Rainha sênior do Rei Lobengula, no atual Zimbabwe. Casou-se com ele em 1870, tornando-se governanta do povo Ndebele, em um casamento arranjado como meio de fortalecer a base militar do reino e aumentar o prestígio espiritual uma vez que a família Dhlodhlo, a qual ela pertencia, desfrutava de prestígio pelas habilidades de seus curandeiros tradicionais conhecidos como izinyanga. Por não ter filhos biológicos, adotou e criou sua sobrinha, Sidambe, que se tornou legalmente sua filha.
Na condição de rainha sênior, a tarefa de Lozikeyi era apoiar o rei e fortalecer a nação, estimulando a continuidade dos costumes e das tradições Ndebele, além de preparar e administrar medicamentos de guerra para fortalecer o seu poder pessoal. Este confiou a ela a responsabilidade de vigiar os homens europeus que visitavam Bulawayo, e a consultava para decidir se encorajava ou não os contatos dos estrangeiros com as mulheres Ndebele. Como chefe dos alojamentos reais das mulheres, ela fez o possível para evitar a difusão do cristianismo, que poderia enfraquecer a religião tradicional.
Quando as forças da companhia britânica da África do Sul, sob a liderança de Cecil Rodhes, venceram e exilaram Lobengula (1893), Lozikeyi tornou-se rainha regente, mantendo o povo unido. Sua posição em relação aos colonizadores oscilou entre a aparente obediência e lealdade e uma resistência obstinada, como ocorreu na War of the Red Axe Broke (Guerra do Machado Vermelho) (1896), que ela planejou junto com o seu irmão com o objetivo de restabelecer o poder de seu reino e foi encerrada mediante uma negociação em que a posição dos Ndebele saiu fortalecida.
Nos anos seguintes, estabeleceu alianças e buscou estratégias para garantir a continuidade dos costumes e instituições tradicionais. Mas, em 1909, após reiteradas pressões, foi forçada a admitir a entrada de missionários nos territórios sob o seu governo, e membros da Sociedade Missionária de Londres passaram a viver em sua corte. Alguns anos mais tarde, ela faleceu em decorrência da pandemia de influenza que ceifava vidas em todo o mundo desde 1918.
Desde a guerra de libertação do Zimbábue ela é lembrada como precursora do sentimento nacionalista e anticolonial.
BIBLIOGRAFIA
CLARKE, Marieke Faber; NYATHI, Pathisa. Lozikeyi Dhlodhlo, queen of the Ndebele: ‘a very dangerousand intriguing woman bulawayo. AmaGugu Publishers, 2010.
CLARKE, Marieke. “Lozikeye Dhlodhlo”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 3, p. 524-525.
RANGER, T. O. Revolt in Southern Rodhesia, 1896-1897. Londres: Heinemann, 1967.
Última atualização em: 22/01/2021
































