Eva Africana (c. 200.000 anos)

Eva na igreja de Abreha e Atsbeha | Foto: Bernard Gagnon
Fonte da imagem: Wikimedia Commons. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Abreha_and_Atsbeha_Church_-_Adam_and_Eve_01.jpg. Acesso em: 11 de dez. de 2020.

Mais recente ancestral comum, também conhecida como Eva Mitocondrial, nome proposto pela geneticista Rebecca L. Cann, quando ela e seus colegas pesquisadores da Universidade da California identificaram e dataram o vínculo de descendência do ser humano anatomicamente moderno com uma hipotética e única “mãe africana”,  a partir de análise de variação genética do  DNA mitocondrial (1987).

Usando DNA mitocondrial (herdado somente da linha materna), Rebecca Cann e seus associados examinaram 147 indivíduos e produziram uma árvore genética evolucionária mostrando os ramos de dois conjuntos de indivíduos: um conjunto de ancestral africano e um segundo conjunto de uma mistura entre africanos e “outros” ancestrais. A árvore revelou que os seres humanos modernos se originaram na África a partir de uma única fonte, que Cann e seus colegas nomearam “Eva”, de um período entre 140,000 e 290,000 anos atrás.  Pesquisas subsequentes situaram essa data em aproximadamente 200,000 anos atrás ao comparar dez modelos genéticos humanos.

“Eva Africana” é um modelo matemático, e não um fóssil real de restos humanos. Não obstante, a maioria dos cientistas atuais concordam que ela é ancestral de todos os seres humanos atuais e que viveu na África. Na primeira metade dos anos 1990 várias árvores alternativas foram publicadas, com várias “raízes” diferentes fora da África. Conforme o conhecimento em genética aumentava e as técnicas melhoravam, abordagens diferentes foram aplicadas ao problema das origens humanas, padrões de migração e tempo, e a presença ou ausência de gargalos genéticos (períodos durante os quais populações decrescem marcadamente em tamanho).

Em 2000, Kaessman  Ingman e U. Gyllesten sequenciaram completamente o DNA mitocondrial de 53 mulheres. Eles encontraram uma sequência distinta e única em cada uma dessas mulheres e foram hábeis em construir uma árvore genética baseada nesses dados. A primeira divergência ocorreu com mulheres da África Sub-Sahariana, seguidas por uma ramificação de vários indivíduos de outras partes da África, apoiando, deste modo, a origem genética africana dos humanos modernos proposta por Cann e seus colegas em 1987.

Um adicional de 66 mulheres foram sequenciadas independentemente por J.L. Elson e seus colegas (2001) com resultados similares. A Eva Africana não foi a única mulher de sua espécie. Muitos estudos de DNA nuclear, de fósseis e de sítios arqueológicos indicam uma população antiga nas dezenas de milhares na época que Eva estava viva. A dificuldade na interpretação provavelmente vem do fato de que, embora os estudos indiquem um único ancestral comum feminino para todas as mulheres vivas atualmente, estes estudos não levam em conta as linhas que desapareceram e o fato de os machos não passarem DNA mitocondrial.

 “Eva” não é a ancestral comum mais recente compartilhada por todos os humanos vivos; em vez disso, a proposta é que ela seria a provável ancestral comum matrilinear mais recente. Em meados dos anos 1990 geneticistas começaram a pesquisar o ancestral patrilinear mais comum dos humanos modernos, agora chamado “Adão cromossomial-Y” para se juntar a “Eva Africana” na linha evolucionária humana. Este teria vivido entre 60.000 e 90.000 anos na África subsaariana, segundo se pode aferir a partir dos dados obtidos até agora.

Wikimedia Commons. [Sítio institucional]. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Abreha_and_Atsbeha_Church_-_Adam_and_Eve_01.jpg. Acesso em: 11 dez. 2020.

BIBLIOGRAFIA

CANN, Rebecca L. Stoneking, M.; WILSON, A. C.. Mitocondrial DNA and human evolution. Nature, v. 325, p. 31-36, 1987.

CANN, Rebecca L.  Mothers, labels, and misogyny. In: HAGER, L. D. (Ed.). Women in human evolution. Londres: Routledge, 1997, p. 75–89. 

DILLER, K. C; Cann Rebecca L. Molecular perspectives on human evolution. In: GIBSON, K. R.; TALLERMAN, M.  (Ed).  The Oxford handbook of language evolution. Nova Iorque: Oxford University Press, 2011.

INGMAN, M. et alii. Mitochondrial genome variation and the origin of modern humans. Nature, v. 408, p. 708-713, 2000.  

MILLER, Elizabeth. African Eve”.  In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1, p. 107-108.

Última atualização em: 05/02/2021

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