O HOBBIT: UMA JORNADA INESPERADA
“Numa toca no chão vivia um hobbit. Não uma toca desagradável, suja e úmida, cheia de restos de minhoca e com cheiro de lodo; tampouco uma toca seca, vazia e arenosa, sem nada em que sentar ou o que comer: era a toca de um hobbit e isso quer dizer conforto”. (TOLKIEN, 2002).
O Hobbit: uma jornada inesperada é um filme inspirado no livro de J.R.R. Tolkien, o mesmo autor de Senhor dos Anéis e que já está em cartaz trazendo muitos comentários.
“O que é um hobbit? Imagino que os hobbits requeiram alguma descrição hoje em dia, uma vez que se tornaram raros e esquivos, diante das pessoas grandes, como eles nos chamam. Eles são, ou eram, um povo pequeno, com cerca de metade da nossa altura, e menores que os anões barbados. Os hobbits não têm barba, não possuem nenhum ou quase nenhum poder mágico, com exceção daquele tipo corriqueiro de mágica que os ajuda a desaparecer silenciosa e rapidamente quando pessoas grandes e estúpidas como vocês e eu se aproximam de modo desajeitado, fazendo barulho como um bando de elefantes, que eles podem ouvir a mais de uma milha de distância. Eles têm tendência a serem gordos no abdome, vestem-se com cores vivas (principalmente verde e amarelo), não usam sapatos porque seus pés já tem sola natural semelhante a couro, e também pelos espessos e castanhos parecidos com os cabelos da cabeça (que são encaracolados); têm dedos morenos, longos e ágeis, rostos amigáveis e dão gargalhadas profundas e deliciosas (especialmente depois de jantarem, o que fazem duas vezes por dia, quando podem). Agora vocês sabem o suficiente para continuarmos”. (TOLKIEN, 2002).
O hobbit dessa história é Bilbo Bolseiro, um hobbit que vivia em sua casa confortável, e como os outros de sua espécie era muito respeitado pelos seus vizinhos por não fazer nada de diferente e inesperado. Até que ele recebe a visita de Gandalf e um convite para uma aventura. Como é comum a um hobbit, Bilbo não aceitou. Mas na hora do jantar, o hobbit recebeu visitas inesperadas: os anões Thorin, Fili, Kili, Nori, Dori, Bifur, Bofur, Bombur, Gloin, Óin, Ori, Balin e Dwalin. Aí começa sua aventura, Bilbo parte com eles para recuperar o palácio que é o lar dos anões.
Os seres fantásticos em “O Hobbit” demonstram as corporalidades audiovisuais que encontramos no cinema e na literatura de ficção, o imaginário de seres sobre quem ouvimos diferentes narrativas. Os elfos, os anões, os magos, os orcs, os trolls, os hobbits. Na história, o próprio corpo, a imagem que o personagem traz, diz um pouco sobre eles. O Mago justo e corajoso, Gandalf, possui roupas não tão bem cuidadas e cabelo desgrenhado. Saruman é um mago que tem entre suas características a voz peculiar e a sabedoria, possui cabelos lisos e bem alinhados, assim como uma roupa impecável. Radagast é um mago que prefere o convívio com os animais, vive no meio de uma floresta, com cabelos bagunçados e uma personalidade exótica. Os anões são todos cabeludos e conhecidos por sua teimosia. Thorin é o príncipe deles e a todo momento age como tal. Mas não como um rei que só dá ordens, ele é um rei que protege seu povo. Os elfos são descritos como altos belos, imortais e extremamente inteligentes. Estão sempre bem vestidos, possuem cabelos lisos e longos. As criaturas más, como por exemplo, os orcs e os trolls, são representados com corpos irregulares e pegajosos.
Percebe-se que as características corporais falam um pouco de cada personagem. Com um Hobbit não é diferente. Os hobbits são baixos, rápidos, se vestem bem e confortavelmente, possuem cabelos encaracolados e gostam de uma vida tranquila. Eles são seres que não são reconhecidos pelo seu espírito de guerrilha, são pequenos para carregar uma grande espada. O hobbit dessa história rompe com isso. E outros hobbits fazem isso em Senhor dos Anéis: Frodo, Pippin, Marry e Sam.
Durante a narrativa, Gandalf é perguntado sobre o porquê de trazer um hobbit, ele diz que vê-lo o dava coragem, ele também reconhecia que os pequenos podiam fazer coisas grandes. Eles são como as pessoas desacreditadas do nosso mundo. Eles têm potencial, bondade e coragem. São os típicos heróis das histórias.
“Quando voltou a si, viu ao seu redor a costumeira luz cinzenta e fraca da floresta. A aranha jazia morta ao seu lado, e a lâmina da espada estava manchada de negro. De alguma forma, ter matado a aranha gigante, sozinho na escuridão, sem a ajuda do mago ou dos anões ou de qualquer outra pessoa, fez uma grande diferença para o Sr. Bolseiro. Sentiu-se uma nova pessoa, muito mais feroz e corajosa, a despeito do estômago vazio, enquanto limpava a espada na grama e a colocava de volta na bainha (TOLKIEN, 2002)”.
TOLKIEN, J. R. R. O hobbit. Tradução de Lenita Maria Rímoli Esteves et al. São Paulo: Martins Fontes, 2002.
The Hobbit: An Unexpected Journey. Direção: Peter Jackson. Gênero: Fantasia (EUA/2012, 166 min.). Classificação: 10 anos.
Texto: Thamiriz Amado
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