Faltam professores para o novo currículo?

Na plenária de terça, foi aprovado que o novo currículo terá, entre obrigatórias e eletivas, 44 disciplinas, 4 a menos que o currículo atual.  O principal argumento usado pelos professores foi o excesso de trabalho deles, que dão aulas para graduação e pós-graduação, fazem pesquisa e extensão e ainda trabalham em atividades administrativas. Com a separação do curso em diurno e noturno essa situação ficaria ainda pior, segundo eles.

Esperamos que, da próxima vez que passar pelo Departamento a criação de cursos de especialização pagos, eles usem o mesmo argumento. Afinal, se trabalham tanto não devem ter tempo para dar aula em tais cursos também. Mas isso é outra discussão.

Hoje mandamos o seguinte e-mail a todos os professores, mostrando aquilo que falamos na plenária mas que não foi levado em consideração:

Caros professores

Há dois anos, após a aprovação da Resolução n°4/2007 do Conselho Nacional de Educação, o DAECA começou a discutir a reforma curricular de Economia. Estudamos a legislação; realizamos palestras, debates, reuniões e assembléias sobre o currículo; participamos de encontros sobre o tema, como o Congresso da ANGE e o ENECO; pesquisamos os currículos do resto do Brasil, assim como de outros países; através da Federação Nacional de Estudantes de Economia, acompanhamos a reforma em diversas universidades do país; discutimos características próprias da UFRGS, como os cursos de pós-graduação, o quadro de professores e a necessidade de alterações devido à implantação do novo currículo.

Na plenária de terça foi dito que a proposta apresentada pelo DAECA, de um currículo com 46 disciplinas, seria incompatível com o número de professores do departamento, uma vez que, além das aulas na graduação, o corpo docente trabalha ainda na pós-graduação, em pesquisa, em extensão e em atividades administrativas. Nossa proposta supostamente ajudaria na sobrecarga dos professores e, com esse argumento, foi aprovada a diminuição das atuais 48 disciplinas para 44, como proposto pela Comgrad.

Concordamos que a realização de pesquisa, extensão e cursos de pós-graduação aumentam a qualidade dos cursos de graduação. E esse é justamente um dos principais motivos que fazem com que as universidades públicas, como a UFRGS, tenham um ensino muito superior às universidades privadas no Brasil. Portanto, não seríamos irresponsáveis de propor um currículo que inviabilizasse a realização de tais atividades, até porque já aprendemos que, quando cai a qualidade do curso e faltam professores, os mais prejudicados são justamente os estudantes.

Todas as propostas elaboradas pelo DAECA ao novo currículo (ao contrário da maioria das enviadas pelos professores) só foram encaminhada após termos certeza de sua viabilidade. Cada disciplina que pedimos que fosse incluída ou retirada sempre foi acompanhada de uma explicação de como isso aconteceria e as conseqüentes mudanças em toda a grade curricular, além das suas conseqüências em termos de aumento ou diminuição do número de turmas oferecidas por cada departamento.

Apoiamos a preocupação dos professores em relação ao aumento da sua carga de trabalho. Sabemos que, por muitos anos, a universidade pública brasileira foi sucateada. O trabalho aumentou, mas o número de professores e seu salário real caíram. Os concursos prometidos para o próximo ano, juntamente com aqueles realizados nos últimos semestres, talvez não sejam suficientes para recuperar o que se perdeu. Mas não vai ser a mudança no currículo que vai piorar essa situação, como pode ser percebido quando analisamos os números:

1) No currículo atual temos 41 disciplinas obrigatórias, das quais 26 são do Departamento de Economia. Em 24 delas, são oferecidas duas turmas todos os semestre. A exceção fica por conta de Economia Monetária I e Política e Planejamento Econômico, com apenas uma turma. No total temos 50 turmas por semestre, ou 100 por ano.

2) No currículo novo serão 35 obrigatórias, sendo 25 do DECON. Como serão três turmas por ano – duas no curso noturno e uma no diurno – são necessárias 75 turmas de obrigatórias por ano.

3) No último semestre, o DECON ofereceu ainda 10 eletivas e 51 turmas para outros cursos, totalizando 111. Considerando que temos 56 professores, entre concursados e substitutos, cada professor dá aula, em média, para 1,98 turmas de graduação.

4) Serão contratados 9 professores pelo REUNI, o que possibilita a criação de mais 18 turmas por semestre, mantendo a média de turmas por professor.

5) Se for mantido o número de turmas para os outros cursos (51 por semestre, ou 102 por ano), teremos 177 turmas de obrigatórias por ano. A contratação dos novos professores possibilitará que a oferta total cresça para 258 anualmente. Ou seja, existirá a possibilidade de oferecer 81 eletivas por ano.

6) No entanto existe um problema. Hoje dividimos turmas com o curso de Relações Internacionais nas seguintes disciplinas:

História Econômica Geral

Introdução à Economia

Formação Econômica do Brasil

História do Pensamento Econômico I

Desenvolvimento Sócio-Econômico

Economia Internacional I – A

Economia Internacional II – A

Economia Brasileira Contemporânea I

Economia Brasileira Contemporânea II

Como as turmas de Economia já terão 50 estudantes, consideramos que o ideal seja criar turmas específicas para RI, para evitar turmas lotadas. Assim, seriam criadas mais 9 turmas por ano.

7) Apesar de não ser o momento de discutir isso, não custa nada comentar: como as disciplinas acima citadas serão as únicas que não terão seu número de turmas reduzidas, seria interessante que nos próximos concursos isso seja levado em conta, priorizando concursos para professores de tais áreas.

8 ) Mesmo que forem separadas as turmas de RI, ainda teríamos a possibilidade de oferecer 72 eletivas por ano (nos últimos anos esse número variou entre 20 e 23), sem aumentar a carga horária média dos professores na graduação. Somadas às eletivas de outros departamentos, acreditamos que seja possível sim aumentar a carga horária do currículo, passando a ter 35 obrigatórias e 11 eletivas.

Diretório Acadêmico de Economia, Contábeis e Atuariais

Planilhas em anexo:

1) Turmas oferecidas pelo DECON no primeiro semestre de 2009.

2) Turmas por professor.

3) Eletivas oferecidas ao curso de Economia de 2004 a 2009 – todos departamentos.

4) Eletivas oferecidas ao curso de Economia de 2004 a 2009 – DECON

Observações:

1) Os cálculos foram feitos baseados no primeiro semestre de 2009.

2) Usamos as informações do sistema da UFRGS, onde algumas turmas aparecem com o professor errado. As duas turmas do professor Sabino, por exemplo, Teoria do Jogos e Micro I, aparecem no sistema como sendo dos professores Helio e Karen, respectivamente. No entanto isso não altera o número total de turmas e de professores, mantendo os mesmos resultados.

3) O professor Flávio Comim não foi considerado no cálculo, pois se encontra de licença na Inglaterra.

4) Sabemos que a oferta de disciplinas é algo complexo e algum fator pode ter sido esquecido em nosso cálculo. Pedimos aos responsáveis pelo DECON que nos corrijam se estiverem faltando dados.