Fugindo de padrões: um mini-ensaio do respeito à diferença

Texto originialmente publicado no Linkedin sob outro título.

Tenho sido recentemente convidada por pessoas queridas para escrever e falar sobre diversidade de forma geral. Embora possivelmente partindo de “vícios” do texto acadêmico – ora positivos, ora complicadores – novamente aqui terei o exercício de criar uma proximidade menos formal que a acadêmica, mas não tão íntima como na poesia, quando me permito seguir outro tipo de viagem por outras bandas e outras redes.

De antemão suponho que o fato de tais convites terem aparecido não me tornam, de forma alguma, a pessoa mais indicada ou “infalível” no que tange ao tema, mas sim, o que mais me motiva é o exercício da empatia (que por vezes confesso que me traz um elevado nível de sofrimento existencial) e, sobretudo, a vontade de me fazer sensível ao diferente e ao aprender. Começo, assim, ratificando minha imperfeição e meu direito à diferença existencial, que também se manifestam nisto! Eu ainda erro, me desculpo, e lá vamos de novo…

O ensinar não é exclusividade da pessoa docente, tampouco o aprender é exercício privativo de quem estuda – afinal, quem deveria estudar mesmo? Não deveríamos todos nós fazê-lo? Penso que alguns dos nossos problemas no que se refere a diversidade e inclusão começam mesmo por aí: a rotulagem. No universo organizacional, em termos genéricos, temos uma ânsia por normatização (útil em certa medida) e, por uma infinidade de motivos, de etiquetagem, de rotulagem, até acabarmos, por diferentes motivos, em preconceitos:

– “a empresa deve funcionar assim”;

– “ela não escuta bem, logo, é deficiente, não podemos contar com ela para nada”;

– “aquele autista é complicado”;

– “aquela ‘bixa’ afeminada ‘tá’ querendo lacrar;

– “ele se acha um geniozinho, aquele arrogante, só porque faz tudo mais rápido”;

– “olha lá a ‘véia’, ela tá quase se aposentando e fica ‘inventando moda’ aqui na firma, devia ficar em casa fazendo crochê”;

– “aquela ‘guriazinha’ é a professora? Sério?”

– “só porque é negro fica vendo preconceito em tudo”

-“reclamando da ergonomia? Tinha que ser essa gorda que não pára de comer”

– “lá vem o batuqueiro”

E por aí vai…e sim, lutar contra os preconceitos que manifestamos (conscientemente ou não) é um exercício tão diário quanto os hábitos de higiene (que, sim, estou pressupondo que o sejam diários por aí onde sou lida, e mesmo nisso também estou tendo uma ideia pré-concebida, hehe – e logo irá alguém pensar, “a professora insinuou que não escovo os dentes!” e me enviar mensagem inbox pedindo satisfações!). Mas, percebe como é complicado? Mesmo sem querer erramos: em atos, em linguagem, e normalmente primeiro em pensamentos. No geral nossas mentes procuram padrões, e do pouco que ainda entendo disso suponho que haja sofrimento ao não encontrá-los…não lidamos bem com o diferente de forma geral: o diferente do padrão, o diferente de nós mesmos.

Mas, comentando sobre algo que vem na perspectiva contrária a padrões: eu tenho tripofobia. Você já ouviu falar? Não é formalmente reconhecida como transtorno, até onde sei, mas tenho pavor de padrões em algumas imagens como, por exemplo, de flor de lótus, colmeias e celulares com multi-câmeras. Na verdade, eu preciso justamente procurar a diferença para me acalmar.

Eu posso conversar com você por uma hora e seguir um raciocínio, e ser extremamente metódica em meus processos de trabalho, mas tenho várias ideias ao mesmo tempo, e as mais legais acabam surgindo dessas conversas multifocais que às vezes consigo estabelecer, ou da leitura de vários livros ao mesmo tempo. Falei um pouquinho disso para você pensar que, sim, nem sempre padrões são úteis em nossas vidas. E agora mesmo, estou tentando usar tripofobia para falar de empatia (e eu juro que não era minha intenção fazer poesia!).

Estou lhe convidando, e mesmo novamente convidando a mim mesma, a sermos um pouco “tripofóbicos” intencionalmente, por assim dizer: aprendermos a olhar a diferença de cada pessoa (sim, você com certeza também tem uma diferença para chamar de sua!) com carinho e curiosidade respeitosa, e não tentarmos enquadrá-la ou encaixá-la de forma normativa. Antecipo a quem possa perguntar: isto não será aprendido nas cadeiras da faculdade, nem nas palestras de consultorias, mas sim na reflexão diária, individual e coletiva, e para a vida inteira, sobre os próprios valores e os próprios vieses: lendo mais, lendo de tudo; aproximando-se de Psicologia, Filosofia e Ética; consumindo conteúdos construtivos e criativos; enfim, conversando com pessoas diferentes. E querendo, principalmente, amar o ser humano! “Amar”? Não, não estou sendo piegas.

Um dos projetos mais maravilhosos em que tenho atuado na extensão universitária, o HR Trans, é minha emoção diária, pois me permite estabelecer vínculos não de “servidão” ou qualquer pretensão de verdade absoluta, mas de parceria e aprendizado, onde temos – todes – confirmado o quanto a diferença tem valor na construção de cada identidade humana, que precisa ser empoderada e valorizada no âmbito da existência: experimente conhecer pessoas transgênero, inclusive aquelas agênero e não-bináries, e descobrir aí no meio pessoas negras, gordas, com deficiência e – o que particularmente foi um presente para mim – algumas com atenção totalmente fora de foco, altas habilidades e talentos fora do comum.

Mesmo na diferença entre pessoas, há tantas solidões e opressões comuns, e tantas conversas te levam a questionar sobre a própria diferença dentro da diferença, de espectros, de mundos, para além de 0 e 1, “on” e “off”, gremistas e colorados…

Se nós temos mais que dois neurônios (brincadeira à parte), por que permanece a insistência em se ver a vida tão somente sob duas perspectivas excludentes, deixando de aprender com uma diferença nova a cada dia? Vamos ser (mais) humanes, porque as máquinas também estão “tomando conta”, e daqui mais um tempo vamos ter que lidar com as diversidades delas junto com as nossas. Diferenças são características – não defeitos. Não há o que consertar, o que clarear, o que minimizar, o que esconder.

Então, por fim (preconceito sobre mim: sou prolixa): não se sinta pessoa diminuída, nem pense que “diferença” é “mimimi”: eu, mulher cis, hétero, branca, classe média alta, acadêmica, que aparentemente “não entendia nada do riscado”, conheço as minhas diferenças (neuroatípica na superdotação, na sinestesia e no pavor a colmeias) e meus privilégios, e isso não me impediu de ser sensível a aprender (a todo momento) com a diferença alheia.

Você tem as suas diferenças também. Valorize-as e não as negue. Conheça as diferenças alheias, mas não somente como quem observa passivamente, mas como quem respeita e tenta agir promovendo meios para que outras pessoas também respeitem toda e qualquer diferença. Faz parte da nossa humanidade, do próprio errar e aceitar. E crescer. Até chegar o ponto de nos incomodarmos com as flores de lótus dos nossos próprios universos preconcebidos.

*Christine da Silva-Schröeder é professora e pesquisadora em Gestão de Pessoas e Relações de Trabalho da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Gerenciando incertezas – Relato Ex Aluna Gabriela Clasen

Na minha primeira entrevista de emprego da vida, para uma bolsa de iniciação científica a qual eu tive o prazer de participar por dois anos e meio, fui questionada sobre qual ramo da Administração eu gostaria de seguir. Estava no primeiro semestre, recém chegada na EA, e pouco sabia sobre qualquer um dos possíveis caminhos a percorrer dentro da ADM. Respondi “Finanças” e “Gestão de Pessoas”, e o grupo de pesquisa não era nem de um, nem de outro, mas a beleza do curso de Administração é isso: a infinidade de possibilidades a serem experimentadas ao longo do curso.

