Autonomia, Tomada de Decisão e Envelhecimento
Prof. José Roberto Goldim

Os idosos devem ter preservada a garantia do reconhecimento à sua autonomia. Às convicções pessoais do idoso merecem ser respeitadas. O importante é avaliar o grau de capacidade que a pessoa tem para tomar suas decisões. A sua participação ativa no processo de tomada de decisões é  restringida, muitas vezes, pela própria família  ou pelas instituições.

Mesmo em situações de incapacidade temporária ou até mesmo definitiva, o idoso pode se utilizar de inúmeras formas para preservar o seus desejos ou restrições de tratamento. A tomada antecipada de decisão e o estabelecimento de procuradores são exemplos disto.

As  decisões antecipadas a respeito de procedimentos que devem ou não ser realizados, também chamadas de “living wills”,  podem ser expressas em um documento, que apesar de não ter valor legal no Brasil, registra as preferências individuais a cerca de que medidas devem ou não ser tomadas. A utilização de respiradores artificiais, de medidas de reanimação cardiorrespiratória e outras medidas extraordinárias são exemplos de procedimentos que podem ser avaliados previamente. Uma questão que se levanta, com relação às decisões antecipadas é de que as mesmas são tomadas fora do contexto em que irão ocorrer. Muitas vezes uma decisão tomada anteriormente pode ser modificada pelo simples avanço da Ciência.

Outra forma de preservar a autonomia pode ser a indicação prévia de procuradores, que assumem a tomada de decisões sobre cuidados de saúde, em caso de incapacidade do próprio paciente. Isto pode facilitar o trabalho de toda a equipe de saúde, pois evita a disputa e a tomada de decisões divergentes por diferentes membros da família. O procurador seria o seu interlocutor com os profissionais de saúde, e com outras pessoas, aquele que, segundo o próprio paciente, é a pessoa que melhor defende os seus interesses.

O fundamental é reconhecer que o simples fato de ser velho não impede o indivíduo de tomar suas decisões e exercer plenamente a sua vontade pessoal, baseado em seus valores. Os valores são componentes respeitáveis deste  processo. Tomar decisões sem usar os valores como um dos critérios é uma inadequação.

Incontáveis exemplos podem ser dados para pessoas velhas que assumiram o poder de suas nações em situações críticas. A estes líderes a autonomia não foi questionada. A sua experiência de vida foi saudada como sendo um fator fundamental para a adequada tomada de decisões vitais não só para este indivíduo em particular, mas para todo um povo.



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