Bourkou Louise Kabo (1934-2019)

Bourkou Louise Kabo
Fonte da imagem: Overblog. Hommage A Bourkou Louise Première Tchadienne Députée. 19 de jun. de 2019. Disponível em: http://www.makaila.fr/2019/06/hommage-a-bourkou-louise-premiere-tchadienne-deputee.html. Acesso em: 23 de dez. de 2020.

Primeira mulher eleita para o parlamento do Chade, da etnia Sara, nascida na cidade de Sarh. Seus pais, Kabo Koutou Kilagui e Zara Lawassi, ambos muçulmanos, morreram muito cedo e, aos oito anos ela ficou órfã.

Com dos tios, teve uma educação francesa e, desde jovem, conviveu com as injustiças coloniais, contra as quais teve a tia como exemplo de resistência. Por sua família ser apoiadora do Partido Progressista Chadiano – PPT, foi impedida de estudar na França pelo partido governante. Assim mesmo foi a primeira mulher chadiana a lecionar numa escola que tinha o francês como idioma de ensino. Teve um curto casamento com Julien Djasgaral, com quem teve sete filhos.

Bourkou Louise entrou na política pelo PPT no início dos anos 1960. François Tombalbaye, primeiro presidente do Chade independente, também Sara, era um conhecido de longa data, e incentivou-a a concorrer por uma cadeira no Parlamento em 1962. Foi eleita e manteve-se leal ao PPT mesmo após Tombalbaye dissolver o parlamento numa de suas medidas autoritárias. Promoveu programas de educação para mulheres do Chade, principalmente das áreas rurais, e casou-se com Alphonse Ndoyengar Nodjimbang, Secretário de Educação de Tombalbaye.

Nos anos 1970, Kabo passou a divergir de uma série de medidas autoritárias de Tombalbaye, mas continuou a trabalhar no Ministério da Educação mesmo após o assassinato do presidente em 1975. Quando Hissène Habré tomou o poder em 1982, Kabo fugiu para a República Centro-Africana, onde foi comerciante e diretora de escola. Refugiou-se na França em 1987, onde aproximou-se da causa das pessoas com deficiência.

Retornou ao Chade em 1991, após a queda de Habré. Foi delegada da convenção constitucional e deputada de 1991 a 1995, quando condenou a mutilação genital feminina e defendeu a idade mínima de dezoito anos para o casamento, de modo a evitar casamentos arranjados de meninas.

BIBLIOGRAFIA

AZEVEDO, Mario Joaquim. Roots of violence: a history of war in Chad. Sydney: Gordon and Breach, 1998.

BANGOURA, Mohamed Tétémadi. Violence politique et conflits en Afrique: le cas du Tchad. Paris: L’Harmattan, 2005.

RICH, Jeremy. “Bourkou Louise Kabo”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 250-251.

TUBIANA, Marie-José. Parcours de femmes: les nouvelles élites, Entretiens: 1997-2003. Paris: Sépia, 2004.

Última atualização em: 22/01/2021

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