Em 2017 surgiu a primeira oportunidade de estágio em banco, na área Comercial, e, pra quem cresceu ouvindo que passar em concurso pra trabalhar em banco era a segurança de um futuro garantido, pois bem, lá estava eu, mesmo sabendo que esse mercado ainda é um lugar dominado por homens. Acabei com algumas desilusões, até porque, tal qual o curso de Administração, os bancos também possuem inúmeros departamentos e áreas diferentes para achar algo que ame – e o Comercial não era pra mim. Em 2018 surgiu a segunda oportunidade de estágio, a qual eu me inscrevi sem nem conhecer a empresa, mas muito impulsionada pelos benefícios e pelo nível de exigência do processo seletivo. Pensava, inclusive, que era uma empresa de TI, porém, no momento de pesquisar sobre a empresa para a entrevista, lá estava eu metida em bancos novamente. Deu tudo certo, e optei por entrar em uma área que aparentava envolver as aulas de Microeconomia que eu tanto amava: Crédito.

O primeiro grande diferencial foi o fato de estar em uma multinacional: usar o inglês em absolutamente tudo. Senti, de fato, o privilégio de poder ter investido em um bom curso. Iniciei minutando os Comitês de Crédito, estagiária, mulher, numa sala de reunião com as pessoas que possuem as maiores alçadas decisórias para discutir os casos mais robustos de análise de crédito – o que, pra mim, mais era uma aula do que uma tarefa. Coisas como “política de crédito”, “política de risco”, “Cs do Crédito”, “fluxo de caixa”, “índice de liquidez e solvência”, e tantas outras coisas que nas aulas parecia uma mera burocracia, acabavam tomando forma, e sendo vistas como base de tomada de decisão para liberação de recursos à pessoas e empresas.

Um ano depois me tornava analista e, no ano seguinte (2019) veio a proposta de me mudar para a “Meca” do mercado financeiro no Brasil: São Paulo, coincidentemente um mês antes da minha formatura em ADM. A dinamicidade desse mercado é algo que me impressiona até hoje, quando paro para refletir sobre carreiras. Trabalhar com análise de crédito no mercado brasileiro significa lidar com incertezas o tempo todo, e precisar explorar cenários que envolvem essas incertezas. Retomando o conteúdo das aulas de Micro I, é preciso levar em conta que o fato de alguém ou alguma empresa ter capacidade financeira hoje não significa que ela terá daqui a 2, 3, 4 anos, e que, por vezes, caráter é ainda mais relevante que capacidade.

Se eu pudesse dar alguns conselhos para quem tem interesse em Finanças, é o de estar pronto. Procurar mentores. Não ter medo de buscar algo que você ame, mesmo que isso signifique entrar em um mercado que parece que todos são gênios, ferozes, workaholics, ou alguma outra versão retratada no filme O Lobo de Wall Street. Como mencionado do início, o curso de Administração abre portas para inúmeras oportunidades – basta estarmos prontos. Com tantos caminhos, corremos o risco da analogia do cirurgião geral: conhecer um pouco de tudo, mas não ser especialista em nenhum campo. O autoconhecimento e a experimentação nessas horas é chave: conhecer esses caminhos, saber quais você gosta, quais não gosta.

Se há muitas dúvidas, aproveitar o curso para estagiar em áreas em que há dúvidas. Saber separar quando a desilusão em um estágio é com um empregador, com a empresa, ou com o ramo, como um todo. E quando, enfim, tiver bem claro o que quer, foco total! Estou em São Paulo (no momento, em Porto Alegre, por conta da pandemia) já há mais de um ano. Eu acordo todos os dias com aquele friozinho na barriga dos desafios que eu irei enfrentar no dia – e sei que, o dia que eu não tiver mais esse friozinho, algo estará errado.

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Gabriela Clasen

Linkedin

Analista de Crédito Pl at DLL

Visão do Professor – “a constante interação entre o mundo da ciência e o mundo das artes”. (por Claúdia Simone Antonello).

No contexto presente, pleno de informações e interpretações que se mesclam, se sobrepõe e às vezes se contradizem, há de se perguntar sobre as possibilidades que os indivíduos têm de se orientarem, que modos de viver e de existência escolher… Cada um de nós pode sentir, em maior ou menor intensidade, a urgência de atribuir sentidos as coisas, situações, sob pena de sermos sufocados por informações, tecnologias, aplicativos, imagens, textos e sons que permeiam e constituem a realidade.

Nesse cenário, surgiram as inevitáveis biografias no estilo autoajuda, contando a história de

celebridades, de executivos bem-sucedidos e vários livros ensinando onde estaria o pote de ouro do final do arco-íris. Pois bem, não tenho a fórmula para encontrar o pote de ouro, infelizmente, mas gostaria de trazer para pauta um livro.

Há certo tempo li a história do livro “Os inovadores”, de Walter Isaacson (Companhia das Letras, 2014). Neste livro, em particular, o que encontrei foi uma coleção de biografias encadeadas e unidas por um fio condutor: a inovação nas tecnologias que sustentam a ciência da computação a partir da criação colaborativa.

Os Inovadores não se trata de um livro direcionado somente para quem estuda, pesquisa ou se interessa por computadores, inovação e internet; trata-se de um livro para quem deseja compreender mais sobre os processos de criatividade, sobre trabalho em grupo, a criação coletiva e, principalmente, para entender para onde estamos indo, entender o contexto tecnológico do mundo em que vivemos e as repercussões na sociedade e em nossos modos de viver e de existência.

Trata-se de “uma biografia da revolução digital”, onde o protagonista não é alguém, mas o trabalho colaborativo de pessoas que, ainda que por motivos e em circunstâncias diferentes, vislumbraram com décadas de antecedência o mundo em que vivemos hoje.

O ponto de partida da história não é o que a maioria das pessoas costuma imaginar: o de que a história da ciência da computação começa em algum momento das primeiras décadas do século XX. 

O livro inicia a sua jornada cem anos antes, no início do século XIX, com Lord Byron e sua filha, Ada, condessa de Lovelace, que foi contemporânea e parceira intelectual de Charles Babbage. Primeiro destaque do livro o papel das mulheres na inovação. Isaacson voltou no tempo para contar as várias biografias que permitiram o ambiente digital que habitamos hoje, tecendo uma narrativa que conecta arte e ciência. Ada Lovelace é figura central da história toda, pelo que ela representa do espírito da coisa: “a constante interação entre o mundo da ciência e o mundo das artes”. Para o ator, e eu também concordo, as inovações e os avanços ocorrem, sempre, na esquina entre as avenidas da Ciência e das Humanidades.

Este livro apresenta um retrato da capacidade humana de inovar, da importância de não apenas assimilarmos conhecimento, mas termos a disposição para questioná-lo, sermos imaginativos e pensarmos diferente. Além de reforçar que trabalho coletivo é importante, a narrativa do livro não deixa de destacar que personalidades geniais permitem uma ruptura no status quo. Ficam evidentes características similares nos personagens tais como a harmonia entre personalidades analíticas e as mais vinculadas à arte, uma simbiose que supre as lacunas inerentes a todos nós e viabiliza grandes ideias, transformações e negócios; e a importância da miscigenação que engloba diferentes aspectos tais como a formação, os incentivos que recebemos na infância, localização geográfica, timing e alguns outros aspectos que, isolados, parecem não dizer muito, mas são essenciais à inovação, e mais do que isso aos modos de viver. Fez-me lembrar da frase: “A diversidade dos modos de vida humanos é uma diversidade dos modos de nos relacionarmos com a

vida em geral, e com as inumeráveis formas singulares de vida que ocupam (informam) todos os nichos possíveis do mundo que conhecemos 1 ”.

