• Câmara de Nuvem — Câmara de Wilson

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A Câmara de Wilson é um aparato expe­ri­men­tal para a visu­a­li­za­ção do rastro de par­tí­cu­las e radi­a­ção ioni­zante. A Câmara de Nuvem de difusão é baseada na Câmara de Wilson e possui a mesma função. No equi­pa­mento deste acervo, era uti­li­zada uma amostra radi­o­a­tiva na parte supe­rior da câmara, para obser­var as carac­te­rís­ti­cas da radi­a­ção emitida. Além da radi­a­ção pro­ve­ni­ente de amos­tras conhe­ci­das, é pos­sí­vel obser­var a pas­sa­gem de raios cós­mi­cos através da câmara. 


Montagem e uso de uma câmara de nuvem

Uma câmara de nuvem de difusão con­siste possui três com­po­nen­tes principais:

  • um reci­pi­ente fechado
  • uma fonte de vapor de álcool iso­pro­pí­lico na parte superior
  • uma placa metá­lica preta e res­fri­ada na parte inferior

É pos­sí­vel montar uma câmara com mate­ri­ais simples. Há diver­sos pro­je­tos dis­po­ní­veis na inter­net com dife­ren­tes métodos de mon­ta­gem e uso. Nos Labo­ra­tó­rios de Ensino de Física da Uni­ver­si­dade Federal do Rio Grande do Sul, o modelo uti­li­zado é apre­sen­tado no vídeo a seguir:

Para o fun­ci­o­na­mento correto da câmara, é neces­sá­rio obter um ambi­ente super­sa­tu­rado de vapor (de álcool ou água), em uma situ­a­ção ins­tá­vel na qual o vapor está prestes a con­den­sar. Em uma câmara de difusão, esta con­di­ção é obtida a partir do res­fri­a­mento do vapor de álcool iso­pro­pí­lico, pro­ve­ni­ente do topo da câmara, próximo da base metá­lica res­fri­ada. Quando uma par­tí­cula alta­mente ener­gé­tica atra­vessa a região super­sa­tu­rada de vapor ins­tá­vel, as coli­sões da par­tí­cula com o gás arran­cam elé­trons e o ionizam. No caminho ioni­zado há con­den­sa­ção do vapor, que fica visível por alguns segun­dos e marca o trajeto da par­tí­cula ou radi­a­ção ionizante. 

É inte­res­sante obser­var que par­tí­cu­las dife­ren­tes apre­sen­tam com­por­ta­mento dis­tinto. Por exemplo, é pos­sí­vel iden­ti­fi­car o tipo de par­tí­cula através da espes­sura e mudan­ças de direção do rastro deixado por ela. No vídeo abaixo (em inglês) é demons­trado o fun­ci­o­na­mento de uma câmara similar, com a obser­va­ção de dife­ren­tes partículas. 


História

As Câmaras de Nuvem foram extre­ma­mente impor­tan­tes para o desen­vol­vi­mento da física de par­tí­cu­las durante o período de 1920 a 1950. O pri­meiro modelo, desen­vol­vido por Charles Thomson Rees Wilson, foi desen­vol­vido entre 1894 e 1911. Neste modelo, era uti­li­zado ar satu­rado com vapor d’água e um sistema de expan­são do ar para causar o res­fri­a­mento da câmara e formar a névoa, por isso este modelo é deno­mi­nado Câmara de Nuvem de Expan­são. Pos­te­ri­or­mente foi desen­vol­vido o modelo de Câmara de Nuvem de Difusão, em 1936, por Ale­xan­der Langs­dorf, no qual era pos­sí­vel ver o efeito na neblina por mais tempo.

O tra­ba­lho de Wilson no desen­vol­vi­mento da câmara de nuvem lhe rendeu um Prêmio Nobel de Física em 1927, “pelo seu método de tornar visível o caminho de par­tí­cu­las car­re­ga­das uti­li­zando con­den­sa­ção de vapor. O Prêmio Nobel de Física de 1936 foi entre­gue a Carl David Ander­son “pela sua des­co­berta do pósi­tron” em 1932. Outras des­co­ber­tas impor­tan­tes tiveram a Câmara de Núvem como fer­ra­menta essen­cial, como a des­co­berta do múon e dos káons, uti­li­zando os raios cós­mi­cos como fonte da radi­a­ção ionizante.

Pes­quisa: Gabriel Cury Perrone; Físico UFRGS / Outubro 2019

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