SIMPÓSIO 4.9: Tradução, literatura e trocas culturais
Coordenação: Andrea Kahmann (UFPel), Cinara Ferreira (UFRGS) e Rita Lenira Bittencourt (UFRGS)
E-mails: ackahmann@gmail.com, cinaraferreira@ufrgs.br e rita.lenira@ufrgs.br
Línguas do simpósio: Português e Espanhol
Resumo: Narrar histórias e recitar poemas é atividade tão antiga quanto a própria humanidade. Também o são traduzi-los e recontá-los a culturas outras, inicialmente não previstas quando da concepção da narrativa ou poesia primeiros. Apesar dessa antiguidade, a tradução, mesmo nos ambientes acadêmicos, é ainda atividade invisibilizada ou mesmo desacreditada por atitudes e discursos que podem ser sintetizados em aforismos como “traduttore traditore” [tradutor traidor] ou “belas infiéis”, que a um só tempo evidenciam aspectos sexistas e racialistas da cultura, ocultados por entre os mitos de pureza linguística, tão irracionais quanto projeções de pureza racial, ou mesmo de superioridade / inferioridade de certas línguas, culturas, visões de mundo, lugares de fala, modos de narrar, temas a compartilhar. Traduzir é necessariamente dialogar, horizontalizar, hibridizar, mestiçar, proporcionar trocas que transformam culturas de origens e de meta. É um processo que transcende o meramente linguístico e demanda reflexões sobre elementos de cultura, frequentemente específicos, ou simbologias não compartilhadas, com seus significados históricos, políticos, sociais, de relações de poder e confrontos, o que envolve o tratamento em tradução de sentidos construídos por meio da linguagem. Traduzir é, pois, mediar culturas, é sacolejar o provincianismo da cultura que traduz e aquela da qual se traduz, é evidenciar as trocas entre o que é próprio e o que é alheio, como o diria Tânia Carvalhal. E a tradução de literatura, com suas multiplicidades interpretativas, suas intertextualidades, pensadas para ou inicialmente não previstas na tradição literária fonte, bem como os diferentes horizontes de expectativas para uma obra em (polis)sistemas literários que se diferem não só no espaço como também no tempo complexificam essa tarefa. Seguindo essa linha, propõe-se este Simpósio Temático com o objetivo de acolher discussões sobre tradução, literatura e trocas culturais. São bem-vindas comunicações em línguas portuguesa ou espanhola* a tratar sobre os mais diversos (polis)sistemas de línguas e culturas em teorizações sobre ou o compartilhamento de experiências em atividades de “transplantes” culturais de textos criativos, valendo-se do sentido mais amplo do conceito de “literatura” a fim de abarcar as diferentes mídias e suportes. São incentivados os estudos comparatistas, os que se vinculem aos estudos culturais e as abordagens interdisciplinares que partam de reflexões sobre narrativas e culturas em contato, as (im)permeabilidades entre (polis)sistemas, suas trocas, seus processos de hibridização e os discursos sobre eles (recepção de tradução), tanto quanto sobre comentários à atividade de tradução de texto literário ou que se tenha valido do referencial teórico da tradução literária.
* Para propor comunicações em outros idiomas, recomendamos contato prévio com as coordenadoras.
Palavras-chave: