Rose Ziba Chibambo (1928–2016)

Rose Ziba Chibambo em uma cédula de Malawi
Fonte da imagem: Wikimedia Commons. Disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:MWK0200v.jpg Acesso em: 14 de dez. de 2020.

Ativista anticolonial em Niassalândia, no atual Malawi,  nascida na aldeia de Ephandeni. Foi peça chave na criação do Nyasaland African Congress – NAC(Congresso Nacional de Niassalândia), organização através do qual a luta pela independência do domínio colonial britânico foi travada e, eventualmente, ganha.

Chibambo teve grande envolvimento durante a luta para união da Niassalândia, Rodésia do Norte (atual Zâmbia) e Rodésia do Sul (atual Zimbábue) em Federação Central Africana –CAF. Indignada com as injustiças do sistema colonial e acreditando que o  CAF teria mais controle, aproximou-se de membros do NAC. Depois de ouvir que  politica não era coisa para mulher, encontrou-se com mulheres da cidade de Zomba para educa-las sobre questões politicas, formando depois a Liga de Mulheres de Niassalândia, associação politica que pautava problemas de mulheres.  Mudou-se com seu marido para os arredores de Blantyre, em seguida recebeu a oportunidade de estender seu ativismo em outra cidade, onde se juntou ao NAC – sendo a única membra feminina, também fundando uma liga de mulheres.

Em 1959, duas semanas depois do sistema colonial impor um estado de emergência e dois dias depois de dar à luz, foi presa por seu ativismo e levada com seu bebê para a prisão de Zomba, onde ficou presa por um ano e um mês.

Em 1964, o Malawi se tornou oficialmente independente. Rose Chibambo foi uma Ministra e continuou a servir o comitê executivo do Malawi Congress Party – MCP (Partido do Congresso do Malawi), nova denominação do NAC após a independência. As divergências dela e do marido com Hastings Kamuzu Banda, que viria a ser presidente do país, levou a que ela fosse expulsa do parlamento e do partido, sendo acusada de traição e de ameaça à segurança nacional, no evento conhecido como “Gabinete da Crise”. Ambos foram ameaçados, enviando seus quatro filhos para serem cuidados por outros membros da família, e passaram a viver exilados na Zâmbia.

Mesmo exilada, Chibambo continuou sua luta e também a ser perseguida pelo governo do Malawi. Ela só visitou o país em 1993, antes da primeira eleição multipartidária. Em 1994, retornou e fixou-se na cidade de Mzuzu, passando a se dedicar aos cuidados de sua família, a viver uma experiência religiosa, e a prestar assistência social em programas de apoio à contaminação pelo HIV-AIDS.

Por seu protagonismo, recebeu homenagens post-mortem, e sua imagem aparece na nota de 200 kwacha – a moeda circulante do país.  

BIBLIOGRAFIA

BAKER, Colin. Revolt of the ministers: the Malawi cabinet crisis, 1964-1965. Londres: I. B. Tauris, 2001.

CHIBAMBO, Rose. The truth will always speak. In: LIHAMBA, Amadeine et al. (Eds.). Women Writing Africa: the eastern region. Nova Iorque: The Feminist Press, 2007, v. 3,  p. 214-216.

GILMAN, Lisa. Rose Ziba Chibambo”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2,  p. 65-66.

SHORT, Philip. Banda. Londres; Boston: Routledge and Kegan Paul, 1974.

Última atualização em: 28/01/2021

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