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⌕ Não te fies: a vida como (não) a conhecemos


Do que se esconde e do que se mostra,
sempre há algo que escapa.
Provoca, promete, insinua.
Quando penso: vi!
Outra parte então se esconde.

A definição da palavra coisa engloba tudo o que não é o ser, seja no campo das ideias, na abstração, no imaterial, quanto na condição material de existência física no mundo. O que vemos e se difere de nós, enquanto não nomeamos, são coisas. As coisas também podem ser aspectos aparentes que projetamos sobre outros corpos, enquanto ou se não os vemos como pessoas. Hannah Arendt escreveu "não somente as aparências nunca revelam de bom grado o que está por baixo delas mas também, falando na generalidade, nunca se limitam a revelar; também escondem".

Em "As pessoas e as coisas" o filósofo italiano Roberto Esposito nos diz que a experiência humana ocidental parece ter se organizado, dividida entre pessoas e coisas, fundamentado no domínio das primeiras sobre as segundas. Expõe a tese de que a única maneira de desatar o nó metafísico entre coisa e pessoa é aproximar dele o ponto de vista do corpo. O autor afirma: "Quanto mais os objetos técnicos incorporam, com o saber que os tornou fungíveis, uma espécie de vida subjetiva, tanto menor é a possibilidade de sufocá-los em uma função exclusivamente servil." Com o avanço das biotecnologias e das inteligências artificiais, estamos diante de uma travessia que talvez altere a hierarquia entre pessoas e coisas.

Há uma ressalva que os cientistas usam para se referir à busca de vida em outros planetas: limitam as comparações à vida como nós já a conhecemos. Paira sobre essa frase a desconfiança de que a vida possa existir de formas que não conhecemos. Como imaginar o desconhecido? Como imaginar novas possibilidades de vida para além do programado e não apenas espelhar as políticas de dominação? A arte pode pensar em outras formas de perceber, tratar os corpos (humanos e não humanos) e de nos relacionarmos com as coisas.


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Curadoria: Elaine Tedesco e Marina Polidoro
Bolsistas UFRGS: Carolina Esteves Vieira e Elae Eliaz Dorneles
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⩰ Catálogo disponível em: https://www.ufrgs.br/verter/nao_te_fies/catalogo.pdf

Dados das obras:

Aleitamento
Adriana Granado
Vídeoperformance
2'20"
2022

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Superfície
Ana Alice
8 gifs
2021

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Matéria
Vídeo
8'44"
2021

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Em-formação
Artur Cabral
Net Art
2023

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Maracatu Digital
Diego Mac
4 sequências
Dança 3D
2023

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Autoafirmativas
Estêvão da Fontoura & Joel Grigolo
Net Art generativa
2023

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Bala de Morango
Fernanda Gorski
Vídeo
3'07"
2023

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Baguall-e
Guilherme Leon
Net art a partir de pinturas
2023

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Simulation Analysis Into The Ways The Identified Depressions On The Mattress Model Might Cause My Back To Hurt A Bit Sometimes
Julia Garcia
Net art
2023

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As pessoas andam muito enroladas nas suas coisas
Natalia Schul
Videoperformance
6'44"
2023

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Teia em LINHAS
Paola Zordan
Fotodesenhos
2016 - 2023

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A cabeça de Salomé
Samy Sfoggia
Fotografia e técnica mista
2022

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Born to be anything
Fotografia e técnica mista
2022

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It takes an ocean not to break
Fotografia e técnica mista
2022

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Acceptați acest făt
Fotografia
2019

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Birdman
Fotografia
2019

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La matriarca
Fotografia
2019

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Canais ; Boca
Virginia Di Lauro
5 gifs
2019 - 2020

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No topo
trabalho de
Carolina Esteves Vieira & Elae Eliaz Dorneles
tudo o que não é o ser
Net Art
2023