SIMPÓSIO 10.1: Tradução, Interpretação e Narrativa
Coordenação: Lenita Maria Rimoli Pisetta (USP) e Cynthia Beatrice Costa (UFU)
E-mails: lenitarimolip@usp.br e cynthiacos@gmail.com
Línguas do simpósio: Português ou inglês.
Resumo: Com frequência, narrativas são a matéria-prima da tradução, sobretudo nos campos da tradução literária, jornalística, jurídica e intersemiótica, assim como na interpretação, em que histórias narradas em primeira pessoa são vertidas consecutiva ou simultaneamente por outro indivíduo, que, ao interpretar o texto do falante, mantém o uso do “eu”. Entender conceitos fundamentais da narrativa é, portanto, crucial para a prática do tradutor e do intérprete que recriam eventos relatados em sequência, sob um determinado ponto de vista, envolvendo ações e personagens, em outra língua ou outro meio. Suas escolhas podem afetar possíveis interpretações de uma obra (no caso da literatura e de outras artes) e até mesmo impactar a compreensão de uma declaração oficial, um testemunho ou a análise de uma ocorrência de relevância internacional. De maneira a contribuir com estudos nessa interface entre a tradução e a narratividade, interessa-nos investigar como elementos e aspectos narrativos – narrador, ponto de vista, foco, personagens, tempo, espaço – impactam a tarefa de traduzir ou interpretar um texto sob o viés do papel político desempenhado pelo tradutor e intérprete. Como nomear as personagens de uma determinada narrativa? A escolha entre “rebelde” ou “manifestante”; “refugiado” ou “asilado”; “autocrata” ou “ditador”; “território”, “país” ou “nação” já impacta de maneira cabal a recepção do que foi traduzido ou interpretado: cada vocábulo decorre de um posicionamento político e incorre em consequências na recepção por parte do público a que o texto se dirige. Como, além disso, balancear a presença ou omissão de pronomes pessoais que podem reforçar (ou, ao contrário, enfraquecer) a identidade do narrador e das personagens? Na tradução intersemiótica, a recriação de uma narrativa originalmente verbal em outro meio exige modificações significativas, como a supressão do narrador ou sua reconstrução com o uso de recursos característicos do novo contexto, como o coro no teatro e o voice-over no cinema, o que pode levar a mudanças no nível de confiança ou ironia inspiradas por esse narrador. Ajustes no ponto de vista também se fazem com frequência necessários. Ao transformar o relato de um crime em “simulação”, por exemplo, que ponto de vista é assumido pelo adaptador? Na tradução e interpretação jornalísticas, jurídicas e comunitárias, a maneira como se narra pode gerar diferentes inferências a partir dos mesmos fatos. Assim, considerando reflexões teóricas de Wayne C. Booth, Gérard Genette, Giuliana Schiavi, Theo Hermans, Gayatri C. Spivak e Mona Baker, entre outros, acolhemos trabalhos que abordem os variados entrecruzamentos entre a tradução ou a interpretação e os estudos da narrativa. Os trabalhos poderão ser propostos em português ou inglês.
Palavras-chave: tradução; interpretação; narrativa.