Arwa Saleh (1951-1997)

Arwa Saleh
Fonte da imagem: Goodreads. Disponível em: https://www.goodreads.com/author/show/ 4117584._. Acesso em: 11 de dez. de 2020.

Líder estudantil, militante comunista radical e feminista egípcia. Nasceu na cidade do Cairo, onde estudou Literatura Inglesa na Universidade do Cairo. Trabalhou temporariamente como professora e como tradutora  na Agência de Notícias do Oriente Médio e no jornal econômico saudita intitulado al-‘Alam al-Yawm (O Mundo Hoje). Também traduziu para a língua egípcia textos da literatura marxista, além de ter sido autora de ensaios e textos de opinião em boletins do Hizb al-‘Ummal al-Shuyu’i al-Misri  (Partido Comunista dos Trabalhadores Egípcios), uma organização proibida em seu país.

Sua militância foi ativa no período de 1968-1970, e se deu no contexto da forte mobilização estudantil de esquerda contra o regime autoritário do governo de Anuar al-Sadat, sobretudo após a derrota egípcia na Guerra Árabe-Israelense (1967).  Arwa Saleh e Siham Sabri assumiram a liderança na Universidade do Cairo, organizando manifestações, redigindo panfletos, pôsteres e slogans, atividades literárias e teatrais de contestação. Na passagem de 1972-1973 os estudantes universitários, com apoio popular, ocuparam a Praça Yahrir, em protesto contra a ocupação do Sinai por Israel, e contra o autoritarismo do governo, entrando em conflito com as forças policiais a serviço do Estado. Esse cenário veio a ser retratado em sua obra posterior intitulada al-Mubtasarun (O natimorto) (1997), em que avalia o legado da “geração melancólica”  e as esperanças frustradas do movimento estudantil nos anos 1970.

Arwa Saleh tornou-se membro do comitê central do Partido dos Trabalhadores Comunistas Egípcios, uma grande organização que surgiu do movimento estudantil de 1972 e também se envolveu nos levantes de 1977 contra as políticas de liberalização econômica de Anuar Sadat. Este movimento radical de esquerda se enfraqueceu nos anos 1980, quando muitos ativistas e intelectuais juntaram-se a Organizações Não Governamentais, agências humanitárias internacionais ou movimentos islâmicos.  Essa mudança de rumo levou a que ela se afastasse do partido, em parte também por questões de saúde, o que a levou a deixar o Egito e viver temporariamente na Espanha, e a passar por demorado tratamento psiquiátrico.

Em seu livro de memórias   al-Mubtasarun (O natimorto) (1996), além de deixar um denso registro dos anos de militância estudantil, Arwa reflete com amargura sobre as inconsistências e ambiguidades dos promotores do movimento e denuncia as estruturas hierárquicas dentro das organizações comunistas, baseadas em critérios de antiguidade e, frequentemente, de gênero. Nele constam acusações de exploração sexual e abuso cometido por lideranças comunistas contra jovens militantes mulheres, por vezes difamadas ou silenciadas caso resistissem aos avanços masculinos. Também critica o intelectualismo das lideranças, que mais se preocupavam com publicações de livros ou a obtenção de apoio público do que em manter os objetivos de resistência e luta. 

Ao longo de sua vida adulta, Arwa Saleh  sofreu de depressão clínica e episódios de esquizofrenia. Após várias tentativas frustradas, ela cometeu suicídio em 1997, ao pular do décimo andar do edifício em que morava no Cairo, episódio trágico retratado em pelo menos três romances da literatura egípcia recente. Uma coletânea de artigos, ensaios e poemas, bem como de trechos de suas memórias, foi publicada com o título de Saratan al-Rawh (Câncer da Alma) (1998). 

BIBLIOGRAFIA

AL-ARIAN, Abdullah. Answering the call: popular islamic activism in Sadats Egypt. Oxford: Oxford University Press, 2014.

HAMMAD, Hanan. Arwa Saleh’s The premature: gendering the history of the egytian left. Arab Studies Journal, v. 24, n. 1, p. 118-142, 2016. 

SALIH, Arwa. The stillborn: notebooks of a woman from the student movement generation in Egypt. Calcutta: Seagull Books, 2017.

Última atualização em: 22/01/2021

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