Também conhecida como Aminatu. Sucedeu o pai, Bakwa Turunku, no governo da cidade de Zazzau, atual Zaria, uma das cidades-estado hauçás, onde detinha o título de saraunya, equivalente ao de rainha ou primeira-esposa.
Quando o pai morreu, ela assumiu o governo das regiões de Turunku e Kufena, e estabeleceu a capital do reino em Zaria e o transformando num dos mais poderosos estados hauçá no na segunda metade do século XVI. Ela foi então reconhecida como líder guerreira e acumulou grande riqueza com os despojos obtidos em guerra.
As fronteiras de Zaria foram alargadas após uma série de campanhas militares sob sua liderança, barrada pelos poderes crescentes de Kano e Katsina, mas o seu exército atacou os povos do sudoeste e do sudeste, incluindo os povos Nupe, Bauche e Yauri. Na Crônica de Abuja, consta que os governantes Nupes enviaram 40 eunucos e dez mil nozes-de-cola como forma de pagamento de tributo.
Segundo consta em relatos extraídos da tradição oral, ela teria mandado elevar enormes predes de barro em redor das cidades conquistadas, que ficaram conhecidas como Ganuwar Amina, isto é, as “paredes de Amina”, embora a datação obtida em pesquisas arqueológicas indique que as construções não coincidem com o período em que a governanta esteve à frente do governo de Zaria.
A existência histórica de Amina tem sido matéria de discussão entre historiadores(as), porque nem a Crônica de Abuja e nem a Crônica de Kano, dois documentos importantes sobre os períodos mais recuados da história dos povos hauçá não a incluem na lista de governantes. Em sentido oposto, sua memória é muito viva nas tradições orais locais. Outra controvérsia diz respeito ao período de seu governo, que para muitos parecia ter ocorrido no século XV, mas agora parece mais provável ter ocorrido no século XVI.
Em contraste as incertezas e dúvidas da historiografia, a história de vida de Amina inspirou várias criações incorporadas pela indústria cultural, onde ela é retratada com forte conotação romântica, em esculturas, pinturas, selos postais, peças teatrais, obras de literatura infanto-juvenil e biografias na internet. Sua imagem é encarada como um símbolo positivo de mulheres detentoras de poder ao longo da história africana.
BIBLIOGRAFIA
DENZER, Laray. “Amina”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 1, p. 218-220.
SAAD, Abubakar. Queen Amina of Zaria. In: AWE, Bolanle (Ed). Nigerian women: a historical perspective. Ibadan; Lagos: Bookcraft; Sankore, 2001, p. 12-26.
SCHWARZ-BART, Simone; Schwarz-Bart,André. In praise of black women: Ancient African queens. Wisconsin: University of Wisconsin Press, 2001.
SWEETERMAN, David. Grandes mulheres da história africana. Lisboa: Nova Nórdica, 1988.
Última atualização em: 26/01/2021
































