Ana Afonso de Leão (1625-1710?)

Esposa do rei de Loango
Fonte da imagem: Wikimedia Commons. Disponível em: https://fr.m.wikipedia.org/wiki/Fichier:Costumes_de_Differents_Pays,_%27Femme_de_la_Suite_du_Roy_de_Loango%27_LACMA_M.83.190.311.jpg. Acesso em: 09 de jan. de 2021.

Princesa e rainha congolesa com influente atuação na segunda metade o século XVII nas atuais República Popular de Angola e República Democrática do Congo. Era irmã do rei Garcia II (+ 1661), de onde o título de princesa, e esposa de Afonso II, que governou temporariamente o Congo, o que lhe conferiu o título de rainha. Pertencia à facção ou linhagem real (makanda)  de Kinlaza, que no período das guerras civis disputou o controle do Congo com a linhagem de Kimpanzu.

Após a derrota congolesa frente aos portugueses na Batalha de Mbuila (1665), na qual Antônio I morreu em combate, Afonso II autoproclamou-se manicongo (rei do Congo) e assumiu a posição real. Cerca de um mês depois ele foi forçado a abandonar a cidade palatina de São Salvador (Mbanza Kongo), refugiando-se com Ana Afonso de Leão em Ambriz, onde viveram até 1669 – data em que morreu. Sua consorte real daria continuidade ao governo, tendo autoridade direta sobre as regiões de Nkondo, Mbamba e Mpemba, porém sem nunca ter conseguido recuperar a capital.

A influência política de Ana de Leão confirma o poder da elite feminina do Congo desde o princípio do século XVI. Indo além de outras consortes reais ou parentes de alta linhagem, cuja atuação ocorria de modo indireto, por influência pessoal, ou nos bastidores. Ela assumiu o título de Mwene Nlaza, tornando-se oficialmente chefe de linhagem e governanta reconhecida.

Estabelecendo a sua base de governo nas proximidades do rio Mbidizi, e depois em Mbanza Nkondo, ela  fez oposição ao manicongo Rafael I (+ 1673), que havia se aliado aos portugueses para garantir sua posição no trono. Ela apoiou as pretensões do manicongo João II, em 1691, resistiu vitoriosamente aos ataque do manicongo Manuel I e em 1696 teve destacada atuação diplomática que garantiu a ascensão de Pedro IV como soberano. Esteve entre as lideranças que assinaram o tratado de paz no Monte Kibangu, em 1700, que lançou as bases para a reunificação do reino.

Paralelamente aos eventos públicos de que participou, a “Rainha-Velha”, como ficou conhecida, gozava de boa reputação como cristã católica devota junto aos frades capuchinhos que atuavam no reino, e algumas informações sugerem que no fim da vida ela tenha adotada o hábito religioso de freira. A data exata e as circunstâncias de sua morte são desconhecidas. Ao que parece, o falecimento teria ocorrido antes da década de 1710.

BIBLIOGRAFIA

CAMPOS, Fernando. O rei D. Pedro IV Ne Nsamu a Mbemba e a unidade do Congo. África: Revista do Centro de Estudos Africanos, v. 18-19, n. 1, p. 159-199, 1995/1996.

THORTON, John K. Elite women in the Kingdom of Kongo: historical perspectives on women’s political power. The Journal of African History, v. 47, n. 3, p. 437-460,  2006. 

Última atualização em: 28/01/2021

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