Figura central do mito de fundação da dinastia real do antigo Daomé, nas atuais repúblicas de Benin e do Togo. É lembrada nas tradições orais de língua fon como uma princesa originária do reino de Tado, membro de uma família do Planalto de Abomé, que teria vivido no século XIII.
Ela teria sido a ancestral feminina primordial (tohuiyo) dos Aligbononni Wasanu, família oriunda de Wasa, cujos descendentes teriam se misturado por casamentos com os povos ajás. Tornou-se objeto de culto como ancestral dos Aladahonu, os povos de Alada, e, por extensão, a “grande-mãe” da dinastia dos reis daomeanos, conhecidos como Agasuvi.
Segundo o mito, ela teria procriado os filhos junto com uma entidade sobrenatural, um espírito (houn) na forma de uma criatura felina com característica de pantera ou leopardo (kpó). Quando nasceu, o filho dela, muito robusto peludo, recebeu o nome de Agassu. Quando cresceu ele deixou muitos filhos que formaram o clã dos Agussuvi.
Isto explica que Aligbomon tenha sido cultuada como um poderoso vodun vinculado ao leopardo, e que este animal tenha sido o símbolo da linhagem real daomeana. Por isso é que as rainhas-mães eram chamadas de kpojitó, que significa literalmente “aquela que engendra o leopardo”, e as esposas favoritas do governantes atendiam pelo nome de kposi, a “esposa do leopardo”.
BIBLIOGRAFIA
BAY, Edna. Wives of the leopard: gender, politics, and culture in the Kingdom of Dahomey. Charlotesville; London: University of Virginia Press, 1998.
CORNEVIN, Robert. Histoire du Dahomey. Paris: Éditions Berger-Levrault, 1962.
PARÉS, Luis Nicolau. O rei, o pai e a morte: A religião vodum na antiga Costa dos Escravos na antiga Costa dos Escravos. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.
Última atualização em: 22/01/2021
































