Jeanne Martin-Cissé (1926-2017)

Jeanne Martin-Cissé | UN Photo / Yutaka Nagata
Fonte da imagem: United Nations Photo. Disponível em: https://dam.media.un.org/. Acesso em: 14 de dez. de 2020.

Ativista anti-colonial e diplomata nascida na Guiné-Conacri, na cidade de Kankan. O pai trabalhava como escriturário no correio e sua mãe como parteira.

Em 1936 a mãe de Jeanne foi transferida para outra cidade como resultado por ter aconselhado uma francesa a realizar seu trabalho de parto em um hospital e o marido desta mulher, um oficial do exército, ter se indignado pois ela não teria o direito de dar ordens a uma paciente branca. Esse incidente foi o primeiro de tantos outros que a levaram a questionar a legitimidade do colonialismo. Assim que a Segunda Guerra mundial estourou em 1939, o governo colonial impôs medidas sobre a população que pareciam insuportáveis a estudantes como Cissé.

Estudou na École Normale d’Instrutrices (Escola Normal de Instrutoras), um internato de meninas advindas de várias colônias francesas na África, na cidade de Rufisque, no Senegal. Foi um começo difícil de se adaptar, para o desgosto de seu pai, mas logo ela obteve um certificado de professora em 1944. Três meses depois de se formar, uniu-se num casamento arranjado por seus pais com um inspetor policial de Kankan. Mudaram-se para a capital de Conakry e tiveram um filho. Seu marido morreu durante um acidente de trabalho. Após essa perda, Cissé começou a se interessar em dar suporte ao Rassemblement Démocratique Africaine – RDA (Ajuntamento Democratico Africano).

Em 1954 ela representou a Guiné no encontro da Federação Democrática Internacional das Mulheres (FDIF), em Paris. Lá conhece outras ativistas do mundo inteiro, o que a inspirou a recrutar mais mulheres para a RDA. No final dos anos 1950 ela se torna secretária geral da Union des Femmes du Senegal– UFS (União das Mulheres do Senegal) e viajou para China e União Soviética (1958). Cissé também ajudou a formar a Union des Femmes de l’Ouest Africaine – UFOA (União das Mulheres da África Ocidental), além de auxiliar em diversos programas de estímulo à educação de meninas quando esteve como Ministra da Educação.

Em julho de 1962, mulheres provenientes de todo o continente africano se reuniram em Dar-es-Salaam, na atual Tanzânia, para criar a Africa Women’s Union (União das Mulheres Africanas), organização pan-africana da qual Jeanne Martin-Cissé se tornou primeira Secretária Geral; até 1968, a organização tinha a sua sede na Guiné-Conacri e, sucessivamente, na Argélia e em Angola. Em 1974, durante o congresso, a AWU foi renominada para Pan-African Women’s Organization (Organização Pan-Africana das Mulheres).

BIBLIOGRAFIA

CISSÉ, Jeanne Martin. La fille du Milo. Paris: Presence Africaine, 2010.

RICH, Jeremy. “Jeanne Martin-Cissé”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 118-119.

Última atualização em: 28/01/2021

Theme: Overlay by Kaira.