Hadja Mafory Bangoura (1910-1976)

Hadja Mafory Bangoura
Fonte da imagem: Vision Guinee. Mafory Bangoura, mère-courage de la nation guinéenne. Disponível em: https://www.visionguinee.info/2017/02/11/mafory- bangoura-mere-courage-de-la-nation-guineenne/. Acesso em: 11 de dez. de 2020.

Líder ativista do movimento anticolonial da Guiné, nasceu em Bramaya – Ouassou, de uma família humilde do grupo étnico Sosso. Cresceu no meio rural, em uma comunidade que vivia da pesca. Casou-se ainda jovem e teve três filhos.

 Hadja Bangoura foi para Conakry em 1936, na qual eventualmente se juntou ao Foyer de la Basse Guinée, uma associação de ajuda mútua para pessoas vindas da Baixa Guiné. Trabalhou como costureira em Conakry antes de se envolver com o grupo que deu suporte à Sekou Toré durante o movimento nacionalista na década de 1950.

Embora iletrada, era dotada de grande iniciativa pessoal, liderança e extraordinária personalidade, o que lhe conferiu respeitabilidade no movimento de resistência anticolonial. Ganhou destaque na liderança da Greve Geral de 1953 em defesa do Código do Trabalho, mobilizando mulheres e homens operários, com discursos e palavras de ordem inflamadas. Foi então eleita presidenta do comitê de mulheres do Rassemblement Democratique Africain (Ajuntamento Democrático Africano), quando criou uma “milícia popular” de mulheres e as incentivou a pegar em armas.

Bangoura, que também era representante da Cruz Vermelha, alojou pessoas que eram feridas por conta das hostilidades anticoloniais. Em julho de 1955, foi presa por um ano e deveria pagar fiança de 70.000 francos. As mulheres do Conakry reagiram à sua prisão, marchando até as sedes de polícia, onde bloquearam as ruas e usaram mangueiras de incêndio. Quando ela foi liberada da prisão em 17 de agosto, foi cumprimentada com júbilo por suas seguidoras, que a acompanharam até sua casa dançando e cantando. Sua sentença foi eventualmente reduzida, de modo que permaneceu reclusa apenas 28 dias.

Depois da independência (1958), Hadja manteve posições governamentais como integrante ativa do Parti Democratique de Guinée – PDG (Partido Democrático da Guiné). Foi eleita ao Parlamento, onde representou as mulheres guineenses, e em 1968 tornou-se a primeira presidenta da União Revolucionária de Mulheres da Guiné.

Ela é lembrada como heroína da independência na República da Guiné-Conacri. Em sua memória conferiu-se o seu nome ao colégio Hadja Mafory Bangoura.

BIBLIOGRAFIA

KEITA, Sidiki Kobele. Le PDG: artisan de l’indépendance nationale en Guinée (1947-1958). Conakry: Bibliotheque Nationale, 1978.

SCHIMIDT, Elizabeth. Mobilizing the masses: gender, ethnicity and class in the nationalist movement in Guinea, 1939-1958. Portsmouth: Heinemann, 2005.

SHELDON, Kathleen. “Hadja Mafory Bangoura”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1,  p.  375-376.

Última atualização em: 22/01/2021

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