Trajes robóticos e a superação dos limites do corpo humano
Por Taís Seibt
Uma reportagem veiculada na edição de 4 de agosto do Jornal Nacional (TV Globo) mostrou trajes robóticos criados por cientistas japoneses para aumentar a força e a resistência das pessoas. Chama atenção que, na abertura da reportagem, o correspondente Roberto Kovalick faz referência ao cinema, dizendo que os homens-robô saíram da ficção científica para as ruas de Tóquio.

De fato, os filmes de ficção científica alimentam nosso imaginário acerca de um futuro onde seres humanos e maquínicos conviverão na mesma sociedade e no mesmo corpo, embora não muito harmonicamente, na maioria das vezes. O avanço dos estudos tecnológicos tornou possível realizar na vida cotidiana o que já se imaginava nas telas do cinema. No caso dos homens-robôs japoneses, sensores presos ao corpo do humano por um computador conseguem interpretar o comando do usuário. Quem testou as pernas robóticas, disse que cansa menos caminhar com elas. Um colete desse tipo deverá ser usado por funcionários de fábricas japonesas já no ano que vem. Os cientistas dizem que quem usar o equipamento poderá levantar vinte quilos a mais do que é capaz em cada braço. Estudos estão sendo voltados para que o equipamento possa ajudar pessoas com dificuldades de locomoção.

Refletindo sobre as diferentes aplicações das pernas e braços robóticos desenvolvidos em Tóquio, eu me remeto a Erik Felinto. Em A Religião das Máquinas: ensaios sobre o imaginário da cibercultura, o autor registra a presença da ambiguidade na superação dos limites do corpo humano possibilitadas pela tecnologia, pois ela pode levar a felicidade absoluta ou a desgraça total. Aqueles que hoje não podem mais andar em função de problemas físicos vislumbram um grande avanço nas pernas robóticas. Já os trabalhadores da tal fábrica japonesa, podem até alegrar-se com a redução do esforço físico, num primeiro momento, mas em seguida virão as cobranças por mais produtividade – afinal terão sua capacidade potencializada – e a diminuição da mão de obra – já que um homem-máquina poderá desempenhar muito melhor o papel de um homem sem máquina. Então, projeções e retrospectivas não entram em cogitação. Não interessa o passado, não interessa o futuro. Importa apenas fazer, agir, trabalhar. (BAITELLO, 2005). Por isso, é tênue o limite entre o desejo e o temor de transcender o corpo por meio da tecnologia.
Referências:
BAITELLO, Junior Norval. A Era da Iconofagia. Ensaios de Comunicação e Cultura. São Paulo: Hacker Editores, 2005.
FELINTO, Erick. A Religião das Máquinas. Ensaios sobre o imaginário da cibercultura. Porto Alegre: Sulina, 2005.
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