Nascida na cidade de Buea, no sudoeste dos Camarões, à época sob o domínio colonial inglês, seu pai tinha quatro esposas, o que lhe deu dez irmãos e irmãs. A mãe era professora, e despertou na menina a vocação de educadora. Njeuma estudou na Nigéria porque não havia escolas secundárias para meninas em sua cidade. Após graduar-se na Queen’s School, obteve uma bolsa de estudos no Pembroke College, nos Estados Unidos (1962). Durante sua estadia neste país, destacou-se como tenista amadora e foi capitã do time de Pembroke (1965). Em 1970, obteve o doutorado em biologia na Universidade de Londres. Em seguida, casou-se com o historiador Martin Njeuma, com quem teve duas filhas.
Após iniciar a carreira acadêmica como professora de biologia, Njeuma ocupou cargos administrativos de grande importância em duas universidades: foi nomeada reitora na Universidade de Buea (1987) e vice-reitora da Universidade de Yaoundé (2005). Ela é considerada uma das mais importantes administradoras acadêmicas em Camarões: foi vice-presidenta da Associação das Universidades Africanas, além de participar do comitê de direção da Universidade das Nações Unidas. Foi ainda presidente da Conferência de Reitores das Universidades Estatais da Republica dos Camarões, da Federação Nacional dos Esportes Universitários. Recebeu inúmeras honrarias durante sua carreira por parte de dois governos ditatoriais, entre elas, a de Grande Oficial da Ordem do Valor Camaronês (2001).
Apesar de seu destaque no campo acadêmico, tanto como professora quanto administradora, Njeuma teve uma longa e tumultuosa relação com os estudantes das universidades onde trabalhou, em particular com as uniões estudantis, as quais ela considerava ilegais. Após diversos protestos por parte dos estudantes, ela expulsou diversos líderes estudantis, enquanto a repressão por parte da polícia foi violenta, o que lhe rendeu uma reputação de autoritária.
Quando Dorothy Njeuma foi nomeada reitora em Buea (1987), a universidade contava com pouco mais de sessenta alunos. Única universidade anglófona no país, em 2003, o número de alunos havia subido para mais de sete mil, sendo que estes podiam escolher dentre 29 diferentes cursos de graduação. Este é um exemplo da sua habilidade como administradora, ainda que sua carreira tenha sido marcada pela proximidade com o regime ditatorial e com métodos de repressão e autoritarismo.
BIBLIOGRAFIA
KONINGS, Piet. Neoliberal bandwagonism: vivil society and the politics of belonging in anglophone Cameroon. Leiden: African Studies Centre, 2009.
MBAKU, John Mukum; Takourang, Joseph. The leadership challenge in Africa: Cameroon under Paul Biya. Trenton: African Word Press, 2004.
RICH, Jeremy. “Dorothy L. Njeuma”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 4, p. 474-475.
Última atualização em: 22/01/2021
































