Nascida na Filadélfia, Estados Unidos, com o nome de Matilde Spencer, era uma liberta afro-americana que integrou o grupo de Retornados que se instalaram em território da atual Libéria no início da década de 1820.
Ela se estabeleceu na Ilha de Sherbro, cerca de 100 milhas distante da capital, Freetown e em 1827 casou-se com Ralph Newport, com quem teve um filho. Viveu como uma pessoa anônima, e teve o destino similar as demais mulheres das camadas populares de seu tempo.
Entretanto, na segunda metade do século XIX, quando a elite descendente dos Retornados elaborava a memória nacional da Libéria, a imagem de Mathilda ganhou contornos lendários devido a um episódio supostamente ocorrido em 1822, durante o conflito armado que opôs os recém-chegados aos habitantes nativos, no assentamento de Cabo Mesurado. De acordo com a lenda, ao notar que os canhoneiros do lado dos colonos estavam mortos ou feridos Matilda teria acendido o estopim do canhão com uma brasa ardente de seu cachimbo, matando assim diversos atacantes africanos e bloqueando o ataque.
A imagem de Matilda Newport como heroína da guerra de conquista a elevou ao panteão das figuras de proa da nação, e em 1916 foi criado um feriado nacional em sua homenagem, o Mathilda Newport Day. Mas as circunstâncias que cercam sua memória despertaram críticas e resistências por parte da população identificada com os habitantes locais, e após reiterados movimentos de protesto, até a data comemorativa se abolida em 1980.
A mais importante avenida de Monróvia, contudo, leva o nome de Matilda Newport, assim como uma importante escola secundária.
BIBLIOGRAFIA
HOLSOE, Svend E.. Matilda Newport: the power of a liberian-invented tradition. Liberian Studies Journal, v. 32, n. 1, p. 84-93, 2007.
MORAN, Mary H.. “Matilda Newport”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 445-446.
Última atualização em: 22/01/2021
