Inspirada neste livro que trata da inovação, arte e o protagonismo coletivo e em algumas questões levantadas na 31ª Bienal de São Paulo Como pensar sobre coisas que não existem; Como imaginar coisas que não existem; Como falar de coisas que não existem; que podem parecer, à primeira vista, bastante abstratas. Mas por outro lado me levam a refletir sobre um dilema contemporâneo: como viver em um mundo em transformação permanente, onde as ditas “velhas” formas – de trabalho, de pensar, de comportamento, de conhecimento, de arte – já não cabem mais ….. E como lidar com as ditas “novas” formas que ainda não estão claramente delineadas?

Pesquiso e leciono sobre os Modos de Saber e Aprender nas organizações. E aprendi com isto, e também com minhas vivências, meus alunos e orientandos. O ser humano como pessoa em relação, ser singular, não pode existir sem a presença do outro. O indivíduo-com-os-outros tem consciência do seu papel, que o resguarda de alguns dos efeitos mortais da uniformização. Então, é possível ser singular no coletivo.

Policio-me para ser uma professora crítica e reflexiva acerca de minhas práticas, sobre meu modo de existência. E creio que o desenvolvimento do senso crítico poderá ocorrer em diferentes contextos e situações. A vida exige conhecimento; mas também exige consciência dos sentimentos e energia constantes. Habitualmente digo: “Ouçam primeiro, antes de agir, mas não se esqueçam de ouvir fora e dentro de si, ou seja, não duvidem da sabedoria que já existe dentro de vocês.” A capacidade de ver o outro, de entender o diferente e superar o narcisismo das pequenas diferenças. Ter a percepção de que nem sempre vemos as coisas como elas são, mas como nós somos. Ou onde estamos. Ou o que queremos. Espera-se que os administradores fomentem seres humanos melhores, cada vez que colaborarem para despertar numa pessoa a importância de perceber o trabalho com profundidade e como possibilidade de realização, além de ganha pão. 

Entendo que trabalhar de forma a realizar nossas melhores potencialidades é um direito humano universal. Assim, parece importante pensarmos um projeto educativo, quando estamos falando de desenvolvimento de pessoas nas organizações, que garanta a sobrevivência da curiosidade e do interesse pela descoberta. Isto porque acredito serem estes os dois maiores capitais, dado que talvez possam ativar o “desejo de querer saber sempre mais”, base de toda a inovação e criação. Pensando sobre desenvolver pessoas, inovar, criar e os nossos modos de viver, vejam o tamanho do atual desafio do administrador:

Sempre as perguntas: por quais pessoas responsabilizar-se? De quais incumbir-se?

Como ouvir seus sussurros? Como dar-lhes voz? Como deixar-se afetar-se? Como

forma-los preservando a singularidade de seu modo de existência? Como abri-los às

passagens e às metamorfoses? Não se trata apenas de frágeis minorias constituídas,

(….) nem de entes planetários ameaçados de extinção, também em número crescente,

ou ainda dos planos de existência descartados diariamente, mas também dos devires

minoritários de todos e de cada um: dos seres gaguejantes, dos apenas esboçados, dos

que desistiram, dos seres por vir ou dos que jamais virão à existência, dos que a

história dizimou, dos futuros soterrados no passado, daquele povo de zumbis que

antes era apenas um “fundo” e que, por vezes, como no cinema (ou na História?),

enfim invade a cena como protagonista multitudinário. 2 .

Portanto, trata-se de nossa própria existência, incompleta sempre, em estado de esboço, de obra por fazer, que cabe prolongar como se prolonga o arco virtual de uma ponte quebrada ou em construção.

Espaços e iniciativas como o EA Alumni são terreno fértil para criação colaborativa e a busca de modos de viver e existência possíveis.

Por dentro do varejo de moda – Relato Ex Aluna Débora Saffer

Sempre tive um interesse muito forte pela moda: acompanhava desfiles, lia revistas e blogs na adolescência e adorava ficar pesquisando tendências. Me formei em julho de 2015 e em janeiro apliquei para o processo de trainee de uma instituição do varejo de moda.  Atualmente trabalho na Lojas Renner desde então e já passei por duas áreas: fui gerente de loja por 2,5 anos e estou há 1,5 anos na área comercial do compras. Aqui aprendo a cada dia uma pouquinho do tudo que envolve entregar uma roupa para o consumidor. Uma simples camiseta  faz um longo trajeto até chegar nas mãos do cliente e cada área tem uma participação importante no processo de decisão das coleções.

Na loja, aprendi muito sobre organização e processos, gerenciamento de equipes e de orçamento e gestão de pessoas – um verdadeiro desafio. Temos que ensinar, desenvolver, motivar e dar feedbacks para todos da equipe. Aqui também desenvolvi minha capacidade de administrar conflitos e de entender conceitos de estoques, como giro e margem, essenciais para passar para minha segunda área de atuação.

Hoje, como executiva comercial, sou encarregada de acompanhar o desempenho das lojas do nordeste, norte e centro oeste dentro de uma divisão da empresa – estudo apenas o resultado do infantil meninas e bebês. A companhia fragmenta o cliente pela idade e lifestyle, para que possamos ser mais especialistas nas nossas áreas. 

Sou responsável por conectar a loja – a uma das pontas do processo – e o departamento de compras e estilo – a outra ponta. A minha rotina é divida entre essas dois lados: com as lojas busco retornos da coleção, coleta de demandas de clientes,  estudo seus estoques e necessidades, vejo oportunidades de transferências de produtos entre elas e faço eventuais visitas às praças para acompanhar o qualitativo e realizar análise da concorrência. Com o compras participo da construção das coleções e temas, cuidando para que o produto seja interessante para as regiões que acompanho e atenda às demandas do cliente e reviso a distribuição e alocações das produtos.

A junção de todos esses fatores fazem com que o produto que vai ser exposto no varal (e que você vai acabar comprando) seja cada vez mais assertivo, equilibrando desejo e necessidade a um preço acessível. Cada grande sucesso de vendas é um prazer para quem participa de todo processo.

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Débora Saffer
Linkedin

Executivo comercial na Lojas Renner S.A.
 

A geração que aprendeu a não desistir

Todo mundo que é contemporâneo a minha geração já entendeu porque é notória a frase de que o Brasil não é para amadores.

A geração que nasceu no fim dos 80 e início dos 90 chegou ao mundo carregando o compromisso inegociável com 3 conquistas que custaram tão caro a nossos pais: o controle inflacionário, como garantia mínima de estabilidade econômica; a democracia, como único regime político capaz de corrigir suas próprias imperfeições; e a liberdade de imprensa, que viria a ser exponencialmente difundida com a internet e as redes sociais.
Nossos avanços democráticos e econômicos das últimas décadas foram todos intercalados por solavancos, escândalos e crises internas e externas que tornaram essa geração de empreendedores (e executivos) experientes a viver em condições hostis.

Em períodos de crescimento e estabilidade se reduzem as incertezas. O planejamento de médio e longo prazo torna-se plausível de ser atingido, torna-se mais fácil assumir riscos e captar investimento com retornos estimados.
Por outro lado, é durante as crises que crescem os grandes profissionais, que precisam ter um compromisso apaixonado com seu trabalho para suportar a pressão do resultado de curto prazo, encontrando soluções criativas, no limite da sua capacidade, aonde o erro/acerto pode ser a diferença entre sucesso e fracasso.

Nos cargos de liderança, essa capacidade para entregar de resultados a despeito de cenários negativos é ainda mais importante. Todo empreendedor traz consigo a expectativa de um futuro melhor. Porém, os líderes dessa geração aprenderam que é preciso ter resiliência para olhar para o presente, segurança emocional para ter atitudes inteligentes e uma capacidade diária de engajar e compartilhar essa energia positiva com as pessoas que precisam de uma referência para acreditar.

