Quem tem essa intenção encontra pela frente uma difícil tarefa. Não há nenhum guia de exposições que aborde esse item, como fazem as Veja São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. A Veja Porto Alegre informa somente sobre bares e restaurantes. Só interessa alimentar o corpo e ao espírito nada? Não existe um Mapa das Artes de Porto Alegre, nem os jornais locais atendem este setor com indicativos regulares de mostras. Será que o interesse dos gaúchos por arte é muito restrito ou as exposições poucas e sem maiores atrativos para divulgação?
Talvez não seja tão irreal a afirmação de que Porto Alegre está, avassaladoramente, perdendo espaço em termos culturais para outras capitais do País. Será desinteresse, baixo nível cultural ou pobreza material? Segundo os economistas, em termos de outros consumos, como objetos de luxo (carros, vestuário, joias), o mercado local continua crescendo, portanto falta de recurso não é o motivo real. Além disso, muitas pessoas, que na cidade nunca visitaram um museu de arte, quando viajam vão ver vários. Qual a causa do desinteresse do público em relação a exposições locais? Falta de informação e divulgação na mídia, falta de boas exposições? Não seria talvez sugestivo pensar sobre esse assunto?
Para começar a como descobrir onde ver estas exposições, vale um levantamento das instituições dedicadas de alguma maneira à difusão das artes visuais na cidade. O Museu de Arte do Rio Grande do Sul, MARGS, é provavelmente a mais antiga e tradicional, localizada em um lindo prédio do início do século XX. Embora não seja um museu de arte contemporânea, ele tem assumido esta função na medida em que o Museu de Arte Contemporânea, MACRS, não conta até o presente momento com uma sede própria, alocando-se, provisoriamente, em salas da Casa de Cultura Mario Quintana. As Pinacotecas Municipais “Ruben Berta” e “Aldo Locatelli” também não dispõem de um prédio próprio, mantendo salas de exposição e reserva técnica na sede da Prefeitura Municipal. A situação precária destas que são as mais importantes instituições publicas dedicadas especificamente às artes visuais no Estado dão ideia do quanto de interesse tem sido dado a este setor pelo governo, que de certa maneira representa a população.
Ainda em termos de instituições públicas, há o Centro Cultural Erico Veríssimo da CEEE, que dispõe de um excelente espaço onde realiza exposições, sendo algumas delas de artes. No Centro Cultural Usina do Gasômetro está alocada a galeria Iberê Camargo, além de serem realizadas, ocasionalmente, exposições no halle em outros espaços de suas dependências. O Departamento Municipal de Águas e Esgotos, DMAE, mantém uma galeria em suas instalações na Estação Hidráulica Moinhos de Vento. A Pinacoteca do Instituto de Artes da UFRGS dispõe de uma sala, onde realiza regularmente exposições de arte contemporânea. O Instituto de Artes Visuais IAV da Secretaria da Cultura do Estado também mantém duas salas na Casa de Cultura Mario Quintanaonde se realiza atividades expositivas.
Em termos de instituições privadas a situação se encontra um pouco melhor, com grandes espaços onde se realizam importantes mostras. A Fundação Iberê Camargo dispõe de um moderno espaço, totalmente dedicado às artes visuais, construído especificamente para isso, com projeto do premiado arquiteto Álvaro Siza, onde mantém uma agenda regular de eventos. O Santander Cultural está localizado no centro histórico da cidade, em um belíssimo prédio do início do século XX, construído para sede do antigo Banco da Província. Adaptado a suas novas funções, ele realiza em média três ou quatro grandes exposições ao ano. A Fundação Vera Chaves Barcelos, FVCB, localizada na periferia da cidade, em meio a um parque, dispõe de um rico acervo e organiza exposições regularmente.
Além desses grandes espaços, funcionam ainda salas de exposições no Goethe Institut, na Fundação ECARTA, e na Escola Superior de Propaganda e Marketing, ESPM. A Associação de Artes Plásticas Chico Lisboa dispõe de um espaço de exposição em sua sede, na cidade Baixa, onde também se localiza o StudioClio. Este último apresenta exposições no hall de seu auditório, com uma proposta de divulgar pequenos trabalhos de artistas selecionados. A Casa M, criada pela Fundação Bienal do MERCOSUL, esteve muito movimentada durante a Bienal e ainda se encontra em atividade.
Um outro tipo de espaço que se abre para exposições são os locais alternativos, criados e gerenciados pelos próprios artistas ou coletivos. Neste caso merecem destaque a Galeria Subterrânea, que, inicialmente proposta como ateliê, desenvolve uma ativa agenda de eventos. Nesta mesma linha também há o espaço Jabutipé, a Plataforma, o Farol 872 e o Estúdio Hybrido.
Com este levantamento básico é possível tentar verificar, através dos sites de cada local, o que está acontecendo em termos de artes visuais na cidade e assim selecionar o que visitar. Mas falta, para quem não é da área, mais informações, uma divulgação que enfatize aspectos e desperte interesses. Talvez algum setor interessado possa organizar uma espécie de agenda de exposições, permanentemente à disposição do público interessado em visitá-las, com informações básicas e pequenos comentários sobre cada mostra. Seria uma fundamental colaboração para o segmento das artes visuais e para o enriquecimento cultural da comunidade.
Um aspecto importante a observar é em relação à divulgação que recebem esses espaços expositivos nas mídias locais. Como as pessoas que não convivem no meio podem ter acesso aos eventos expositivos? A arte pode realmente interessar as pessoas em geral? Se as artes visuais recebessem uma pequena parte do espaço que o futebol ocupa nos meios de comunicação, elas seriam mais visitadas? Como fazer para ampliar o envolvimento de um público leigo para as artes visuais? Essa é uma questão que implica, além da informação, aspectos de formação cultural? Muitas dúvidas e vazios estão no ar, e talvez seja importante refletir um pouco sobre o alimento intelectual, neste fim de semana gelado, enquanto se alimenta o corpo com uma comida quentinha.






