Também conhecida pelo apelido de Zezinha Chantre, nasceu em 1942 na Ilha de Santo Antão, na atual República de Cabo Verde. Na infância, estudou ao Liceu nacional Gil Eanes de Mindelo, durante o período de dominação portuguesa. No início os anos 1960, conseguiu uma bolsa de estudos do governo português para seguir um curso de Consultor Técnico de Serviço Social no Internato São Vicente de Paula, em Lisboa.
A seguir viveu um tempo em Cabo Verde e em 1963 viveu temporariamente em Luanda, Angola, na casa de um tio, quando atuou como Assistente Social por quatro anos junto ao Serviço Social de Luanda, antes de regressar ao Portugal para seguir um novo curso na Escola Superior do Serviço Social.
De volta à Lisboa, envolveu-se junto com o companheiro, Joaquim Pereira de Carvalho (1944) – um militante da FRELIMO que estudara na Universidade Técnica de Lisboa, nas lutas pela independência das colônias africanas. Ambos passaram pela Suécia e por Argel, e quando se separaram Zezinha juntou-se aos líderes do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), em Conacri.
Depois ter seguindo uma preparação militar, Zezinha Chantre recusou a nomeação de Amílcar Cabral para dar aulas, integrando-se ao secretariado pessoal do líder máximo da luta de libertação, tornando-se responsável pelo jornal Actualités, órgão de comunicação do PAIGC, que tinha por objetivo a difusão da luta armada e a divulgação das ações do partido junto às comunidades. Em 1973 representou o PAIGC em Argel, viveu durante algum tempo na Guiné e em 1980 deixou este país para residir definitivamente na República de Cabo Verde.
Josefina Chantre foi uma das fundadoras da Organização das Mulheres de Cabo Verde – dedicando-se a iniciativas pela promoção social e econômica das mulheres e à luta pela igualdade de direitos. Teve forte atuação junto à Rede de Mulheres Parlamentares Cabo-Verdianas (RMP-CV) e preside a Renascença Africana – Associação das Mulheres da África Ocidental – RAMOA-CV.
Sugestão da biografia e redação inicial : Ferhat Méchouèk
BIBLIOGRAFIA
CHANTRE, Josefina.”Penso que sou uma guerreira, uma mulher que viveu o seu tempo” (Entrevista). In: Santiago magazine, 2018. Disponível em: http://santiagomagazine.cv/entrevista/penso-que-sou-uma-guerreira-uma-mulher-que-viveu-o-seu-tempo
CHANTRE, Josefina.O contributo das mulheres para a independência (Entrevista). In: Nós genti Cabo Verde, n. 4, 2012, pp. 180-187. Disponível em: https://nosgenti.com/josefina-chantre-o-contributo-das-mulheres-para-a-independencia/
DJALÓ, Tcherno, Lições e legitimidade dos conflitos políticos na Guiné-Bissau. Soronda: Revista de Estudos Guineenses, nova série, n. 2, 2012.
MÉCHOUÈK, Ferhat. Annuaire prosopographique. In: IDEM. Socio-anthropologie des élites au pouvoir en Guinée-Bissau, de l’ère coloniale au système néo-patrimonial (1466-2019): l’impossible “classe dirigeante” ?. Thèse de doctorat (Université de Lille), Lille, 2020, pp. 367-368.
ROSEMARY, Galli; JONES, Jocelyn. Guinea-Bissau: Politics, economics and society. London: Lynne Rienner, 1987, pp. 96-97.
Última atualização em: 03/06/2021
































