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Na plenária de terça, foi aprovado que o novo currículo terá, entre obrigatórias e eletivas, 44 disciplinas, 4 a menos que o currículo atual.  O principal argumento usado pelos professores foi o excesso de trabalho deles, que dão aulas para graduação e pós-graduação, fazem pesquisa e extensão e ainda trabalham em atividades administrativas. Com a separação do curso em diurno e noturno essa situação ficaria ainda pior, segundo eles.

Esperamos que, da próxima vez que passar pelo Departamento a criação de cursos de especialização pagos, eles usem o mesmo argumento. Afinal, se trabalham tanto não devem ter tempo para dar aula em tais cursos também. Mas isso é outra discussão.

Hoje mandamos o seguinte e-mail a todos os professores, mostrando aquilo que falamos na plenária mas que não foi levado em consideração:

Caros professores

Há dois anos, após a aprovação da Resolução n°4/2007 do Conselho Nacional de Educação, o DAECA começou a discutir a reforma curricular de Economia. Estudamos a legislação; realizamos palestras, debates, reuniões e assembléias sobre o currículo; participamos de encontros sobre o tema, como o Congresso da ANGE e o ENECO; pesquisamos os currículos do resto do Brasil, assim como de outros países; através da Federação Nacional de Estudantes de Economia, acompanhamos a reforma em diversas universidades do país; discutimos características próprias da UFRGS, como os cursos de pós-graduação, o quadro de professores e a necessidade de alterações devido à implantação do novo currículo.

Na plenária de terça foi dito que a proposta apresentada pelo DAECA, de um currículo com 46 disciplinas, seria incompatível com o número de professores do departamento, uma vez que, além das aulas na graduação, o corpo docente trabalha ainda na pós-graduação, em pesquisa, em extensão e em atividades administrativas. Nossa proposta supostamente ajudaria na sobrecarga dos professores e, com esse argumento, foi aprovada a diminuição das atuais 48 disciplinas para 44, como proposto pela Comgrad.

Concordamos que a realização de pesquisa, extensão e cursos de pós-graduação aumentam a qualidade dos cursos de graduação. E esse é justamente um dos principais motivos que fazem com que as universidades públicas, como a UFRGS, tenham um ensino muito superior às universidades privadas no Brasil. Portanto, não seríamos irresponsáveis de propor um currículo que inviabilizasse a realização de tais atividades, até porque já aprendemos que, quando cai a qualidade do curso e faltam professores, os mais prejudicados são justamente os estudantes.

Todas as propostas elaboradas pelo DAECA ao novo currículo (ao contrário da maioria das enviadas pelos professores) só foram encaminhada após termos certeza de sua viabilidade. Cada disciplina que pedimos que fosse incluída ou retirada sempre foi acompanhada de uma explicação de como isso aconteceria e as conseqüentes mudanças em toda a grade curricular, além das suas conseqüências em termos de aumento ou diminuição do número de turmas oferecidas por cada departamento.

Apoiamos a preocupação dos professores em relação ao aumento da sua carga de trabalho. Sabemos que, por muitos anos, a universidade pública brasileira foi sucateada. O trabalho aumentou, mas o número de professores e seu salário real caíram. Os concursos prometidos para o próximo ano, juntamente com aqueles realizados nos últimos semestres, talvez não sejam suficientes para recuperar o que se perdeu. Mas não vai ser a mudança no currículo que vai piorar essa situação, como pode ser percebido quando analisamos os números:

1) No currículo atual temos 41 disciplinas obrigatórias, das quais 26 são do Departamento de Economia. Em 24 delas, são oferecidas duas turmas todos os semestre. A exceção fica por conta de Economia Monetária I e Política e Planejamento Econômico, com apenas uma turma. No total temos 50 turmas por semestre, ou 100 por ano.

2) No currículo novo serão 35 obrigatórias, sendo 25 do DECON. Como serão três turmas por ano – duas no curso noturno e uma no diurno – são necessárias 75 turmas de obrigatórias por ano.

3) No último semestre, o DECON ofereceu ainda 10 eletivas e 51 turmas para outros cursos, totalizando 111. Considerando que temos 56 professores, entre concursados e substitutos, cada professor dá aula, em média, para 1,98 turmas de graduação.

4) Serão contratados 9 professores pelo REUNI, o que possibilita a criação de mais 18 turmas por semestre, mantendo a média de turmas por professor.

