Apesar de os videogames existirem desde os anos 60, foi a partir de 1980 que surgiram os primeiros projetos artísticos a usar jogos digitais como meio, tal como Alien Garden, de Bernie DeKoven e Jaron Lanier (1982) (PRATT, 2010). Com a ampla disponibilização da internet no final dos anos 90 e, consequentemente, maior acesso não só a mais jogos, como mais informação, surge um novo interesse por gamearte tanto por artistas como por instituições. Começam a montadas exposições como a GAME ON, que surgiu em 2002 (CAVALEIRO, 2016) e a comissionar obras do gênero. Nessa época também nasceu a prática de mod art, que consiste em modificações artísticas de jogos digitais já existentes, muitas vezes como forma de trazer um questionamento ou outro ideal político.
Ao montar uma proposta de gameart como trabalho de conclusão no curso de artes visuais, me vi progressivamente mais inquisitiva em relação ao campo teórico desse meio, e como ele se dava no Brasil, influenciada por autores como Suzete Venturelli, Anita Cavaleiro e Domenico Quaranta. Unindo esse interesse à proposta do grupo de pesquisa Territorialidades: experiências artísticas na internet no Brasil, resolvi desenvolver mais a fundo essa investigação, com o intuito de formar uma concepção mais definida desse campo.
Desertesejo, de Gilbertto Prado (2000/2014/2018)
No Brasil, as primeiras experiências com esse meio vieram muitas vezes como desdobramentos da arte interativa no fim da década de 90, como é o caso de Desertesejo, de Gilbertto Prado (2000). No seu texto Gamearte: uma poética de interação, Suzette Venturelli cita também duas obras experimentais no gênero, chamadas Hubbub e BSB Online, produzidas em conjunto com Mario Maciel e expostas no Centro Cultural Caixa Econômica de Brasília em 2003. Desde então, o meio seguiu sendo explorado, mesmo que em pouca escala, muitas vezes no ambiente acadêmico e por artistas e designers de nicho, tendo seu espaço marcado em exposições e mostras de games e arte e tecnologia como a Game O Quê? (2003) e a Gameplay (2009), ambas organizadas pelo Itaú Cultural (CAVALEIRO, 2016) e o FILE (Festival Internacional de Linguagem Eletrônica).
Mostra Gameplay(2009), do Itaú Cultural (Foto:Renato Bueno/G1)
Na pesquisa que desenvolvo como bolsista de Iniciação Científica, senti falta de um material introdutório conciso e atualizado sobre a história e lugar da gamearte no sistema da arte brasileiro, e julguei que tal estudo possa ser útil como ponto de partida para novos pesquisadores e interessados a entender mais sobre o campo. Os meus objetivos com esse trabalho serão descrever a origem da gameart, como pesquisadores do campo definem o termo e a sua inserção no Brasil. Compilar e descrever algumas obras de gameart nacionais e suas conexões internacionais e identificar eventos e exposições, no Brasil, que abordaram-na como tema. Com essas bases, elaborar uma reflexão sobre o lugar dessa produção no sistema em geral e no mercado de arte brasileiro mais especificamente, considerando o seu espaço e seu potencial.
Referências:
CABRERA, Anita Cavaleiro de Macedo. Sobre jogos e não jogos: um estudo sobre curadoria de jogos digitais experimentais. 2016. Dissertação de Mestrado – Universidade de São Paulo (USP). Escola de Comunicações e Artes São Paulo.
HOLMES, Tiffany. Arcade Classics Spawn Art? Current trends on the art game genre. MelbourneDAC2003. Disponível em: <http://www.techkwondo.com/external/pdf/reports/Holmes.pdf>
Ploug, Kristine (2005). Art Games – An Introduction. Artificial.dk. Disponivel em: <http://www.artificial.dk/articles/artgamesintro.htm>
PRADO, Gilbertto. DESERTESEJO, 2000/2014/2018. Disponível em: < http://www2.eca.usp.br/cap/gilbertto/desertesejo.html>. Acesso em 23/10/2020
PRATT, Charles J. (2010). The Art History… Of Games? Games As Art May Be A Lost Cause. GamaSutra. Disponivel em: <https://www.gamasutra.com/view/news/27133/The_Art_History_Of_Games_Games_As_Art_May_Be_A_Lost_Cause.php> Acesso em 09 de março de 2020
QUARANTA, Domenico. Gamescenes, art in the age of videogames, 2006.
VENTURELLI, Suzete. Interatividade computacional. Moringa – Artes do Espetáculo, João Pessoa, v. 2, n. 1, p. 131–139, 2011. Disponível em: http://periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/moringa/article/view/ 9991