ii) habilidades corpóreo-sensitivas; (iii) experiências coletivas de saber; (iv) ambiente matizado por raça, etnia e gênero ; (v) tecnologias de – e fugas ao – controle da vida biológica.
ST22 – Tecnociência e sistemas agroalimentares
Marília Luz David (TEMAS/UFRGS)
Julia S. Guivant (UFSC)
Resumo: Este simpósio temático busca reunir estudos sobre sistemas agroalimentares no contexto do Capitalismo global e do Antropoceno. Os Estudos Sociais das Ciências e das Tecnologias (ESCT) abordam uma diversidade de fenômenos dos sistemas agroalimentares, por exemplo, como circuitos globais de produção intentam reduzir a complexidade ambiental e colaboram para o surgimento de novos riscos e patógenos; como inovações transformam o provisionamento (e.g. tecnologias que aproximam produtores e consumidores; maior transparência às cadeias produtivas, com a rastreabilidade) e o consumo alimentar (e.g. “carne de laboratório”); como se dá a institucionalização de normas que regem mercados de diferentes setores e seus efeitos na ordem social; e o papel das novas tecnologias (e.g. mídias sociais) em agenciar processos de subjetivação e socialidades relacionados à alimentação. Isto tem permitido entender mais rigorosamente fenômenos contemporâneos tais como as dinâmicas que caracterizam os circuitos globais de produção, distribuição e certificação de alimentos; as disputas e controvérsias científicas associadas a inovações, questões ambientais e saúde pública; relações de confiança entre experts e públicos não especialistas; a emergência de novos modos de ativismo alimentar; assim como transformações em hábitos de consumo e construção do self. O foco deste ST se estende tanto a estudos empíricos quanto a contribuições que discutam perspectivas teóricas sobre estes assuntos.
ST23 – Infraestruturas e ecologias em crise: reflexões do tempo presente e de alianças futuras
Jean Carlos Hochsprung Miguel (UNIFESP)
Lorena Fleury (TEMAS/UFRGS)
Renzo Romano Taddei (UNIFESP)
Resumo: O objetivo deste ST é propor um espaço de reflexão e debate acerca da ecologia das infraestruturas, dos emaranhados humanos e não-humanos que relacionam tecnociência, sociedade e natureza no Antropoceno. O termo “crise ambiental” refere-se, dentre outras dimensões, a uma crise das infraestruturas que ocorre em escalas nunca presenciadas devido ao alto grau de interdependência desses sistemas com múltiplas ecologias. O antropoceno torna as infraestruturas um lócus de análise central para pensar as crises dentro das crises e os conflitos contemporâneos. As infraestruturas podem ser pensadas como “experimentações ontológicas” (Jensen; Morita, 2015), isto é, locais onde vários agentes se encontram, se envolvem, entram em conflito e produzem novos mundos, nos indicando, portanto, um caminho possível para rastrear transformações, delinear os contornos das ontologias emergentes e, com isso, também perceber um ponto de partida para considerar as questões centrais de uma política não humanista: “com que outras criaturas vivemos? E como podemos viver de forma diferente?”. Em suma, o antropoceno exige que inventemos novas formas de perceber nossa relação com o mundo e novos modos de fazer política. Considerando que as infraestruturas são sítios importantes do trabalho antropológico e do esforço mais amplo de compreender o advento do antropoceno (Hetherington, 2019), este ST busca reunir trabalhos que reflitam sobre o tema da crise ambiental global e seus efeitos locais, das novas experimentações ontológicas e alianças em curso, e dos conflitos que marcam as relações que permeiam as mais diversas infraestruturas.
