• Movimento: Hidrostática — tranquilo como água de poço

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Nosso estudo da hidros­tá­tica se inicia pelo enun­ci­ado do Teorema de Stevin: “a dife­rença de pressão entre quais­quer dois pontos de um fluido em equi­lí­brio é dada pelo produto da den­si­dade do fluido, da ace­le­ra­ção da gra­vi­dade e da dife­rença de pro­fun­di­dade entre eles”. Esse também é conhe­cido como o Teorema Fun­da­men­tal da Hidros­tá­tica, pela sua impor­tân­cia, e pode ser expresso mate­ma­ti­ca­mente da seguinte forma:
\Delta p=d\cdot g\cdot \Delta h\: ,onde \inline \Delta p é a dife­rença de pressão, \inline d é a den­si­dade do fluido, \inline g é a ace­le­ra­ção da gra­vi­dade e \inline \Delta h é a dife­rença de pro­fun­di­dade entre os pontos.

Figura 1. Uma garrafa cheia de água com furos em alturas dife­ren­tes lança jatos com velo­ci­da­des diferentes.

O Teorema de Stevin nos diz que quanto mais fundo mer­gu­lha­mos em um fluido (como a água do mar), maior será a pressão à qual esta­re­mos sub­me­ti­dos. Lendo de outra forma, podemos enten­der que a pressão em um ponto será tão maior quanto maior for a coluna de um fluido sobre aquele ponto. Isso pode ser facil­mente testado em um expe­ri­mento caseiro: em uma garrafa cheia de água com furos na lateral, exem­pli­fi­cada na figura 1, a pressão será maior próxima ao fundo da garrafa, lan­çando um jato com mais velocidade.

Perceba que, no Teorema de Stevin, nem a área nem o formato do reci­pi­ente em que se encon­tra o fluido foram men­ci­o­na­dos como fatores que influ­en­ciam a pressão em um fluido. Logo, se pre­en­cher­mos reci­pi­en­tes inter­li­ga­dos com o mesmo fluido eles devem se equi­li­brar de forma que a altura das colunas seja a mesma em todos os reci­pi­en­tes (como pode ser visto na figura 2). Esse é o prin­cí­pio dos Vasos Comu­ni­can­tes, que pode parecer contra intui­tivo, mas é facil­mente demons­trado empi­ri­ca­mente e qua­li­ta­ti­va­mente com apa­ra­tos como o AMLEF311 e o AMLEF260.

Figura 2. Esquema dos vasos comu­ni­can­tes, nos quais um líquido se dis­tri­bui com a mesma altura, inde­pen­den­te­mente do formato dos vasos. Fonte: Zei­ch­ner: Bd, Domínio Público, via Wiki­me­dia Commons.

A pressão atmosférica

Figura 3. Expe­ri­mento de Tor­ri­celli para demons­tra­ção da pressão atmos­fé­rica. Adap­tado de: Kilom691, Domínio Público, via Wiki­me­dia Commons.

Até o momento, comen­ta­mos majo­ri­ta­ri­a­mente sobre pres­sões exer­ci­das por líqui­dos. Contudo, como afir­ma­mos no início de nossa jornada, gases também são fluidos e podem exercer pressão. Cabe agora, abrir­mos um pequeno parên­te­ses para comen­tar­mos sobre a des­co­berta da pressão atmos­fé­rica e suas implicações. 

A defi­ni­ção de uma pressão atmos­fé­rica deve-se ao físico Evan­ge­lista Tor­ri­celli. Ele uti­li­zou tubos com com­pri­men­tos vari­a­dos e os encheu de mer­cú­rio. Ao mer­gu­lhar os tubos de cabeça para baixo em um reci­pi­ente, também com mer­cú­rio, per­ce­beu que os tubos menores do que 76 cm con­ti­nu­a­vam cheios, enquanto que nos tubos maiores, o mer­cú­rio se des­gru­dava do topo, for­mando vácuo (vapor de mer­cú­rio) na ponta e uma coluna de mer­cú­rio com 76 cm de altura. Este célebre expe­ri­mento é ilus­trado na figura 3.

Tor­ri­celli não parou por aí. Uti­li­zando o Teorema de Stevin, sabia que dois pontos A e B em uma mesma altura (como os da figura) esta­riam sub­me­ti­dos à mesma pressão. Como pode ser visto na figura, o ponto A não está sub­me­tido à pressão exer­cida pela coluna de mer­cú­rio, já que se encon­tra na porção aberta do reci­pi­ente. Por­tanto, Tor­ri­celli con­cluiu que o agente res­pon­sá­vel por exercer pressão sobre o ponto A e igualar as pres­sões nos pontos A e B seria a atmos­fera. Sendo assim, tal expe­ri­mento con­se­guiu com­pro­var e men­su­rar a pressão atmos­fé­rica, medida em torno de 760 mmHg (milí­me­tros de Mercúrio).

Figura 4. AMLEF320 — Hemis­fé­rios de Mag­de­burgo para demons­trar a pressão atmosférica.

Outra demons­tra­ção da pressão atmos­fé­rica foi rea­li­zada pelo físico alemão Otto Von Gue­ricke, por meio do expe­ri­mento dos Hemis­fé­rios de Mag­de­burgo. Para tal, ele uniu dois hemis­fé­rios de cobre e uti­li­zou uma bomba de vácuo para retirar todo o ar do inte­rior da esfera de cobre formada. Após isso, ele pediu que cavalos fossem usados para tentar des­pren­der os hemis­fé­rios unidos, o que não ocorreu. Sendo assim, o não des­pren­di­mento dos hemis­fé­rios só poderia ocorrer devido a duas situ­a­ções: uma força de sucção que atuava sobre os hemis­fé­rios impe­dindo sua sepa­ra­ção, ou a atuação da pressão atmos­fé­rica for­çando um contra o outro. Como havia sido criado vácuo dentro da esfera de cobre, a força que man­ti­nha os hemis­fé­rios unidos se dava pela dife­rença entre a pressão dentro e fora destes, com­pro­vando mais uma vez, a exis­tên­cia da pressão atmosférica.

A medida da pressão atmos­fé­rica pode ser extre­ma­mente impor­tante. Ela é útil para a rea­li­za­ção de pre­vi­sões mete­o­ro­ló­gi­cas, como no caso do Barô­me­tro de Goethe, assim como para o con­trole de uma série de expe­ri­men­tos. Nosso acervo possui exem­pla­res de baró­gra­fos (AMLEF018 e AMLEF187) e de manô­me­tro em “U” (AMLEF192), entre tantos outros.

Francisco Baguinski e Gabriel Cury Perrone / Equipe AMLEF 2022

Saiba mais:


Referências:

  • Wiki­pe­dia: Teorema de Stevin (BR)
  • Wiki­pe­dia: Hidros­tá­tica (BR/EN)
  • Wiki­pe­dia: Evan­ge­lista Tor­ri­celli (BR/EN)
  • Wiki­pe­dia: Hemis­fé­rios de Mag­de­burgo (BR/EN)
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