5) Se for mantido o número de turmas para os outros cursos (51 por semestre, ou 102 por ano), teremos 177 turmas de obrigatórias por ano. A contratação dos novos professores possibilitará que a oferta total cresça para 258 anualmente. Ou seja, existirá a possibilidade de oferecer 81 eletivas por ano.

6) No entanto existe um problema. Hoje dividimos turmas com o curso de Relações Internacionais nas seguintes disciplinas:

História Econômica Geral

Introdução à Economia

Formação Econômica do Brasil

História do Pensamento Econômico I

Desenvolvimento Sócio-Econômico

Economia Internacional I – A

Economia Internacional II – A

Economia Brasileira Contemporânea I

Economia Brasileira Contemporânea II

Como as turmas de Economia já terão 50 estudantes, consideramos que o ideal seja criar turmas específicas para RI, para evitar turmas lotadas. Assim, seriam criadas mais 9 turmas por ano.

7) Apesar de não ser o momento de discutir isso, não custa nada comentar: como as disciplinas acima citadas serão as únicas que não terão seu número de turmas reduzidas, seria interessante que nos próximos concursos isso seja levado em conta, priorizando concursos para professores de tais áreas.

8 ) Mesmo que forem separadas as turmas de RI, ainda teríamos a possibilidade de oferecer 72 eletivas por ano (nos últimos anos esse número variou entre 20 e 23), sem aumentar a carga horária média dos professores na graduação. Somadas às eletivas de outros departamentos, acreditamos que seja possível sim aumentar a carga horária do currículo, passando a ter 35 obrigatórias e 11 eletivas.

Diretório Acadêmico de Economia, Contábeis e Atuariais

Planilhas em anexo:

1) Turmas oferecidas pelo DECON no primeiro semestre de 2009.

2) Turmas por professor.

3) Eletivas oferecidas ao curso de Economia de 2004 a 2009 – todos departamentos.

4) Eletivas oferecidas ao curso de Economia de 2004 a 2009 – DECON

Observações:

1) Os cálculos foram feitos baseados no primeiro semestre de 2009.

2) Usamos as informações do sistema da UFRGS, onde algumas turmas aparecem com o professor errado. As duas turmas do professor Sabino, por exemplo, Teoria do Jogos e Micro I, aparecem no sistema como sendo dos professores Helio e Karen, respectivamente. No entanto isso não altera o número total de turmas e de professores, mantendo os mesmos resultados.

3) O professor Flávio Comim não foi considerado no cálculo, pois se encontra de licença na Inglaterra.

4) Sabemos que a oferta de disciplinas é algo complexo e algum fator pode ter sido esquecido em nosso cálculo. Pedimos aos responsáveis pelo DECON que nos corrijam se estiverem faltando dados.

No dia 11 de agosto, Dia do Estudante e antevéspera do Dia do Economista, estudante obtém vitórias na luta por um ensino de Economia de qualidade

Terça tivemos a primeira plenária para decidir sobre o novo currículo de Economia. Na plenária só nove estudantes podem votar, pois segundo as regras da universidade, a cada cinco professores temos direito a um representante discente. No entanto, cerca de 20 estudantes estiveram presentes para acompanhar e dar apoio.

De início o professor Ronaldo, coordenador da Comgrad, fez uma breve explanação de como funcionaria a plenária e deu alguns informes, destacamos: que o plano de divisão do curso em diurno e noturno (projeto REUNI) por um erro administrativo não será em 2010 (como prometido) e só em 2011.

Logo após, deu-se início às discussões. A plenária durou pouco mais de 2h e se discutiram, principalmente, quatro temas. O primeiro foi a mudança em Economia Agrícola. Foi aprovada a proposta encaminhada pelo professor Mielitz, com apoio do DAECA, mudando o conteúdo e o nome da disciplina, que passará a ser chamada de Economia Rural. Um pouco mais polêmico, foi a obrigatoriedade ou não dessa cadeira. Após algum debate, se decidiu que seria obrigatória.

Depois entrou a discussão a sugestão do professor Horn de que Introdução às Ciências Sociais passasse a ser eletiva. Com os votos dos estudantes e de vários professores, a proposta foi rejeitada.

O terceiro tema foi a proposta do DAECA de criar uma nova disciplina de metodologia, oferecida por professores do próprio Departamento de Economia. Praticamente todos os professores aprovaram, mas muitos discordavam que ela devesse ser obrigatória. Foi um dos pontos mais polêmicos da plenária, mas no final conseguimos aprovar a obrigatoriedade.

