Segundo a definição do Coletivo Keiken, “Metaverso significa um mundo virtual que se aproxima da realidade através de dispositivos digitais. É um espaço coletivo e virtual compartilhado, constituído pela soma de realidade virtual, realidade aumentada e Internet”.
Com a presença cada vez maior do conceito de metaverso no mundo da arte, buscamos em alguns artistas, participantes de eventos deste ano de 2021, como a Digital Art Fair Asia (DAFA) e o POAEmCena, analisar como a Internet é usada nas suas produções. Com isso queremos explorar através do nosso olhar humano o que a inteligência artificial e o aprendizado de máquina podem produzir, em uma arte que traz o virtual para instalações físicas de arte digital imersiva.
Refik Anadol, artista turco, trabalha com conceitos explorados desde o século XIX sobre representação da realidade, totalidade e profundidade da imaginação humana, passando por Stéphane Mallarmé, Susan Sontag e a fotografia. Até chegar a Jonathan Zittrain, que sugere que a “arquitetura da Internet não possui um centro definido, e ao invés disso, confia numa extraordinária alucinação coletiva”. A obra de Anadol procura as conexões entre narrativas virtuais, instinto arquivista e consciência coletiva, utilizando milhões de imagens de um tema, disponíveis nas redes sociais e em cenas do cinema. Através da inteligência de máquina, cria uma proposta imersiva com milhares de dimensões, oferecendo um contexto único para experimentar uma realidade aumentada. Busca expandir nossa capacidade de sonhar e vislumbrar coisas que não poderíamos imaginar de outra forma. Sua obra da sua série “Machine Hallucinations : Metaverse“, apresentada na DAFA, foi arrematada por aproximadamente 20 milhões de dólares, pagos com criptomoedas, no metaverso da Sotheby’s (espaço virtual da leiloeira, destinada a colecionadores e compradores de arte digital e NFT’s).

Machine Allucination – Refik Anadol
Outra artista que analisamos é a Krista Kim, radicada em Nova York e Toronto, que também expôs na área imersiva da DAFA, e que traz o conceito de gradiente para o metaverso. Seu trabalho representa fluidez, coexistência, co-criarão, esperança, inovação e liberdade, nas questões de raça, nacionalidade, sexualidade, política, religião e espiritualidade. “Nós somos gradientes”, diz, propondo uma vida com menos atrito entre virtual, realidade aumentada e realismo, no que chama de “vida quântica”.

Krista Kim Studio
No “Techismo Manifesto”, a artista ressalta que a época da adoção da Internet é um tempo crucial, como o Iluminismo, o Impressionismo e o Expressionismo Abstrato. Num ambiente construído por algoritmos inumanos, os artistas expressam humanidade nas suas obras, agora através de novas tecnologias, para criar uma cultura mais afetiva e conectada.
No PoaEmCena, conhecemos o trabalho do coletivo Keiken, de Berlim e Londres, que apresentou sua obra, também imersiva: “Metaverse: estamos no fim de algo”. Nela estabelecem um diálogo entre eventos atuais e futuros no pós COVID-19. Em um estado de transição difícil para a mente coletiva entender, criam a fricção que traz à tona um campo de batalha caótico para as emoções.

Metaverse: estamos no fim de algo – Keiken
Também do Keiken, pesquisamos o projeto “Augmented Empathy“, que explora a maneira como aprendemos através da mídia social, subvertendo ferramentas existentes. Nesse caso, utilizam os filtros do Instagram, que foram usados pelos artistas Sakeema Crook e Ryan Vaultier, que trabalham com performance e filmes, dando continuidade no artivismo dos movimentos Black Lives Matter e Black Trans Lives Matter e espalhando a mensagem que podemos criar um novo caminho de fluidez, amor e mudança.

Augmented Empathy – Keiken
Com essa primeira incursão no trabalho desses artistas podemos perceber a enorme quantidade de horizontes multidimensionais para a arte que podem ser criados pelas tecnologias do metaverso. Por outro lado, esses universos virtuais matemáticos com suas experiências visuais e sensoriais abrem muitos questionamentos da nossa condição como seres humanos. Assim, o metaverso continuará a ser tema de nossos estudos e novos posts no ConectartBr.
Referências:
Augmented Empathy. Fact. Disponível em: <https://www.fact.co.uk/artwork/augmented-empathy/>. Acesso em: 03 Nov. 2021
Digital Art Fair, Asia Edition 2021. DAFA. Disponível em: <https://www.digitalartfair.io/>. Acesso em: 03 Nov. 2021
Keiken Collective. Disponível em: <https://www.fact.co.uk/artist/keiken>. Acesso em: 03 Nov. 2021
Machine Allucination. Refik Anadol. Disponível em: <https://refikanadol.com/works/machine-hallucination/>. Acesso em: 03 Nov. 2021
Metaverse. Sotheby’s. Disponível em: <https://metaverse.sothebys.com/>. Acesso em: 03 Nov. 2021
Metaverse: estamos no fim de algo. 28º Porto Alegre em Cena. Disponível em: <https://www.portoalegreemcena.com/single-post/metaverse-estamos-no-fim-de-algo>. Acesso em: 03 Nov. 2021
Techism Manifesto. Krista Kim Studio. Disponível em: <https://www.kristakimstudio.com/techism-manifesto>. Acesso em: 03 Nov. 2021