Líder bate meta, com sua equipe, fazendo o que é certo. Se uma empresa é feita de pessoas, está nelas seu recurso mais valioso. A liderança, nestes momentos difíceis, é ainda mais observada em suas atitudes e suas decisões. Por isso, é necessário ter valores bem fundamentados, capacidade de reconhecer e também saber cobrar com justiça. Navegar em mares turbulentos é uma arte que requer excelente tripulação, um capitão (ou capitã) que não deixe o barco a deriva e os conduza a mares mais tranquilos depois da tempestade.
Certamente essa não é a última crise que vamos passar, mas o melhor do Brasil é o brasileiro que quer trabalhar e produzir.

Henrique Pedroni Palhares, formado pela Escola de Administração em 2010, hoje responsável pela área comercial e trade marketing das lojas AM/Pm dos Postos Ipiranga

Resumo da 3ª Live Contra a Crise

LIVE EA ALUMNI CONTRA A CRISE – 19/04/2020

CÁSSIO BOBSIN

Formado em ciências da computação pela UFRGS, com pós graduação na Escola de Administração da UFRGS, ESPM, Stanford e recentemente OPM de Harvard. O Cássio é um empreendedor, que já fundou várias empresas, entre elas a WOW Aceleradora e a Zenvia, na qual atualmente é o CEO, além de investidor, mentor, chairman, conselheiro e palestrante.

Cássio Começou com 18 a empreender. Enquanto estudava na graduação já estava empreendendo. A própria Zenvia se desenvolveu enquanto fazia o PPGA.

Para ele, é importante ter uma ideia e o ímpeto empreendedor, porém o estudo e a base ajudam a estruturar a execução e fazer dar certo. São conhecimentos complementares. Além disso, aprender como os outros fizeram ajuda a errar menos (e desperdiçar menos recursos consequentemente).

O que foi feito na Zenvia?

Durante a crise do coronavírus, tiveram a preocupação na Zenvia de ir para o home office e garantir que a equipe estivesse bem. Além disso, buscaram garantir que fosse um porto seguro para as pessoas. Aderiram ao movimento “Não demita” e enviaram os computadores e cadeiras para as casas dos funcionários. Além disso, estão fazendo aula de yoga online para os funcionários relaxarem.

Qual o papel do líder empresário para uma comunidade e para a sua região?

É uma oportunidade única, onde você consegue diferenciar quem “senta e reclama” de quem “arregaça as mangas, vai e faz”. É um momento único para os líderes fazerem a diferença nos negócios e na vida das pessoas. Na Zenvia estão fazendo uma série de iniciativas de impacto social: disponibilizaram um chatbot para tirar dúvidas sobre o Covid-19, estão ajudando as autoridades públicas a direcionar e orientar a população, direcionando ou não ao serviço de saúde, e identificando os locais de foco comunitário.

“Você não irá conseguir criar uma estrutura e autonomia nas pessoas de uma hora para a outra. Depende da cultura da empresa.”

Quem tem filhos em casa é mais difícil. Na Zenvia estão bem tolerantes quanto a isso. Devido à crise, transformaram a confraternização mensal de resultados enviando alguns petiscos e bebidas para os funcionários em suas casas, para não perder a experiência de confraternização.

“Todo o jogo precisa ser como um final! Precisa levar a sério e entrar para vencer sempre!”

Adoção de canais digitais deu uma aceleração gigantesca nos últimos dias. No geral, as indústrias têm seguido com algumas restrições, porém quem mais foi afetado foram os serviços e comércio. As últimas semanas foram muito difíceis para vários segmentos, mas a recuperação e adaptação tem sido bem rápida. O pequeno negócio está precisando se adaptar rapidamente, mas estão dando o seu jeito. É incrível como os pequenos negócios conseguem ser criativos nesse momento.

Nesse momento é possível observar quem é empreendedor por necessidade e quem é por oportunidade.

O que esse momento pode servir de expiração?

Existe um engajamento de pessoas que estão voltadas e se conectando para fazer algo maior. É um momento único de surgir um movimento de pessoas que querem transformar para o bem.

As empresas do RS estavam preparadas para esse momento?

Existem as empresas tradicionais (mais conservadoras), mas existe uma outra onde de empresas mais inovadoras, que fazem uma adaptação mais rápida. Para quem estava preparado para a transformação digital será uma grande oportunidade, para quem não estava pode ser mais difícil, e até poderão não sobreviver.

Agora todo mundo está virando consumidor digital. O que a gente tem é um grande volume de novos entrantes em todos os segmentos com canais digitais. Após essa transformação, a forma como as empresas e clientes usarão a tecnologia será diferente. Muitos clientes e empresas passaram a conhecer o uso de ferramentas online, e não voltarão 100% ao que era antes, o que é muito bom.

“Uma vez que você ganha conhecimento, nunca mais ninguém tira de você”.

O que será esse novo normal? Como serão as coisas após a volta?

As UTI’s de outras doenças estão vazias. Várias outras doenças estão caindo.

As pessoas aprenderam sobre algo melhor, e não irão querer voltar ao que era antes. Haverá um novo normal.

As empresas tem muito a aprender com as startups, mas a transição é muito difícil. Em primeiro lugar, precisa trazer a cultura de agilidade na execução e tomada de decisão. Depois, o próximo passo pode ser contratar serviços de startups, que são mais ágeis e rápidas, que tem riscos, porém é possível aprender com elas. O grande problema das grandes empresas é que as estruturas organizacionais maiores se tornam mais avessas ao risco, o que impede a inovação.

Esse é um momento ímpar na história de cada pessoa. Iremos lembrar daqui a 50 anos. Temos diversas reflexões. Podemos reclamar, ou podemos escolher uma causa e impactar o mundo de alguma forma. É um momento onde fazemos escolhas e fazemos algo de útil pela sociedade. O mundo está precisando da ajuda de todos.

Costumamos esperar demais do governo, e ele tem a capacidade de dificultar ou facilitar as coisas, mas não de resolver os problemas.

“Para gerar impacto não precisa aparecer, basta fazer!”

Como entrar em contato?

Linkedin: Cassio ou Zenvia

FELIPE WALLAU

Graduado em Administração de Empresas – Empreendedorismo e Sucessão PUCRS, com MBA e Pós-MBA pela FGV, Felipe tem a sua carreira no setor financeiro, tendo passado por bancos como Banrisul e Credit Suisse no início de sua carreira, e estar há mais de 11 anos na Trust Investimentos, onde é sócio.

Foco não é transacional, mas sim em relacionamento e confiança do cliente.

O foco é mercado financeiro e captação.

Caixa ou previsibilidade de caixa está muito difícil para as empresas nos últimos dias. Empresas atualmente estão apagando incêndio. Algumas empresas que estão diversificando tendem a sobreviver melhor no longo prazo, porém a maioria não consegue ter essa dinâmica, de se reinventar. Trust está se reinventando em algum nível, fazendo home office e mantendo horários das reuniões semanais. Qualquer erro que a empresa cometa agora pode ser fatal.

Falando de captação de recursos, as empresas podem captar através de equity ou através de bancos. Para equity o momento é difícil, pois quem tem caixa está segurando para ter maior previsibilidade. Até mesmo para os acordos firmados antes de estourar a crise há uma incerteza se conseguirão cumprir. Foco financeiro agora precisa ser cortar custos e revisar contratos, além de alinhar com aqueles contatos que a empresa já possui: fornecedores e clientes.

O que existe possibilidades de captação?

Bancos tradicionais, bancos de fomentos (BNDES, Finep). O acesso a bancos de fomento pode ser direto ou através de agentes repassadores locais (BRDE, Badesul, Caixa). O foco de crédito direto do BNDES são empresas maiores, porém há linhas diretas para pequenas empresas. Vale ressaltar que agentes repassadores locais são muito interessantes.