O quarto e último ponto eram os ajustes necessários para adaptar o currículo às mudanças aprovadas anteriormente, já que a proposta inicial da Comgrad previa 33 obrigatória e com Metodologia e Rural passaria para 35. Os representantes do DAECA defenderam que houvesse um aumento de carga horária em relação à proposta da Comgrad. Os professores preferiram tirar duas eletivas do currículo, argumentando que eles já dão muitas aulas e é preciso diminuir o tamanho do curso. Em uma votação quase empatada, foi aprovada essa segunda proposta.

Currículo antigo

Proposta aprovada

Proposta DAECA

Créditos

CH

Créditos

CH

Créditos

CH

Disciplinas Obrigatórias

41

164

2460

33

144

2160

35

148

2220

Disciplinas Eletivas

7

28

420

11

44

660

11

44

660

Total de disciplinas

48

192

2880

44

188

2820

46

192

2880

Créditos Complementares

6

90

12

180

12

180

Total

48

198

2970

44

200

3000

46

204

3060

Como pode ser visto, mesmo na nossa proposta há uma diminuição de disciplinas. Os professores, no entanto, disseram que 44 já é muito e se dependesse deles seria até menos.

A luta continua, a próxima plenária será dia 19 de agosto às 17h. Contamos com todos lá!

pato

Propostas ao novo currículo

Semana que vêm será realizada a primeira das reuniões do Plenário do DECON para decidir o novo currículo de Economia. Até agora foram apresentadas 5 propostas de alteração ao projeto elaborado pela COMGRAD.

Dos 48 professores do Departamento, apenas 4 enviaram propostas por enquanto: Marcelo Portugal, Flávio Fligenspan, Carlos Henrique Horn e Pedro Cezar Dutra Fonseca.

Na proposta enviada pelo DAECA, defendemos a volta de Economia Agrícola como obrigatória e a criação de uma nova disciplina de Metodologia, oferecida pela Departamento de Economia. Além disso, pedimos a inclusão no Projeto Pedagógico de normas de avaliação. Nossa sugestão é que todos os professores sejam obrigados a fazer, pelo menos, duas avaliações, além da recuperação, e que se use mais trabalhos escritos.

Quem tiver mais sugestões pode enviar para daeca.ufrgs@gmail.com ou andreaugustin@gmail.com ou participar da reunião que faremos nesta sexta, às 18h, para discutir a atuação do DAECA na reunião da semana que vêm.

pato

A novela do currículo

Não é só por aqui que passamos por uma reforma curricular. Vejam a série de cartazes sobre a reforma da UFSC, produzidos pelo CALE:

O currículo no Caminho da Ínguas I

O currículo no Caminho da Ínguas II

O currículo no Caminho da Ínguas III

Previna-se I

Previna-se II

Previna-se III

Previna-se IV

pato

Sobre os manuais

Texto do Centro Acadêmico Livre de Economia da UFSC sobre o uso dos manuais no ensino de economia:

O Pensamento Manualesco no Ensino de Economia e seus

Riscos Para a Formação do Economista

Um processo de Reforma Curricular que seja histórico, isto é, identificado com uma determinada realidade social, e também político, ou seja, inserido em uma disputa entre a ocultação e a denúncia da dinâmica do desenvolvimento desta realidade, deve englobar aspectos da formação de um economista que a mera discussão a respeito da grade curricular e conteúdo programático não contempla.

De fato, o que se percebe em nosso – e o “nosso” já evidencia aqui uma profunda cisão entre os estudantes, que desde 2005 estão organizados em torno de uma proposta que vincule o ensino de Economia da UFSC ao real, e os professores, mais interessados em apenas uma redefinição conservadora do currículo, sem maiores transformações, não obstante a realidade alterar-se aos nossos olhos – atual processo de Reforma Curricular é uma elevação da consciência estudantil, que tem conseguido avançar de uma análise sobre o currículo até uma interpretação mais ampla e totalizante da Universidade, sua estrutura e forma de reprodução. Da distância do currículo em relação à realidade brasileira, chegou-se ao tema do colonialismo intelectual. A materialização deste em nossas salas de aula não poderia ser mais clara e objetiva que sob a forma dos manuais.

