
A Bobina de Ruhmkorff também é conhecida como bobina de indução e como gerador de faísca. Este equipamento é um tipo de transformador elétrico no qual, a partir de uma corrente contínua de baixa voltagem, se produz pulsos de alta voltagem.
História
A bobina de indução foi o primeiro modelo de transformador elétrico desenvolvido. Apesar de sua criação ser comumente atribuida a Heinrich Ruhmkorff, a bobina de indução foi desenvolvida, independentemente, pelos cientistas Charles Grafton Page e Nicholas Callan no ano de 1836. Seu desenvolvimento e aprimoramento ocorreu entre os anos de 1830 e 1860, através das mãos e mentes de diversos cientistas.
Heinrich Ruhmkorff foi um dos muitos cientistas a aprimorar as bobinas de indução. O primeiro modelo da bobina de Ruhmkorff foi patenteado em 1851. Sua melhoria em relação às bobinas anteriores foi o uso de fios muito longos na bobina secundária, produzindo faíscas de aproximadamente 5cm, com tensões de, aproximadamente, 5kV. Seu trabalho lhe rendeu reconhecimento suficiente para ser agraciado com o Prêmio Volta, no ano de 1858, pelos avanços científicos extraordinários relacionados à eletricidade.
As bobinas de indução foram extremamente importantes para o desenvolvimento científico e médico. Estas bobinas foram amplamente utilizadas em experimentos que precisavam de alta tensão, como tubos de descarga e tubos de raio‑x, e foram importantes para a demonstração da existência de ondas eletromagnéticas e para a descoberta das ondas de rádio. Estes transformadores foram posteriormente substituidos por transformadores de corrente alternada, mas as bobinas de indução ainda são utilizada nos motores de combustão interna para gerar a faísca que causa a ignição do combustível.
Funcionamento
A bobina de Ruhmkorff é composta por um interruptor magnético, duas bobinas que envolvem um mesmo núcleo ferromagnético e um capacitor. A bobina primária, onde é aplicada a corrente de entrada, possui poucas voltas; já a bobina secundária é composta por muitas voltas. Para o entendimento deste equipamento é necessário analisar a função dos seus compontentes e a forma como estes estão conectados.

Nesta imagem, retirada da wikipedia, está uma representação esquemática da Bobina de Ruhmkorff. Os componentes presentes na imagem são os seguintes:
- A: parte ferromagnética do interruptor;
- B: fonte de alimentação;
- C: capacitor;
- G: eletrodos de saída da bobina secundária;
- K: contato do interruptor;
- P: bobina primária;
- S: bobina secundária.
Quando aplicamos uma pequena tensão elétrica na bobina primária, criamos uma corrente elétrica que, por sua vez, cria um campo magnético, como descrito pela Lei de Biot-Savart. O campo magnético é amplificado pelo núcleo de ferro que puxa e desconecta o interruptor, reduzindo rapidamente corrente na bobina primária e causando uma alteração brusca no campo magnético gerado. Com a queda do campo magnético no núcleo de ferro, o interruptor volta a se conectar e o processo se repete continuamente. O capacitor não é necessário para o funcionamento do circuito, mas melhora muito o seu efeito pois faz com que a corrente na bobina primária oscile quando o interruptor é desconectado, aumentando ainda mais o efeito da variação de corrente.
A bobina secundária percebe a variação de fluxo magnético, gerando uma força eletromotriz induzida, segundo a Lei de Faraday. Como a variação do campo é muito rápida e esta bobina possui muitas voltas, isso é suficiente para criar uma alta diferença de potencial entre os eletrodos, da ordem de quilovolts (kV). Este processo permite a geração de uma tensão grande o suficiente para romper a rigidez dielétrica do ar entre os eletrodos e promover uma faísca.
O Centro de Referência para o Ensino de Física (CREF) possui dois artigos que respondem a questionamentos interessantes e relevantes para o tema das bobinas de indução. O primeiro discute o que acontece quando interrompemos um circuito que contém uma bobina. O segundo versa sobre os efeitos da variação de fluxo magnético em uma bobina e algumas possíveis aplicações destes efeitos.
Pesquisa: Gabriel Cury Perrone; Físico UFRGS / Julho 2019 e Lara Elena Sobreira Gomes; Física UFRGS / Julho 2019