Defesa de Tese
Título: COLONIALIDADE E DESENVOLVIMENTO: A RESSIGNIFICAÇÃO DO LUGAR EM “ZONAS MARGINALIZADAS” NO SUL DO RIO GRANDE DO SUL.
Autor: Márcio Zamboni Neske
Data: 31/07/2014 (quinta-feira)
Hora: 14h30
Local: PGDR/UFRGS (Av. João Pessoa, 31)
Resumo: Esse estudo tem como objetivo analisar a configuração do imaginário do sistema-mundial colonial/moderno, evidenciando como se reproduz a colonialidade e emergem processos decoloniais que reconfiguram histórias locais das chamadas “zonas marginais”, tendo por base empírica a região denominada Alto Camaquã, localizada no sul do Rio Grande do Sul. No processo histórico de colonização do Alto Camaquã, o qual seguiu os rastros do “descobrimento” do Brasil e da América Latina, instaurou-se um padrão de poder vinculado à inferiorização do outro que moldou a estrutura da narrativa moderna. Assim, a dominação colonial pressupôs a produção de um conhecimento sobre o colonizado que foi, simultaneamente, a produção de desconhecimento, uma vez que, o caráter violento como o colonialismo se impôs, silenciou o sujeito colonial subalterno (índios, negros, camponeses) no curso da sua história colonial, perpetuando na história “pós-colonial”. Forjou-se, de tal modo, no curso da formação do sistema-mundo moderno/colonial, uma subjetividade de inferioridade não apenas de sujeitos, mas também do lugar, ou seja, o Alto Camaquã como uma região pobre, atrasada, subdesenvolvida e sem competências para sustentar um modelo de desenvolvimento ancorado nos padrões da modernidade. Procurando reescrever a história colonial desde baixo, foi possível identificar no contexto empírico de estudo a existência de outros lócus de enunciação que operam nas margens da modernidade/colonialidade. Esses lócus enunciativos demarcam outras posições dos sujeitos subalternos, que são, eles próprios, lócus enunciativoscontra-hegemônico à verdade imputada pela modernidade eurocêntrica. O que se verificou foi a existência enunciações que envolvem a construção positiva de si mesmo, naquilo que historicamente tem sido negado e colocado a uma condição de inferioridade e fracasso, e que preservam experiências de mundo que tem mudado o curso dos acontecimentos, criando alternativas ao “mundo desenvolvido”.
Banca Examinadora:
Prof. Jalcione Almeida (Orientador PGDR/UFRGS)
Prof. Guilherme Radomsky (PGDR/UFRGS)
Profa. Claudia Job Schmitt (UFRRJ/CPDA)
Profa. TaniceAndreatta (UFSM)