O uso dos manuais parece corresponder a um despreparo intelectual dos professores, como se fossem incapazes de apresentar aos estudantes algo minimamente atrativo sobre os autores ditos clássicos e imprescindíveis para o estudo da Economia. Além disso, é como se obedecesse a um silencioso pacto entre estudantes e professores que, não à vontade diante do desafio de estudar a realidade, fazem o mais cômodo: debruçam-se sobre modelos e neles constroem suas religiões, seus castelos de cartas.

Não é de causar surpresa, portanto, o enorme espaço conquistado pelos manuais no curso de Economia. Vestidos de uma roupagem moderna – pois em profunda sintonia com as últimas teorias e modelos econômicos – e dotados de uma forma interna de conteúdo absolutamente fragmentária e “fisicalista”, os manuais inseriram na formação do economista um suposto domínio de conceitos e ferramentas, ao mesmo tempo em que aproximaram estudantes e professores do centro dinâmico do saber científico: as indústrias do conhecimento de onde emanam estes alfarrábios. Ninguém melhor que a própria realidade para fazer ruir este castelo, já que o aparato analítico destes manuais não tem qualquer identificação com a realidade brasileira (a crise pela qual passa a profissão de economista é reflexo desta incapacidade teórica e prática) e a pretensa sintonia entre a origem destes manuais e o público colonial que o consome revela-se, em realidade, mais uma relação assentada na alienação da capacidade de pensamento crítico que um desenvolvimento teórico.

É por estas precisas razões que se associam, na consciência estudantil do processo de Reforma Curricular, elementos desta estrutura alienante do ensino de Economia na UFSC: as viagens à campo não só não existem, como não devem existir, pois representariam o maior dos contrapontos ao currículo obsoleto, a saber, o grito silencioso de uma realidade estranha aos manuais. É este antagonismo que a proposta dos professores não pretende superar.

O que os manuais abortam da formação do economista é aquilo de que ele mais necessita quando chamado a atuar profissionalmente: o pensamento transformador, a análise rigorosa da realidade, o entendimento profundo de sua economia nacional e da posição desta no mundo. Em suma, a inteligência (de fato, muitas são as passagens de manuais que destoam e duvidam desta inteligência e enumerá-las requereria um espaço muito maior).

Segundo o filósofo venezuelano Ludovico Silva, a função dos manuais é a de construir receitas que retirem do estudante a criatividade intelectual, o seu poder de pensar e alterar a economia. Caio Prado Jr., por sua vez, identifica nos manuais um dogmatismo científico e uma teorização às avessas: diante de um modelo estranho, a realidade é que passa a estar errada. No seio de ambas as interpretações está o fato de que a crítica aos manuais não se resume à sua forma: “o problema não é escrever manuais [...], o problema é ter um pensamento manualesco”, considerou Ludovico. Certamente, o uso manualesco do conhecimento corresponde a uma necessidade dos professores quando a teoria não condiz com a realidade e as práticas didáticas lhes são insuficientes! Superar o pensamento manualesco – que transgride o processo de ensino e aprendizagem desvincula a teoria da realidade, afasta a sala de aula do mercado de trabalho, infantiliza os estudantes e os aliena de sua condição pensante, aprofunda o colonialismo intelectual, pelo qual pagamos o altíssimo preço em termos de fuga de cérebros, de pagamentos de royalties e de baixíssimos níveis de registro de patentes – requer antes superação imediata dos manuais! E que seu lugar passe a ser ocupado pelos escritos originais, pois os estudantes têm a capacidade de entendê-los.

Desde o fim da Idade Média a Igreja não tem mais o monopólio sobre a bíblia. Em nosso curso de Economia, porém, Pindick’s, Blanchard’s e Krugman’s – apenas para citar os mais ordinários – continuam a gozar do monopólio sobre a obra de muitos que os antecederam. Seria engraçado (os guardiões da modernidade desempenhando uma prática medieval) se não fosse trágico: os estudantes deixando de pensar por si próprios, comprometendo o desenvolvimento científico e tecnológico de seu país.

