Nascida em Debre Tabor, em Begemdir, na Etíopia. Seu nome de nascimento era Weletta Mikael. Era filha de Betul Haile Maryam de Yejju e Yewibdar de Gojjam. Sendo relacionada com a família governante de Semen através de seu avô, dejazmach Haile Maryam Gebre, representava os interesses da aristocracia rural do norte do país.
De acordo com as tradições etíopes, Taytu Betul se casou várias vezes antes de ser desposada pelo futuro imperador Menelik II em 1883, na Igreja de Medhane Alem. O casal viveu algum tempo em um palácio na colina de Entotto, e parece ter sido dela a idéia de transferir sua morada para a cidade que viria a ser capital do reino, Addis Abeba, nome que parece ter originado de uma sugestão dela, e significa “Nova Flor”. Atribui-se também a ela o primeiro hotel da Etiópia, o Etege Taytu Hotel.
Em 1889, Menelik e Taytu foram coroados Imperador e Imperatriz, e ela passou a ser tratada com o título de etege, “a esposa coroada do imperador”. Ambos são lembrados como o casal imperial mais patriota, bem-sucedido e inteligente. Ela foi uma conselheira das mais confiáveis, porém temia influencias estrangeiras e não confiava nos europeus. Acreditava que a força da Etiópia residia em sua cultura, religião e em sua mitologia. Embora bem informada quanto ao que se passava no mundo, era resistente quanto às inovações tecnológicas e aos modelos modernos de governo. Ela lia na língua Geez (a língua da liturgia e da literatura etíopes), escrevia poesia e tocava instrumentos típicos do país.
Taytu participou com Menelik na luta contra os italianos na Batalha de Adwa, contribuindo com uma força de trezentos mil soldados para o exército da Etiópia e liderando um grupo de mulheres nobres que serviram como enfermeiras e carregadoras durante os combates. Também se fez presente no campo de batalha, rezando e encorajando os soldados, e após o conflito deu assistência pessoal aos feridos. O exército privado de Taytu, que participou da batalha tinha aproximadamente três mil soldados e se diz que eram muito bem treinados.
Embora tendo sido uma imperatriz extremamente bem sucedida, Taytu Betul não teve herdeiros(as). Ela assumiu a função materna para Zewditu, a filha de Menelik de um outro casamento, e exerceu forte influência sobre aquela que viria a ser a futura imperatriz da Etiópia.
Taytu arranjou o casamento de Zewditu com seu sobrinho, ras Gugsa Wele, e pairou a suspeita de que pretendesse assumir o controle completo do trono após a morte do marido, que ficou muito doente em 1906 e paralítico em 1908. Seus planos foram frustrados pelos influentes conselheiros de Shewa, que garantiram ao sucessor masculino da linhagem imperial, Iyasu, o direito de sucessão, forçando a imperatriz a apenas cuidar do imperador enfermo. Depois da morte dele, em 1913, ela se mudou para a igreja de Entotto Maryam e lá ficou até 1916, quando Zewditu foi coroada imperatriz da Etiópia.
BIBLIOGRAFIA
MARCUS, Harold. The life and times of Menelik II: Ethiopia, 1844-1913. Oxford: Clarendon Press, 1975.
PROUTY, Chris. Empress Taytu and Menilek II: Ethiopia, 1883-1910. London: Raven’s Development Services, 1986.
RUBINKOWSKA, Hanna. “Tayty Betul”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 519-520.
Última atualização em: 28/01/2021
































