A Biotecnologia constitui-se em uma ciência transdisciplinar, combinando áreas como a Biologia Celular, a Biologia Molecular e a Bioinformática, dentre diversas outras, na busca por aplicações voltadas à saúde humana e animal, à agricultura, às ciências ambientais e, principalmente, à manufatura empregando a bioquímica como base. Neste sentido, desde a década de 1990 o CBiot vem atuando no desenvolvimento de tecnologias e na sua aplicação à sociedade, como na produção e fornecimento da enzima Taq DNA-polimerase, de enzimas de restrição e marcadores para todas as regiões do Brasil, contribuindo para o desenvolvimento de inúmeras aplicações na investigação científica, diagnóstico, medicina humana e veterinária, agricultura, ambiente e industrial no território nacional. Outro exemplo de atuação do CBiot envolve a produção de anticorpos para vários laboratórios de pesquisa, bem como a avaliação reagentes e componentes imunológicos utilizados nas diferentes instituições e empresas, iniciada em 2003.
O CBiot tem construído, desde sua criação, um ambiente fértil tanto para a pesquisa básica quanto para sua transposição à aplicações tecnológicas e comerciais. Por exemplo, importantes avanços foram alcançados na compreensão dos mecanismos de enraizamento adventício em Eucalyptus, na produção de resina em Pinus e na identificação de metabólitos especializados bioativos de interesse farmacêutico (alcaloides em Psychotria e saponinas em Quillaja). Estas contribuições científicas foram o berço para a criação de uma das startups nascidas no CBiot, a ARBOREA, que hoje faz parte da IECBiot e que se soma à história de diversas start ups desenvolvidas no âmbito do CBiot.
Atuamos na coordenação do “Centro Colaborador em Defesa Agropecuária para a Biossegurança Relativa a Plantas Geneticamente Modificadas (GM) de Eucalipto”, onde participaram ainda pesquisadores de 8 empresas florestais e quatro centros de pesquisa. Este Centro foi responsável pela avaliação da biossegurança de plantas de eucalipto modificadas geneticamente, tanto em laboratório como a campo, demonstrando a equivalência dos efeitos de plantas geneticamente modificadas (GM) e não-GM à saúde humana e animal e a marcadores ambientais. Os resultados desse projeto integraram dossiê que respaldou, em 2015, a liberação comercial do primeiro eucalipto modificado geneticamente no mundo.
Um último exemplo envolve os diversos estudos realizados ao longo dos anos por pesquisadores do CBiot na compreensão da fisiopatologia associada à infestação de carrapatos em bovinos, os quais tornaram o CBiot referência mundial na área e permitiram diversos avanços no desenvolvimento de uma vacina capaz de reduzir as populações de carrapato tanto das formas presentes nos bovinos parasitados quanto das formas infestantes presentes no campo. Por fim, de forma a estas pesquisas e potencializar novos avanços no futuro, o CBiot estabeleceu o MULTI PROT LAB - Laboratório Multiusuário de Bioquímica de Proteínas do Centro de Biotecnologia, amplamente equipado com infraestrutura necessária a estudos e desenvolvimentos de tecnologia no âmbito da bioquímica de proteínas, servindo ainda de suporte para as empresas incubadas na IECBiot.