
Da série suposta propina e suposta delação 2016/2017 metacrilato (30x40cm)
Traplev (Roberto Moreira Junior) nasceu em Caçador, SC em 1977 e vive e trabalha em Recife, PE. A produção do artista explora diversas questões como a conjuntura política, os meios de comunicação, as redes sociais, e o comportamento humano na internet. Ele utiliza material jornalístico e notícias compartilhadas nas redes sociais, a fim de trabalhar com uma crítica a esse bombardeio midiático. Traplev já trabalho explorando o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff em 2016, coletando textos críticos postados online tanto de pensadores, teóricos, como textos de Wikipédia e Twitter.
Na obra Suposta Propina e Suposta Delação o artista questiona a forma como as mídias de comunicação divulgam e se posicionam em suas notícias, até como uma forma de questionarmos nossa ideia de que a mídia é imparcial. Utilizando softwares de edição de imagens, Traplev trabalha com uma exploração dessa interatividade das redes e do que esses programas de edição oferecem para criar novas narrativas. Apagando e ocultando certos trechos das notícias, é possível perceber outros detalhes, como a escolha de palavras e a força que elas possuem para passar uma mensagem.
Os softwares de edição e manipulação de imagens têm um papel importante no trabalho de Traplev, ele não só se apropria de comentários, de imagens, e notícias online, ele interage com elas modificando, editando, ocultando partes para salientar outras. Lev Manovich pesquisou sobre como que os softwares modificaram a nossa forma de lidar com as imagens, principalmente com o surgimento de programas como Photoshop, Adobe Premiere. Hoje é mais fácil manipularmos imagens, temos acesso e somos incentivados a produzir conteúdos, produzir imagens. Traplev explora esses mecanismos e nos mostra outras formas de se relacionar com as redes sociais e a saturação de imagens, com uma posição mais crítica e ativa.