Bancos repassadores estão liberando o recursos?

Sugestão: acompanhar lives do Gustavo Montezano, presidente do BNDES. Bancos comerciais têm uma agilidade maior, porém o custo efetivo e a taxa é maior. BNDES é uma opção pouco explorada ainda, e possui um preconceito de que só grandes empresas poderão captar, porém qualquer empresa pode acessar o BNDES.

Empresas, entretanto, não podem olhar o BNDES como a salvação, mas sim como âncora para crescer. O modelo de negócio da empresa precisa ser um negócio sólido, e BNDES servirá para ampliar. 

“Quem cria riqueza é a iniciativa privada!”

BNDES está agindo no financiamento da folha de pagamento (até 2 meses, e até 2 salários). Possui também uma linha específica para o setor de saúde nesse momento, que vale a pena empresas desse setor observarem.

Além disso, possui linha de capital de giro para empresas com faturamento até R$ 300 milhões. Não é necessário projeto para acessar essa linha. Com bancos de fomento o processo é um pouco mais longo do que um banco normal e exige uma contrapartida da empresa em um projeto. Todas as linhas com bancos de fomento possuem carência de amortização, umas maiores e outras menores.

Um dos problemas é que muitas vezes as empresas ainda não possuem um projeto, o que impede de acessar diversas linhas de fomento. O melhor caminho é a empresa já ter um projeto, para posteriormente captar recursos.

Como as empresas podem se preparar para a captação de recursos?

Empresas precisam ter uma contabilidade redonda. Se a empresa não fez o seu dever de casa contábil há uma dificuldade muito maior para a captação de recursos. Por outro lado, empresários que já fizeram contato com banco ou de M&A sabem o problema de não ter a contabilidade em dia e costumam estar mais preparados para fazer a captação. Além de ser necessário uma contabilidade para saber seus resultados, vai facilitar para a empresa acessar o capital da melhor forma.

“Uma empresa com saúde financeira e contabilidade boa sempre vai acessar melhores taxas.”

Como fazer uma aproximação com as fontes de recurso para quando precisar do recurso?

“Não adianta fazer o seguro quando o carro já foi roubado!”

Sempre é importante manter o relacionamento com as fontes de recursos. Criar a base de relacionamento com as pessoas dos bancos (funcionários de carreira, com poucas trocas) é fundamental.

Atualmente os bancos estão focando em manter os contratos com os clientes atuais, e depois irão para novos contratos. O cenário é de muita incerteza. Não sabemos quando irá passar.

Mensagem final

Empresas precisam se preparar para acessar esse capital no longo prazo. Quem precisar acessar capital de curto prazo agora, urgente, tende a fechar as portas, porque o recurso irá demorar para ser liberado. Captação de recursos é uma opção para longo prazo da empresa. É preciso conhecer as linhas e as pessoas agora, para captar no futuro.

Contato: Felipe Wallau ou Trust & Co Investimentos

Sugestão para conhecer linhas de crédito: Acesse aqui

Sobre o EA Alumni

O EA Alumni existe para potencializar a experiência dos alunos e ex-alunos, aproximando-os dos melhores que passaram pela Escola de Administração, estimulando o surgimento de novas lideranças. Fazemos isso atualmente através de 4 frentes de trabalho: Mentoria, Conteúdo, Eventos e Endowment.

Frente às dificuldades que as empresas e empresários vem sofrendo nas últimas semanas devido ao novo coronavírus, estamos organizando uma série de webinários para falar sobre soluções para enfrentar a crise causada pelo Covid-19.

Estamos fazendo lives no Instagram todos os domingos, às 20h, onde grandes especialistas formados na EA e parceiros falam sobre o assunto e como enfrentar a crise causada pelo novo coronavírus.

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Equipe EA Alumni

“Mudança em tempos de muitas mudanças”

Escrevo esse texto em meio à pior crise que já presenciei na minha vida. Eu normalmente teria receio em afirmar isso com tanta convicção no meio da crise, pois geralmente as coisas ficam mais claras à medida que as crises passam. Mas acredito que no caso da pandemia do Covid-19 ninguém vai discordar. Trago isso pois no meu caso vejo a situação com ares de ironia. Tudo que eu queria na minha vida e na minha carreira era uma mudança, mas não esse tipo que está acontecendo agora.


Quando me formei em Administração na UFRGS no início de 2011 ainda não sabia bem o que queria. Porém uma oportunidade de intercâmbio de trabalho me fez desembarcar em Nova York pela primeira vez para trabalhar uma grande firma de consultoria (PwC) como analista de bancos de dados. Passado o período do intercâmbio voltei ao Brasil, e por ter gostado da carreira, me inscrevi processo seletivo para consultor da área de estratégia dessa empresa no Brasil, no escritório de São Paulo, onde depois de algumas entrevistas fui aceito. Passados 8 anos acumulando experiências profissionais na empresa, em diferentes áreas, tendo trabalhado em escritórios dessas grandes firmas de consultoria em São Paulo, Curitiba e finalmente na minha Porto Alegre, estava estabelecido na firma, mas cada vez mais distante do que eu entendi que queria que fosse a minha carreira. Quando estava em Porto Alegre me foi oferecida uma vaga para o cargo de gerente na concorrente (EY), desafio que aceitei prontamente. Nesse momento havia então trabalhado em projetos pelo Brasil e alguns fora do país inclusive. Mas cada vez mais distante do que eu queria, sendo direcionado para áreas de maior demanda dos meus empregadores.


Só que eu não estava plenamente contente com o que eu estava fazendo. Eu estava sendo direcionado a trabalhar com algo que era uma necessidade do mercado, em projetos de análise e estratégias de risco. Mas o que eu queria fazer estava mais ligado à área de análise de dados e programação de rotinas de computador. Há anos vinha estudando a matéria por conta, mas sem aplicá-la no dia a dia. Mas sempre que pedia para trabalhar em projetos nessa área ouvia a mesma explicação para a negativa: não tens experiência.

Foi então que com o apoio da minha então namorada (nos casamos nesse meio tempo), decidimos que era um bom momento para eu realizar um plano antigo, o de “largar tudo” para ingressar em um bom mestrado no exterior na área de análise de dados para que eu finalmente pudesse direcionar o rumo da minha carreira. Assim, no fim de 2018 pedi desligamento, passei a dedicar os dias a estudar álgebra e estatística, que seriam os conhecimentos mais demandados nos testes para seleção do mestrado. Ao longo de 2019, fiz os testes, pedi apoio aos contatos que eu tinha de professores da EA (especial agradecimento aos professores Antônio Maçada e Mauro Mastella que me inscreveram ótimas cartas de recomendação que foram vitais nos meus processos de seleção) e me inscrevi nas universidades. Fui aceito por algumas universidades, podendo escolher para onde iria. Escolhi estudar na Universidade de Nova York (NYU) em função do prestígio da universidade e do currículo mais abrangente. O curso que ingressei não é apenas sobre análise de dados, mas focado na aplicação desses conceitos para resolver problemas urbanos, algo que sempre me entusiasmou.