É por esta realidade que a questão dos manuais tem de ser pensada muito mais seriamente. Não se trata somente de facilitar a análise (argumento principal dos manualescos, que acabam não percebendo que com isso desvalorizam sua aula e sua função enquanto professor); trata-se, na verdade, de inviabilizá-la, corrompê-la, desviá-la, ocultá-la do essencial: a formação de um economista crítico e competente.

pato

Economia Pós-Autista

Nesses tempos de reforma curricular é bom lembrar uma discussão que teve início na França em 2000, quando um grupo de estudantes de Economia lançou o Manifesto Pós-Autista, dando início a um movimento com repercussão internacional que teve resposta de economistas como Robert Solow e James K. Galbraith.

Esses estudantes denunciavam a excessiva matematização da Ciência Econômica e seu afastamento da realidade. A Economia estaria se tornando uma ciência autista. Eles defendiam um ensino mais próximo da realidade, com menos modelos abstratos, além do pluralismo metodológico.

O manifesto, em tradução do prof. Ivo Theis:

“Nós, estudantes de economia, declaramo-nos insatisfeitos com o ensino que recebemos em virtude de diversas razões.

1) desejamos escapar de mundos imaginários: muitos de nós escolhemos o estudo da economia para adquirir uma compreensão aprofundada dos fenômenos econômicos com os quais os cidadãos de hoje são confrontados; no entanto, o que nos é ensinado – e isso é basicamente teoria neoclássica – não atende a nossas expectativas; como se sabe, essa teoria não se reporta a fatos concretos (fatos históricos, funcionamento de instituições, comportamento e estratégias reais dos agentes econômicos), que sejam empiricamente verificáveis. O desprezo da teoria neoclássica convencional pelas realidades concretas nos coloca o problema da inutilidade de nosso aprendizado.

2) opusemo-nos ao uso descontrolado da matemática: a matemática pode ter sido um instrumento importante para auxiliar os economistas a explicarem fenômenos econômicos. Todavia, a matemática parece ter se tornado um fim em si, afastando o conhecimento econômico do mundo econômico real; a formalização matemática presente em muitas análises econômicas tem permitido corroborar hipóteses formais de trabalhos rebuscados e publicar bons papers; mas tem, sobretudo, distanciado o saber em economia dos problemas econômicos verdadeiramente relevantes atualmente.

3) somos favoráveis ao pluralismo de abordagens na economia: tem havido pouco espaço para a reflexão, em grande parte devido ao fato de que as questões econômicas têm sido abordadas de apenas um ponto de vista – o do mainstream neoclássico. Somos contra esse dogmatismo. Queremos um pluralismo de abordagens, ajustado à complexidade de objetos e à incerteza das questões que se referem ao campo da economia (desemprego, desigualdades, vantagens e desvantagens do comércio livre, globalização, desenvolvimento econômico, etc.).

4) chamado aos professores – acordem antes que seja muito tarde: apelamos a todos quanto entendem nossas reclamações para que apóiem reformas no ensino de economia rapidamente; o risco de que os atuais estudantes de economia, do mundo inteiro, abandonem seus cursos é grande – e isso não porque perderam seu interesse na área, mas porque não desejam mais ficar prisioneiros de um conhecimento distanciado do mundo econômico real. Esperamos que prevaleça o bom senso”

Veja aqui o currículo defendido pelos estudantes franceses.

Mais informações sobre o Movimento Pós-Autista podem ser encontradas em www.paecon.net ou no primeiro caderno do PET de Economia da UFF: Para além do Empírico: uma crítica ao Movimento Pós-autista.

pato

Reforma curricular na Economia

Depois de quatro meses de trabalho, a Comissão de Graduação em Economia finalizou sua proposta de reforma curricular. A atual gestão da Comgrad, composta pelos professores Ronaldo Herrlein Jr., Sérgio Monteiro, Giacomo Balbinotto Neto, Ricardo Dathein e João Marcos Leão da Rocha e pelos estudantes André Coutinho Augustin e Bernardo Frederes Kramer Alcalde (Pato) começou a discussão sobre o novo currículo no início deste semestre em trabalhou em cima de uma proposta elaborada pela Comgrad anterior, que previa uma flexibilização do currículo. A idéia foi mantida e a proposta final da Comgrad prevê 33 disciplinas obrigatórias, enquanto o antigo tinha 41. Em compensação, as eletivas aumentaram de 7 para 11 e os créditos complementares de 6 para 12.

Por que mudar o currículo?

