De acordo com as tradições orais de língua mandê, na África ocidental, em particular na Guiné-Conacri e no Mali, Sogolon Kedju ou Sogolon Kuduman, também referenciada como “Sogolon a feia”, “Sogolon, a corcunda” ou “Sogolon, a escrofulosa”, era a mãe de Sundjata Keira, o herói unificador dos povos Mandingas após a vitória na Batalha de Kirina, em 1235.
Sogolon descendia de uma entidade sobrenatural, Dô-Kamissa Kondé, a Mulher-Búfalo que atormentava o reino de Dô, na região do Rio Sankarani. Dois caçadores da linhagem Traorê teriam descoberto o seu segredo e a mataram, mas antes assumiram o compromisso de levar a filha e protegê-la, o que fizeram e a entregaram ao rei Maghan Kon Fatta, que a tomou como uma de suas esposas. Isto despertou a ira da primeira-esposa, Tassouma Beretê (ou Sassouma Beretê), a mãe do herdeiro do trono, Dankaran Touman, que temia a concorrência ao trono da descendência de Sogolon.
Como Rainha-Mãe, Sogolon desempenha importante papel na legenda de Sundjata, na formação, iniciação às tradições e orientação espiritual do filho, pois detém conhecimentos mágicos. Coube a ela ensinar-lhe o segredo das plantas que curam, a intermediar o contato dele com os espíritos ancestrais e djinns. Por causa disso, permaneceu na memória popular dos mandingas, sendo representada na estatuária em terracota, onde se pode ver em diversa peças mulheres deformadas e/ou escrofulosas com indicações de maternidade.
BIBLIOGRAFIA
BOUTTIAUX, Anne-Marie; CHYSELS, Marc. Sogolon, la scrofuleuse. L’Épopée de Soundjata passée aux rayons X. Tribal Art, Bruxelles, v. XIX:2, n. 75, p. 88-101, 2015.
NIANE, Djibril Tamsir. Sundjata ou a epopeia mandinga. São Paulo: Editora Ática, 1982.
CISSÉ, Youssouf Tata; KAMISSOKO, Wa. La grande geste du Mali: 1- des origines à la fondation de l’Empire. Paris: Karthala-Arsan, 2000.
Última atualização em: 22/01/2021
