Conhecer em outro país é uma experiência fascinante. Viver, estudar e trabalhar é uma experiência praticamente indescritível, pois em muitos aspectos você tem que reaprender a viver. Coisas do dia a dia como orientar a pessoa a cortar o seu cabelo ou fazer as compras da semana são coisas que não dá pra fazer no automático, há sempre alguma coisa a se aprender, os produtos e as medidas são diferentes, assim como algumas expressões específicas que não são ensinadas nos cursos. Porém não pensem que eu acho a experiência ruim, ou desencorajaria qualquer pessoa de realizar esse tipo de experiência, pelo contrário, se possível, eu sugiro a qualquer pessoa que queira se conhecer melhor, e expandir a mente, que o faça. No caso, a vivência em um lugar como os Estados Unidos é muito rica, e no caso de Nova York, onde moro no momento, isso é potencializado à escala mil. A cidade é uma das “esquinas do mundo”, pessoas de todos os tipos e lugares se cruzam por aqui. No caso de um mestrado em uma grande universidade aqui o normal é estar constantemente se relacionando com gente do mundo todo (entre meus 50 colegas, só a Antártida não está representada entre os continentes). Esse tipo de experiência (do dia a dia e dos colegas) se soma ao que aprendemos no curso. Perguntar para um chinês qual a visão dele a respeito da indústria tecnológica chinesa ou a um indiano sobre as diferentes culturas dentro da Índia é um curso de globalismo que vem de graça junto com o mestrado, ou seja lá qual experiência você estiver tendo.


Só que, como falei no início desse texto, vivemos a maior crise que a humanidade enfrentou nas últimas décadas, e essa situação sacudiu todo o meu planejamento, que ainda envolve tentar conseguir uma oportunidade para aplicar o meu conhecimento prático em alguma empresa ou instituição ainda aqui nos Estados Unidos, algo que é previsto para graduados em cursos de mestrado nesse país. Mas a incerteza a respeito dos rumos da economia atingiu à todos em cheio, e eu não escapei desse redemoinho.
No momento estou em casa, fazendo meu curso via internet. Não só assistindo às aulas, como trabalhando no meu projeto final, que no caso do meu curso envolve prestar consultoria para uma startup da área de planejamento urbano, onde vamos desenvolver uma solução que facilitará o processo de licenciamento ambiental de grandes projetos através da aplicação de técnicas e aprendizado de máquina para identificar quais áreas mais sensíveis desse processo. Inicialmente a ideia seria de nos reunirmos regularmente com a startup em seu escritório, fazer visitas de campo nos locais das obras, mas agora ao invés estou me acostumando a interagir com o grupo e com o cliente (chamamos a startup assim) através de ferramentas de colaboração on-line.

Para quem está pensando em investir tempo e dinheiro em um curso do tipo, eu digo que vale a pena o investimento, que não é pequeno. Se você for craque em matemática, especificamente na área de álgebra e for muito bem nos testes (GRE e GMAT) você pode conseguir uma bolsa para aliviar o custo. Mas mesmo sem bolsa, se tiver como pagar, é uma experiência que tem um ROI fantástico, em vários sentidos. O que mais me impressionou foi a estrutura das universidades por aqui. No caso da NYU, há abundância de recursos, de licenças de softwares para os estudantes, salas de estudos, bibliotecas, tutorias, grupos de estudo. Mesmo nos cursos mais difíceis, se a pessoa estiver disposta a procurar ajuda, ela vai passar com um bom rendimento.


Porém, eu gostaria de acabar esse texto de outra forma, falando da perspectiva de aplicar o meu conhecimento em organização por aqui. Mas definitivamente o que estou passando agora não era o que eu havia planejado. Acho que ninguém está vivendo um cenário planejado nesse momento. E em momentos como esse eu lembro das tardes que eu passava lendo partes de livros que eu achava interessante na biblioteca da EA, numa dessas passadas li um livro do Tom Peters (de quem virei fã e sigo no Twitter até hoje, recomendo seguirem o perfil dele) onde ele dizia: “Corra como um louco, então mude de direção!”. O que eu entendi disso é que se adaptar é tão, ou às vezes mais importante, do que planejar. Como alguém que trabalhou um tempo com gestão de risco, é claro para mim que temos que estar sempre prontos com estratégias alternativas, planos A, B, C, D…


Passamos os anos 2000 e 2010 ouvindo gurus e palestrantes falando em resiliência, adaptação, flexibilidade. Tudo isso é muito fácil de se falar na teoria. E é fácil falar para um empregado demitido que ele tem que ter resiliência, foco, fazer da desgraça uma oportunidade. Mas o que eu vejo nesse momento é gente completamente desesperada, pedindo para que todo o mundo faça algo para salvar as suas peles, a mesma gente que passou anos falando em parábolas de limão e limonada, replicando discursos enlatados de motivação para seus funcionários e outras pessoas.

Como eu falei, toda essa situação é de uma ironia perversa, para mim, para você que está lendo. Todos nós estamos enfrentando sacrifícios reais, algumas pessoas estão perdendo o que há de mais precioso, que é a companhia de pessoas queridas. Mas ainda assim não acredito que o que aprendemos com Peters e outros gurus seja completamente inválido. Temos que tentar extrair o melhor dessa situação, fazer planejamentos, estimar cenários. Nós, administradores temos essa vantagem: fomos treinados para tentar separar o emocional do racional, e escolher o melhor caminho possível. É o que eu estou tentando daqui, e espero que vocês consigam daí!

Guilherme é formado em administração pela Escola de Administração da UFRGS. Atuou por 8 anos em empresas de consultoria tendo atuado nas áreas de estratégia, tecnologia e gestão de risco. Após 3 anos como gerente de consultoria optou por se desligar do trabalho para ingressar em um mestrado na área de ciência de dados aplicados à problemas urbanos na Universidade de Nova York (NYU), nos Estados Unidos, onde tem formatura prevista para agosto de 2020.

Cash is King Again

Desde o pós-crise de 2008 o cenário de liquidez para empresas seja via crédito ou capital próprio só cresceu, e nos últimos anos acelerou-se a patamares antes impensáveis. Sem entrar no detalhe dos dados, pode-se utilizar dois argumentos inegáveis, sendo o primeiro a quantidade grande de países com taxa de juros nominal ou real negativas. E o segundo argumento é a quantidade de dinheiro investido em startups e empresas de pequeno porte, sendo que algumas delas não tem nem um plano de negócios robusto e consomem caixa em uma quantidade e velocidade nunca aceito antes pelos investidores, o exemplo mais famoso é o WeWork que praticamente saiu de um valuation de 50 bilhões de dólares para a falência, que só não ocorreu pois foi resgatado pelo seu maior acionista.


Entretanto, com o cenário do Covid-19 voltamos para o contexto de “Cash is king”, que é basicamente um mantra dentro do mundo financeiro e repetido dentro de escolas de negócio tradicionais até pouco tempo atrás. Da noite para o dia, quase todas as empresas de diversos setores passaram a pensar basicamente na sobrevivência, todos sabemos que uma empresa não quebra por falta de lucro e sim por falta de caixa.
Na gestão de caixa na crise existem algumas frentes que devem ser gerenciadas diretamente pela alta administração e podemos fazer a seguinte lista como um norte:

  • Previsão e cenários: Antes de tudo você precisa entender qual seu fluxo de caixa e quais são os possíveis cenários que a empresa consegue seguir em frente sem maiores problemas. Sugiro fazer cenários de quantos meses ou semanas a empresa aguenta ficar sem receber nada dos clientes, ou quantos meses o cenário de liquidez se mantém recebendo apenas 50% versus o cenário anterior, o ideal é ter uma matriz com vários cenários. Só tendo uma visibilidade do real risco que a empresa se encontra é que as decisões necessárias poderão ser tomadas, por mais duras que elas sejam.

 

  • Investimentos, despesas e estoques: Precisam ser revistos pela alta administração da empresa e reduzir, priorizar ou postergar tudo que não é essencialmente necessário para o momento, ninguém sabe o que vai acontecer e quanto tempo vai durar, o ideal é se preparar para o pior.

 

  • Contas a pagar: Mesmo que você tenha uma boa capacidade de pagamentos, esse é o momento de negociar extensão de prazo de pagamentos, lembre-se que a empresa está em “Survival Mode” e o cenário sempre pode piorar, as demais empresas também estão preocupadas com isso, faça a lista dos maiores fornecedores e negocie um a um. Caso a empresa esteja em uma situação muito confortável de caixa, sugiro negociar um desconto no valor se pagar antecipado, mas precisa ser um valor relevante.