Após a aprovação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação, em 1996, as diversas áreas de formação começaram a rediscutir suas diretrizes curriculares. No caso da Economia, o debate se deu principalmente nas instâncias da Associação Nacional dos Cursos de Graduação em Economia (ANGE), além do COFECON, da FENECON, da ANPEC e da SEP. As diversas entidades encaminharam suas sugestões à Câmara de Ensino Superior (CES) do Conselho Nacional de Educação (CNE) que estabeleceu as novas diretrizes curriculares de Economia, em substituição à antiga legislação sobre o assunto, de 1984 (Parecer 375/84 e Resolução 11/84). Foi então emitido o Parecer CNE/CES nº 380/2005 que deu origem à Resolução nº 7, de 29 de março de 2006. Além disso, todos os cursos de bacharelado do Brasil devem obedecer ao Parecer CNE/CES nº 184/2006, referente à carga horária mínima (no nosso caso, 3.000 horas). Toda essa legislação, além de uma explicação sobre ela pode ser encontrada no caderno da ANGE sobre as novas diretrizes.

Em 2007, a CES fez algumas alterações nas diretrizes, com o Parecer 95/2007 e a Resolução 04/2007. A principal mudança foi a obrigatoriedade de uma Monografia, enquanto a resolução anterior falava em um “trabalho de curso”, com “desejável formato final de um artigo”. O prazo dado para que as universidades se adaptem à nova legislação foi de dois anos (ou seja, julho de 2009).

Outro motivo para mudar o currículo é a divisão do curso em diurno e noturno a partir de 2010, prevista no projeto da UFRGS para o REUNI.

As novas diretrizes curriculares

Os cursos de Economia devem ter no mínimo 3.000 horas de aula. Dessas 50% são estipuladas pela Resolução 04/2007, com a seguinte distribuição:

  • Os conteúdos de Formação Geral (Introdução à Economia, Ciências Sociais e Ciências, Políticas, Filosofia, Ética, Administração, Direito, Contabilidade, Matemática e Estatística) devem corresponder a, pelo menos, 10% da carga horária curso.
  • Os conteúdos de Formação Teórico-quantitativa (Contabilidade Social, Microeconomia, Macroeconomia, Economia Política, Economia Internacional, Economia do Setor Público, Economia Monetária, Desenvolvimento Sócio-Econômico, Estatística Econômica e Econometria), 20% da carga horária.
  • Os Conteúdos de Formação Histórica (História Econômica Geral, Formação Econômica do Brasil, Economia Brasileira Contemporânea e História do Pensamento Econômico), 10% da carga horária.
  • E os conteúdos de Metodologia, Técnicas da Pesquisa em Economia e Trabalho de Curso, 10% da carga horária.

Os outros 50% da carga horária podem ser definidos por cada instituição de ensino. Além disso, as diretrizes permitem a inclusão de atividades complementares e estágio curricular supervisionado no currículo.

Cada curso deverá elaborar um Projeto Pedagógico, contendo:

I – concepção e objetivos gerais do curso, contextualizados em relação às suas inserções institucional, política, geográfica e social;

II – condições objetivas de oferta e a vocação do curso;

III – cargas horárias das atividades didáticas e da integralização do curso;

IV – formas de realização da interdisciplinaridade;

V – modos de integração entre teoria e prática;

VI – formas de avaliação do ensino e da aprendizagem;

VII – modos da integração entre graduação e pós-graduação, quando houver;

VIII – incentivo à pesquisa, como necessário prolongamento da atividade de ensino e como instrumento para a iniciação científica;

IX – regulamentação das atividades relacionadas com trabalho de curso, como componente obrigatório a ser realizado sob a supervisão docente;

X – concepção e composição das atividades de estágio curricular supervisionado opcional, contendo suas diferentes formas e condições de realização, observado o respectivo regulamento; e

XI – concepção e composição das atividades complementares.

A elaboração do Projeto Pedagógico deverá seguir as seguintes exigências:

I – comprometimento com o estudo da realidade brasileira, sem prejuízo de uma sólida formação teórica, histórica e instrumental;

II – pluralismo metodológico, em coerência com o caráter plural das ciências econômicas formadas por correntes de pensamento e paradigmas diversos;

III – ênfase nas inter-relações dos fenômenos econômicos com o todo social em que se insere; e

IV – ênfase na formação de atitudes, do senso ético para o exercício profissional e para a responsabilidade social, indispensável ao exercício futuro da profissão.

