Ministra de Gabinete em Serra Leoa. Nasceu na chefatura de Kaiyamba, no atual distrito de Moyamba, filha do chefe supremo Julius Cole, assim batizado por missionários metodistas. Estudou as primeiras séries na Hatford School e obteve formação para a escola de professores administrada por missionários metodistas em Wilberforce (1939).
Sua trajetória pública teve início durante o período colonial. Na década de 1940, foi admitida junto ao Ministério da Educação como professora supervisora da Província do Sul (1941), a primeira mulher local a ocupar essa posição, ficando responsável pela administração de professores das séries iniciais. Entretanto, devido a sua condição familiar, casou-se em 1946 com Bai Koblo Pathbana II, chefe de Maramapa Masimera, distrito de Port Loko, com quem teve sete filhos, e pelo qual assumiu as responsabilidades oficiais das esposas dos chefes.
Com a morte do pai (1951), ela passou a ocupar o seu lugar na corte dos chefes, mas teve dificuldade para ser reconhecida como Chefe Suprema, sendo desqualificada por ser a única mulher a ter assento entre os demais representantes tradicionais – todos homens. Obtendo partidários, Ella Koblo recorreu junto à Camara dos Comuns da Grã-Bretanha, obtendo ganho de causa.
Segundo os relatos, Ella foi uma Chefe Suprema eficaz e altamente respeitada e trabalhou arduamente para a educação e o bem-estar de seu povo. Durante seu primeiro mandato (1953-1975), muitas escolas foram abertas em Moyamba, além dela ter mandado construir uma nova ala de maternidade do hospital local, obtido eletricidade e água canalizada para a corte.
Em 1963, após a emancipação política, Ella Koblo foi eleita para o Parlamento de Serra Leoa e nomeada ministra de Estado no período de governo de Albert Margai (1964-1967), tornando-a a primeira ministra do sexo feminino na África Ocidental. Nessa condição, viajou muito representando o governo do Partido Popular de Serra Leoa em âmbito local e internacional. Foi afastada do cargo em 1975 após a ascensão do All People’s Congress – ALC (Congresso de Todos os Povos), quando foi acusada de traição e sido objeto de diversas comissões de inquérito que a levaram a prisão por quase três anos.
Gulama retornou ao cenário político em 1992, obtendo 98% dos votos para a Chefia de Kaiyamba, permanecendo no mandato até 2006, inclusive durante o período de guerra civil que atingiu Moyamba em 1995, quando escapou de um atentado dos rebeldes. É lembrada como um modelo de liderança e responsabilidade em seu país, e recebeu diversas menções honrosas e prêmios por sua carreira pública.
BIBLIOGRAFIA
LUCAN, Talabi Aisie. The life and times of Paramount Chief Madam Ella Koblo Gulama. Freetown: SLAWI, 2003.
OJUKUTU-MACAULEY, Sylvia. “Ella Koblo Gulama”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 2, p. 517-518.
WILSON, J. Women paramount chiefs in national politics: Madam Ella Koblo-Gulama of Kaiyamba chiefdom, a case study. Thesis, University of Sierra Leone, Freetown, 1981.
Última atualização em: 22/01/2021
