 

  • Contas a receber: Monitore seus principais clientes e monte cenários de inadimplência e como você tratará os seus clientes caso ocorra, muitas empresas não estão acostumadas com um alto nível de inadimplência, Uma abordagem pró-ativa para os clientes que estão em situação preocupante ou que tem histórico ruim pode ser uma boa alternativa para receber o pagamento mesmo que seja um valor menor ou em um prazo maior. Caso você tenha vendas via cartão de crédito estude a possibilidade de antecipar caso seja necessário, ou tenha em mente qual o nível de caixa mínimo que você precisa para operar e puxar essa alavanca de adiantamento se necessário.

 

  • Empréstimos e Capital Próprio: Levante as possibilidades de empréstimos e capital próprio (de acionistas atuais ou novos acionistas) que podem ser utilizados, em uma crise todas as empresas vão procurar por isso, o quanto antes você fizer melhor e provavelmente se fizer isso enquanto estiver com uma boa saúde financeira o preço cobrado será menor e a chance de receber uma resposta negativa também será, traduzindo para uma linguagem bem simples, é mais fácil pegar dinheiro emprestado enquanto seu caixa está alto do que quando você começar a não pagar seus fornecedores. Nenhum banco quer emprestar dinheiro para quem já está devendo. Procure diversos bancos, não só aquele que você trabalha normalmente e fique atento aos anúncios dos governos pois diversas linhas estão sendo anunciadas a cada semana. Um ponto a destacar é que se essa é a primeira vez que você está discutindo com o banco sobre empréstimos é porque você cometeu um erro, a questão de financiamento é resultado do seu relacionamento com o banco e você precisa construir isso no longo prazo, por mais que o seu negócio gere caixa constantemente, é dever do administrador se planejar para cenários adversos. Você precisa reservar um tempo da sua rotina para criar esse relacionamento com o banco, demais agentes do mercado financeiro e investidores para entender quais são os diversos tipos de financiamento existentes e para que eles te conheçam e vejam que seu histórico é de sucesso.
    Essas são apenas algumas iniciativas básicas que toda empresa deveria analisar em tempos como esse. Mas de uma maneira ou de outra essa gestão já deveria estar sendo feita no dia a dia, só precisamos é fazer o ajuste para o modo crise que demanda iniciativas mais robustas e complexas. Os tempos de crescimento voltarão, entretanto não se esqueça que sim “Cash is king” e já deixe o plano de gestão de caixa na crise pronto para a próxima, pois outra certeza é que teremos outra.

Em um mundo que a informação é abundante, o mais difícil é escolher qual fonte consumir. Para tentar me manter informado tenho a seguinte rotina:


1 – Valor Econômico – Leitura diária, recomendo fortemente ser assinante, se não for possível, algumas matérias são abertas ao público.

Clique aqui para acessá-lo.

2- Bloomberg – Sempre vejo as principais manchetes pela manhã e quando tenho um tempo assisto alguns minutos pela manhã o canal dos EUA pela internet.

Clique aqui para acessá-lo.

3- Morse News – Newsletter semanal sobre Tech, Mobile e Big Data.

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4 – No Mercy, No Malice – Newsletter semanal do professor Scott Galloway sobre tecnologia e negócios (foi um dos primeiros a prever a queda do WeWork)

Clique aqui para acessá-lo.

5 – New York Times – Leio as matérias que mais me interessam algumas vezes por semana e tem ótimos colunistas como Thomas Friedman, a versão digital tem um preço bem acessível.

Clique aqui para acessá-lo.

 

– Nicholas Matte formou-se em Administração com ênfase em Finanças pela EA-UFRGS em 2010 e atualmente é Head de Planejamento Financeiro na Ambev para a unidade de negócios de Cerveja no Brasil. Tem mais de dez anos de carreira em que ocupou majoritariamente posições em finanças, mas também possui experiência em logística e vendas. Tem pós-graduação em Finanças também pela EA-UFRGS, MBA Executivo Internacional pela FIA-USP, MBA Corporativo pelo INSPER e cursos pela Babson College e Darden School of Business.

Pesquisando Inovação

Tudo começou em 2010, ano em que iniciei o curso de Administração e também, no segundo semestre, iniciei como bolsista de iniciação científica do Núcleo de Estudos em Inovação (NITEC) da EA. Assim, desde o primeiro ano da graduação, a pesquisa esteve presente na minha formação. Entrar nas empresas para entender como elas lidam com inovação e discutir com o grupo de pesquisa caminhos para fazê-las inovar mais me cativou. Dez anos depois, cá estou, ainda na pesquisa. Nesse meio tempo, escrevi, junto ao NITEC, artigos científicos, concluí o mestrado, fui a eventos acadêmicos debater inovação, fui professora, passei 6 meses fazendo parte do Doutorado na George Washington University nos Estados Unidos, e aprendi muito. Na verdade, continuo aprendendo. Como pesquisadora, tenho a constante busca por entender a dinâmica da inovação nas nossas empresas brasileiras – e isso não para nunca.


Atualmente, estou pesquisando sobre o processo de construção de capacidades de inovação. Para o desenvolvimento do estudo, estão sendo utilizados dados dos projetos “Os Caminhos da Inovação na Indústria Gaúcha” e “A Evolução das Capacidades de Inovação de Empresas Industriais”, ambos coordenados pelo NITEC/UFRGS.
O projeto “Os Caminhos da Inovação na Indústria Gaúcha” foi realizado de 2010 a 2014 e envolveu quatro universidades gaúchas: UFRGS, UNISINOS, PUCRS e UCS. O projeto recebeu apoio financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul (FAPERGS). O objetivo do projeto foi compreender a dinâmica de inovação na indústria gaúcha, com base nas capacidades de inovação (desenvolvimento, operação, gestão e transação) de mais de 1.300 empresas. Os resultados podem ser encontrados aqui (https://www.ufrgs.br/nitec/wp-content/uploads/2015/12/revista_inova.pdf).
O projeto “A Evolução das Capacidades de Inovação de Empresas Industriais” é uma nova edição do projeto “Os Caminhos da Inovação na Indústria Gaúcha” e objetiva reaplicar a pesquisa na mesma amostra de empresas disponíveis no banco de dados e avaliar a evolução de suas capacidades de inovação nos últimos anos. O projeto recebe apoio financeiro do CNPq.

A minha pesquisa se dedica justamente a comparar os resultados dos dois projetos (de 2014 e 2020) e entender como ocorre a construção de capacidades de inovação nas nossas empresas industrias. O desenvolvimento de uma série histórica, com dados consolidados, permitirá responder às seguintes questões: as empresas já encontraram suas trajetórias de inovação? Como as capacidades de inovação das empresas mudaram? Como foi o processo de construção de capacidades de inovação?
Os resultados do estudo serão importantes para que tomadores de decisão públicos e privados possam otimizar suas decisões no intuito de agregar maior valor à economia brasileira, a partir de políticas públicas ou estratégias empresariais. Esses resultados basearão a discussão da minha tese de Doutorado, além de serem divulgados em forma de artigos científicos, apresentados em eventos abertos para a comunidade e disponíveis de forma resumida nas mídias sociais do NITEC.
Espero ter mostrado um pouco mais do mundo acadêmico para vocês.

– Nathália Pufal. Formada em Administração pela Escola de Administração da UFRGS, onde também fez seu mestrado em Inovação, Tecnologia e Sustentabilidade e onde hoje faz Doutorado, na mesma área. Uma alumni que ainda está na EA/UFRGS! Trouxe um pouco sobre a pesquisa que estou desenvolvendo no Doutorado, para elucidar um pouco o caminho da vida acadêmica, para quem pensa em segui-la.