As diretrizes prevêem ainda que o curso deverá proporcionar aos estudantes:

I – uma base cultural ampla, que possibilite o entendimento das questões econômicas no seu contexto histórico-social;

II – capacidade de tomada de decisões e de resolução de problemas numa realidade diversificada e em constante transformação;

III – capacidade analítica, visão crítica e competência para adquirir novos conhecimentos; e

IV – domínio das habilidades relativas à efetiva comunicação e expressão oral e escrita.

A reforma na UFRGS

No início de 2007 a Comissão de Graduação em Economia da UFRGS instituiu uma comissão para elaborar o novo currículo, sob a coordenação do professor Carlos Henrique Horn. Por motivos pessoais, ele teve que se afastar e foi substituído pelo prof. Sérgio Monteiro.

Naquele ano, o DAECA realizou diversas atividades relacionadas à reforma curricular, dentre as quais se destacou uma semana de discussão que contou com uma palestra do então presidente da ANGE, Rubens Sawaya, um debate sobre o currículo da UFRGS com os professores Gentil Corazza e Sabino Porto Jr. e uma assembléia de estudantes para definir as posições do DAECA sobre o currículo.

Desta primeira comissão, participaram os professores Sérgio Monteiro, Sabino Porto Jr., Luiz Paulo Nogueról e  Julio César de Oliveira e os estudantes Juliana Camargo e André Coutinho Augustin. No fim do ano a comissão estava funcionando razoavelmente bem, mas vieram as férias de verão e tudo parou. Em 2008 e as coisas não andavam, até que em setembro foram feitas reuniões com os professores de cada área (história econômica e economia política, macro, micro, métodos quantitativos) para discutir o currículo. Sobre essas reuniões não podemos dizer muita coisa, pois não foi permitida a presença de nenhum estudante!

Depois disso, marcamos uma reunião com o prof. Sérgio Monteiro para apresentar as sugestões do DAECA para o novo currículo. Com as sugestões dos professores e dos estudantes, foi montada uma nova proposta, discutida em reuniões da Comgrad em que mais uma vez não foram convocados os representantes discentes.

REUNI

Um dos fatos que influenciou a mudança no currículo foi a entrada da UFRGS no Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, o famoso REUNI. Para quem não conhece, é um polêmico programa do Ministério da Educação lançado em 2007 que prevê a expansão de vagas nas Instituições Federais de Ensino Superior. Cada universidade tem autonomia para criar seu plano de expansão, desde que cumpra algumas metas estipuladas pelo MEC, como a relação mínima de 18 alunos por professor (a relação na UFRGS antes do REUNI era de 19 alunos por professor).

Até 2012, a UFRGS criará 1532 vagas presenciais em cursos de graduação. Para isso está prevista a contratação de 410 professores e 450 servidores técnico-administrativos, além de investimentos em infra-estrutura. A universidade também se comprometeu a aumentar a taxa de conclusão para 80%, um número que nos parece difícil de se alcançar (a taxa anterior era de 65%).

Na FCE, o REUNI criará 10 vagas de Ciências Atuariais (com a contratação de 2 professores), 20 vagas de Relações internacionais (4 professores) e 10 vagas de Economia (9 professores). Já foram abertos os editais para dois professores de RI e os dois de Atuariais (embora o DCCA tenha destinado uma das vagas para contratar um contador, em vez de um atuário).

A principal mudança será na Economia. O curso vai ser dividido em noturno (50 vagas no 1º semestre e 50 no 2º) e diurno (50 vagas, apenas no 1º). Isso ocorrerá já no próximo vestibular, mas ainda não foi contratado nenhum dos 9 professores prometidos. Outra promessa que estamos esperando é a construção de um novo prédio (ver postagem anterior). Os recursos para construí-lo foram passados pelo MEC no final de 2007, mas por motivos burocráticos as obras ainda não começaram. Segundo o vice-diretor da FCE, prof. Carlos Horn, a licitação deve ser feita em breve e não há motivos para essa obra demorar mais de dois anos. Esperamos que ele esteja certo.

Em relação à criação do curso noturno, apoiamos a iniciativa. Esta é uma antiga reivindicação dos estudantes de Economia, que na sua maioria trabalham e não tem condições de realizar o curso em dois turnos.

A proposta da Comgrad

A partir de março, já sob coordenação do prof. Ronaldo Herrlein Júnior, a Comissão de Graduação entrou em um ritmo de trabalho intensivo, com a meta de finalizar o novo currículo até o final de junho. Foram em média duas reuniões por mês (no fim já estavam sendo feitas reuniões quase que semanais), sempre com a presença dos representantes discentes.

