Autores: Celso Pontes e Felipe Araldi – estudantes de Ciências Atuariais da UFRGS

Estudantes de atuária desta e de outras universidades estão acostumados a ouvir “Ah, é um curso novo!” em muitas das vezes nas quais respondem a questões como “Que curso tu faz?”. Hoje, um bom argumento para rebater essa afirmação ganha ainda mais peso. É que em 24 de março de 1941 (há 70 anos, portanto) era publicada a primeira edição da Revista Brasileira de Atuária

Na onda nacionalista da época, representada no mercado segurador pela criação do Instituto de Resseguros do Brasil (atual IRB-Brasil Re.) dois anos antes, a primeira edição do periódico foi prefaciado por ninguém menos que pelo então presidente da república, o gaúcho Getúlio Vargas. Do rebuscado linguajar utilizado pelo nosso ex-presidente no Editorial (reproduzido em parte a seguir), vê-se da importância estratégica que o Estado atribuía a esta ciência para o seu desenvolvimento e para o bem-estar da população, e que como disse o atuário Severino Garcia Ramos “muito dignificam a profissão do atuário”.

A RBA surgiu como meio para publicação de textos relacionados à atuária, sendo basicamente editada pelos engenheiros, estatísticos e matemáticos envolvidos com o tema, que atuavam em seguradores, no Serviço Atuarial do então Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio e no IRB. Este mesmo grupo seria, anos depois, o cerne da criação do Instituto Brasileiro de Atuária.

A Revista em si não teve vida longa, mas de lá para cá a atuária, que se expandia mundo a fora, no país passou por altos e baixo. Outros periódicos surgiram, tiveram algum sucesso, mas igualmente deixaram de ser editadas sem que imprimissem traços definitivos na cultura atuarial brasileira. Entretanto, não seria justo com a RBA e com seus idealizadores atribuir a revista o título de primeiro fracasso editorial da atuária nacional. Mais vale a reflexão sobre a importância da pesquisa em nossa área e quais dos objetivos existentes desde a criação da Revista ainda não foram cumpridos.

Trecho do prefácio de Getúlio Dorneles Vargas à primeira edição da Revista Brasileira de Atuária:

“A atuária como técnica especializada indispensável ao êxito das organizações de previdência social é, geralmente, pouco conhecida pelo público que colhe os benefícios de sua aplicação. É pois digna de aplausos a publicação da “Revista Brasileira de Atuária”, que tem por objetivo, no nosso país e no estrangeiro, a vulgarização dos elementos essenciais dessa ciência, e de louvores o esclarecido esforço dos seus paladinos, colaboradores do bem estar social do Brasil”

Um comentário para “70 Anos da RBA e da pesquisa em atuária no Brasil”

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