Aristocrata abissínia que viveu em território da Tigrinya, atual Eritréia, desempenhou destacado papel político durante o período de enfraquecimento da autoridade dos négus (imperadores), período histórico conhecido como Zamana Mesafint, a “Era dos Príncipes” (1769-1855). Na época, a região estava integrada ao norte dos domínios do Império Etíope. Sua fama era tal que o seu filho, Ras Woldemichael, herói nacional eritreu, é lembrado como “Filho de Ilen”, quando a norma social vigente exigia que fosse lembrado pelo nome do pai.
Pouco se sabe sobre sua formação ou histórico familiar, nem mesmo o nome de seus pais. As fontes históricas concordam, todavia, que ela era extremamente inteligente, de oratória persuasiva, astúcia política e valiosa líder. Dizem que comandou pessoalmente homens em combate e lutou ao lado deles e nunca foi capturada em batalha.
Ilen entrou para a política não por escolha e sim por exigências da época. Foi dada em casamento a Ayte Salomon, o filho mais velho de Kantiba Zar’ay of Hazzega, que liderou por quatro anos a maior parte de Hamasen – as terras altas ao redor de Asmara. Eles tiveram uma filha, Temertsa, e dois filhos: Woldemichael e Mar’ed. Depois da morte do marido, ela teve mais dois filhos.
Seu marido não dispunha das habilidades necessárias para a liderança e teve pouco envolvimento com as responsabilidades políticas impostas pela posição social de sua família, de modo que os filhos logo disputaram entre si pelo controle dos bens e riquezas, gerando um clima de profunda rivalidade. Isto levou a que Ilen assumisse o controle da situação. Já na metade da década de 1820 ela precisou lidar com um conflito com outros chefes de clãs dos distritos vizinhos de Tse’azzega, suas tropas foram cercadas e ela teve que bater em retirada, fugindo para Gura’e, em Akkale-Guzay, nas terras de sua mãe. Depois de duas tentativas frustradas para vingar a derrota, firmou alianças com outros príncipes da região do Tigrê, inclusive com Dejjazmatch Wube Hayla Maryam, o mais poderoso líder das províncias do Norte, que se uniu a ela.
Seu envolvimento em arranjos políticos e disputas territoriais ocorreu até o final de 1840, quando ela passou a liderança familiar ao filho mais velho Woldemichael e se retirou em uma igreja dedicada à Virgem Maria em Hazzega, vivendo como uma monja. Mas, ao ser visitada por Kantiba Woldegaber, chefe da linhagem familiar de Dimbezan de quem fora adversária, um desentendimento ocorreu entre ambos e ele morreu logo depois, fato interpretado como assassinato. Embet Illen foi atacada, teve que fugir e buscar refúgio em um distrito vizinho, sendo então ela e duas netas que a acompanhavam aprisionada, torturadas e mortas, evento que motivou diversos ataques e atos de vingança posteriores de seu filho contra os inimigos da família que viviam no planalto de Hamasen.
BIBLIOGRAFIA
SCHAEFFER, Charles. Reexamining the ethiopian historical record on the continuum between vengeance and forgiveness. In: UHLIG, Siegbert et alii (Eds.). Proceedings of the XVth International Conference of Ethiopian Studies. Hamburg: Harrassowitz Verlag, 2003, p. 348-355.
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YESEHAQ, Yosef. Embiyle Weldu Gomida – Tarikh Ra’essi Welde-Mika’el (A biography of as Woldemichael). Asmara: MBY Press, 2000.
Última atualização em: 28/01/2021
































