Siti Binti Saadi (1880–1955)

Siti Binti Saadi
Fonte da imagem: Mkuki na Nyota Publishers. 01 de set. de 2020. Facebook: @MkukinaNyota. Disponível em: https://www.facebook.com/MkukinaNyota/photos/a.619099371477717/3155542861166676. Acesso em: 28 de dez. de 2020.

Cantora tanzaniana, filha de agricultores pobres de Zanzibar. Batizada como Mtumwa, termo que em suaíle significa “escravo”, nasceu em um período em que cerca de três quartos da população de Zanzibar era comercializada pelos mercadores árabes e afro-muçulmanos.  

A popularidade local e regional de Siti ocorreu não apenas por causa de sua voz e da música, mas também do fato de ter se tornado um ícone para pessoas de origem pobre e servil “sobreviverem” no início do século XX após a abolição da escravidão. Siti foi vocalista feminina em uma banda que se tornou a primeira da África Oriental a gravar e produzir um disco de gramofone. Considerada por muitos como a mãe da música contemporânea taarab, ela popularizou o canto da poesia kiswahili com acompanhamento de instrumentos musicais originários da Arábia.

 Adulta, começou a estudar o Alcorão, aplicando seus talentos como vocalista na recitação. Na década de 1910, ela era uma das mais procuradas intérpretes de leituras corânicas para casamentos e outras ocasiões em Zanzibar. No decorrer de uma de suas recitações, um destacado membro da sociedade de Zanzibar ficou tão emocionado pela recitação do Livro por Mtumwa, que lhe conferiu o título de “Siti”, que significa Senhora, que a partir daquele momento passou a ser parte e seu nome.

Em 1928 ela viajou de Zanzibar com sua banda para Bombaim, Índia, onde gravou centenas de músicas. Essas gravações venderam quase 72 mil cópias de discos nos três anos seguintes, espalhando o nome de Siti e a fama do taarab por toda a África Oriental, Oceano Índico e Arábia.

Por seu sucesso como artista, Siti tornou-se uma das mulheres mais influentes e respeitadas na África Oriental do início do século XX. Muitas de suas canções abordam questões de desigualdade econômica, discriminação de gênero e o chauvinismo das autoridades coloniais britânicas.

BIBLIOGRAFIA

FAIR, Laura. Pastimes and politics: culture, community and identity in post-abolition urban Zanzibar, 1890-1945. Athens: Ohio University Press, 2001.

FAIR, Laura. “Siti Binti Saadi”. In: AKYEAMPONG, Emmanuel K.; GATES JR., Henry Louis (dir). Dictionary of African Biography. Oxford University Press, 2012, v. 5, p. 403-404.

SHAABAH, Robert. Wasifu wa Siti binti Saad. Dar es-Salaam: Mkuki na Nyota, 1991.

Última atualização em: 22/01/2021

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