Resumo da 2ª Live Contra a Crise

Live EA Alumni Contra a Crise – 12/04/2020

Professor Guilherme Macedo

Graduado em engenharia elétrica pelo Instituto Militar de Engenharia, com mestrado e doutorado pela EA em contabilidade e finanças. Trabalhou 2 anos no BNDES, professor, pesquisador e consultor no mercado financeiro para empresas como BB , Itaú , Sicredi, Banrisul , Previ, sendo um dos seus focos volatilidade e gestão de risco.

Pesquisa risco desde que iniciou o mestrado. Quando fazia Engenharia Elétrica, estagiou no BNDES. E aí começou a entrar na lógica de financiamento das empresas e aprendeu sobre project finance

No mestrado, em 2006, estava numa época com aumento das regulações. Em 2008 ocorreu o cisne negro (crise na bolsa dos EUA).Começou a estudar como se proteger quando uma crise aparecer.

Prever um crise é muito difícil. É sempre um desafio. Nesse caso, não surgiu na economia, mas sim na área da saúde.

Cisne negro: todos cisnes eram brancos até surgir o primeiro cisne negro, que era imprevisto. É muito difícil prever um cisne negro, mas tu pode trabalhar dentro das suas fragilidades para encarar um cisne negro.

Qual a melhor estratégia em momentos de alta volatilidade?

Ter caixa sempre é bom para gestão de portfólio em momentos de crise, é uma tendência que a Selic baixe ainda mais.

No momento que você tem um revés como esse, você compra um ativo muito mais barato, mas precisa ter caixa para aproveitar essa oportunidade. Empresas que estão suportando a crise são as que tem mais caixa.

“Queremos fazer seguro quando todo mundo está assaltando carros!”

O que pode ser feito agora, em termos de proteção, é olhar por core business e focar no aproveitamento e geração de caixa, uma dica é ter caixa sempre, tanto para aproveitar oportunidades como para sobreviver. Não sabemos quanto tempo irá levar a quarentena, não certeza de absolutamente nada. É uma incerteza generalizada, estamos com um nível de crédito no mercado bastante saudável.

O problema é se passar de junho, por prejudicar a liquidez e crédito, a dívida pública estava em 75% e está indo para 90%. A conta ficará para nossos filhos.

Abordagem era aumentar leitos e aumentar a quantidade de testes para testar todo mundo, para poder voltar ao normal. Porém não estamos fazendo nem um nem outro. Não estamos resolvendo os problemas como a Coréia do Sul

“Estamos nos perdendo na parte médica, e a parte econômica vem de reboque.”

Preocupado no curto prazo, mas em 10 anos não está preocupado, sempre após as crises houve uma reprecificação.

Mercado financeiro já precificou tudo, injeta liquidez no mercado, expande balanço através do Banco Central e depois reduz o balanço através do Banco Central.

Pode ser que a bolsa caia, e irá oscilar nos próximos 6 meses. Mas nos próximos 10 anos irá subir muito.

Mercado já previa o coronavírus, mas não se previa ser como foi. Se deram bem quem fez seguros para a queda.

Pessoas começaram a investir mais e em maior risco com as plataformas digitais

Muitos não sabem medir o risco, na prática as pessoas se comportam diferente do que no questionário de perfil de risco.

“Esse evento serve para separar os meninos dos homens, e as meninas das mulheres.”

Qual é o maior erro que a pessoa pode cometer nesse momento?

Erro clássico: vender quando está no fundo. Perde a oportunidade quando está em recuperação. As empresas irão continuar existindo e depois, na volta, compra quando está em alta.

Como separar o efeito manada do que a geração de caixa?

A diferença entre uma empresa e uma pessoa física é o tempo de vida.

Na perpetuidade, problemas de caixa de 2 ou 3 trimestres não interferem muito no valuation de agora.

A pessoa física, se ela precisa vender ações agora para fazer caixa, ela montou o portfólio errado. Agora é uma daquelas oportunidades que aparecem como poucas. Quem for capaz de superar o risco e tem perfil, é uma grande oportunidade.

Tudo passa. É uma coisa completamente anormal. Compra quando está ruim para vender quando estiver bom.

Contato: guilherme.macedo@ufrgs.br  

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Pedro Englert

Graduado em Administração pela UFRGS, pós-graduado na USP e Singularity University. Foi sócio da XP por 10 anos, CEO do InfoMoney. Entrou na StartSe em 2016 e é investidor em mais cinco fintechs. Além disso, um grande apoiador do EA Alumni. É conselheiro da Junior Achievement

A pessoas que está sozinha é muito difícil hoje para conseguir fazer tudo isso nessa situação, se conseguir sobreviver essa crise com o modelo hierárquico ultrapassado é um herói.

Suportou a queda de receita com mais clientes, quando voltou em 2009, voltou com tudo.

Para a empresa é importante ter mais de um produto, para diversificar, xXP só virou o que virou porque foi obrigada a diversificar, o foco no caixa, apoio nos clientes, aproveitar novas oportunidades.

A necessidade ajuda a crescer

  •  2 mindsets: 
  • 1) encontrar a culpa;
  • 2) resolver o problema, sobreviver e encontrar oportunidades;

A StartSe perdeu 98% da receita com a crise do coronavírus e já recuperou 60%. 

Na operação de um negócio, olhamos o produto que dá mais resultado, maioria da venda é digital, mas entrega era física. Como havia muito crescimento nesse modelo, não foi aplicado tanta energia para aplicar em novas soluções.

Nessas horas de crise vem a conta, porém agora não há mais custo de oportunidade. Não há mais nada a perder em testar as inovações. No Re.StartSe. por exemplo, foram 70 mil pessoas inscritas.

“O mundo é diferente, você precisa criar uma escola para o momento de agora, o modelo de gestão com planejamento e controle quebrou, porque não há tanto espaço para planejamento.”

Grande problema das empresas é o excesso de controle. As empresas devem se adaptar a gestão pelo contexto. Esforço e benefício nem sempre vão para as mesmas pessoas. É preciso ter um alinhamento entre empresário e colaborador para entrar juntos na guerra.

Time alinhado é extremamente importante. StartSe teria quebrado se não fosse o alinhamento do time e aproveitamento das oportunidades

Para quem é pequeno, existem oportunidades em todos os segmentos, o passo a passo para desenvolvimento dos negócios:

  1. Trazer tecnologia para o meu negócio;
  2. Como usar essas tecnologias no meu negócio;
  3. Mudar minhas atitudes para evoluir o negócio.

Maioria das empresas hoje vai para o digital, mas se mantém como era anteriormente. Eals se digitalizam o seu modelo de negócios, mas não estão aproveitando as novas oportunidades. Sempre olhar para o cliente e pensar “Como eu te encanto?”

Virar o modelo de negócio para 100% home office ainda é bastante complexo.

Comparando com a crise de 2008, a crise de agora origina no consumo e afeta o mercado financeiro. Na crise de 2008 originou-se no mercado financeiro e afetou no consumo.

A China é um exemplo de como os mercados estão crescendo rápido. Após a volta, empresas podem recuperar a demanda de antes e incrementar a demanda com as inovações.

O modelo de agências de Marketing Digital vem crescendo e com ROI mais tangível, o problema é que são poucos canais digitais disponíveis sendo usados ao mesmo tempo, então o CAC (custo de aquisição) é maior, é necessário olhar como o trabalho pode ser feito ao utilizar os canais tradicionais como complemento e desenvolver o branding. 

“É um jogo novo acontecendo”

Venda precisa ser muito sutil, pois todo mundo está muito agressivo, dentro de um cenário complicado, reconhecer ele é importante para aproveitar as oportunidades. 

O único ativo que nunca perde valor é o conhecimento, ese o tempo para ganhar conhecimento

Alinhem seus times para ter mais força ao vencer as batalhas.

Contato: https://startse.com/restartse/