Conhecida como Madam (Senhora) Alimotu Pelewura, foi uma influente negociante e líder política de vertente nacionalista na Nigéria durante o período colonial. Nascida no povo Awori, maior grupo étnico do sudoeste Nigéria, na região de Lagos, era de fé muçulmana. Sua mãe foi uma negociante muito respeitada no mercado de Lagos e pouco se sabe sobre seu pai. Ela se casou mas logo o marido faleceu, e não teve filhos. Não teve educação formal, sendo analfabeta, situação muito comum entre as mulheres que negociavam no mercado.
Começou a atuar como comerciante de peixes no mercado Ereko, em Lagos, no ano de 1900, em continuidade ao trabalho de sua mãe. Na década de 1920 tornou-se a liderança feminina mais importante do mercado de Lagos, sendo reconhecida inclusive pelo Eshugbayi, governante nativo (Oba) de Lagos. Passou a ser qualificada como iyàl’ojà, a “mãe do mercado”, uma posição política feminina muito respeitada em toda a Nigéria.
Em 1923 o líder nacionalista Herbert Macaulay procurou Alimotu pedindo que ela apoiasse o novo partido em construção: Nigerian Nacional Democratic Party – NNDP. Logo após, ela ajudou a organizar o Lago’s Market Women’s Association – LMWA(Associação das Mulheres do Mercado de Lagos), além de tornar-se parte do Ilu comittee, o conselho consultivo do Oba, sendo a representante de 84 mulheres de 16 mercados diferentes.
Entre 1930 e 1951 o LMWA foi protagonista de diversas movimentações anticoloniais em conjunto com os nacionalistas. Ela era uma liderança poderosa e influente, sendo ouvida tanto por mulheres quanto por homens. Sob sua liderança as mulheres organizaram protestos e passeatas, o que desagradou o governo colonial, pois as mulheres eram responsáveis por importantes setores da economia: controlavam o abastecimento de comida, de bens domésticos, a localização dos mercados e produtos de cuidados pessoais. Sob seu comando as negociantes participaram de uma marcha contra a taxação dos produtos, e de uma greve contra o controle de preços pelas autoridades coloniais.
Em 1947 ela foi escolhida como Erelu de Lagos, tornando-se representante dos interesses femininos perante o Obá. No mesmo ano foi convidada a fazer parte de uma delegação de militantes nacionalistas que foi até Londres reivindicar a Independência. Pela idade avançada ela não pode ir e Funmilayo Ransome-Kuti foi no seu lugar. Dezenas de milhares de pessoas compareceram em seu funeral e realizaram uma passeata pelas ruas de Lagos.
BIBLIOGRAFIA
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Última atualização em: 22/01/2021
