A proposta recebida pela Comgrad anterior tinha grandes equívocos. A primeira reivindicação do DAECA foi a volta de Introdução às Ciências, pois essa é uma área de grande importância para o economista e havia se tornado eletiva (junto com Introdução à Ciência Política). A idéia foi bem aceita pelos professores, e a disciplina tornou-se novamente obrigatória. A única crítica que ouvimos foi que os professores de Ciências Sociais costumam ser ruins. O engraçado é que ninguém propôs que Estatística saísse do currículo e nós sabemos que os professores que o Departamento de Estatística nos manda são bem piores que os de Sociologia.

Outro problema era a retirada de Estrutura e Interpretação de Balanços como obrigatória. Concordamos com a diminuição do conteúdo de Contabilidade de dois para um semestre. No entanto tiraram justamente a parte que o economista mais usa, e deixaram só os razonetes e princípios contábeis de Introdução à Contabilidade. Sugerimos então a criação de uma nova disciplina chamada Contabilidade e Análise de Balanços, a exemplo do que ocorre na USP, UNICAMP, UFRJ, UFSC, PUC-SP e PUC-Rio. Os professores de Economia gostaram, mas a idéia não foi bem recebida pelo chefe do Departamento de Contabilidade, prof. João Marcos, pois o DCCA não possuiria professores suficientes para criar uma nova disciplina, uma vez que as atuais são dadas junto com outros cursos e a nova demandaria turmas apenas para Economia.

Analisando as turmas dos semestres anteriores, vemos que não é bem assim que ocorre. Muito mais do que a falta de professores, é a falta de organização do DCCA que impede a criação de novas turmas, como foi mostrado no documento que encaminhamos à Comgrad. No fim, foi aceita nossa sugestão.

Em outros dois pontos apresentados pelo DAECA, não houve apoio dos professores: a manutenção de Economia Agrícola e Metodologia da Ciência como obrigatórias. Hoje Metodologia é uma disciplina pouco aproveitada pelos estudantes por dois motivos:

  • é ofertada pelo Departamento de Sociologia, que normalmente destina professores substitutos sem a experiência necessária para lecioná-la;
  • é uma disciplina do segundo semestre, etapa na qual o estudante médio ainda não possui a maturidade teórica necessária e muito menos interesse em estudar esse assunto. No entanto, com o passar do tempo, a maioria dos estudantes – e não apenas aqueles que desejam seguir carreira acadêmica – sentem falta desta formação metodológica, fundamental, por exemplo, para a elaboração do trabalho de conclusão.

Em uma das propostas iniciais da COMGRAD seria criada uma nova disciplina de Metodologia, oferecida pelo próprio Departamento de Economia, o que consideramos uma excelente idéia. No entanto, essa idéia foi abandonada, frustrando as expectativas dos estudantes e fugindo do que diz a Resolução nº 7, de 29 de março de 2006, do Conselho Nacional de Educação, que prevê o ensino de metodologia nos currículos de Economia.

Sobre Economia Agrícola, é ima disciplina que prepara o estudante à melhor compreensão da realidade econômica brasileira e, sobretudo, gaúcha. Um setor com tanta importância para nossa economia não pode ficar de fora do currículo. Além disso, consideramos essencial para a universidade a integração entre ensino de graduação, de pós-graduação, pesquisa e extensão. Portanto, uma faculdade que, há mais de quarenta anos, criou uma pós-graduação em Economia Rural e hoje conta com um grande número de professores realizando pesquisas na área, deve compartilhar esse conhecimento gerado com os estudantes de graduação.

Uma mudança que contou com nosso apoio foi a criação de três “eixos de formação“: Empresas e finanças, Políticas públicas e Teoria Econômica. O estudante que cursar oito disciplinas eletivas pertencentes ao mesmo eixo, terá isso constando no seu histórico escolar (pode-se optar por não realizar nenhum eixo). Também foi ampliado o rol de eletivas. Outras mudanças para melhor foram a nova resolução de créditos complementares e a flexibilização dos pré-requisitos.

Veja aqui a proposta final da Comgrad.

Quais disciplinas virariam eletivas pela proposta da Comgrad?

Introdução à Administração

Introdução à Ciência Política

Metodologia da Ciência

Instituições de Direito

Economia Agrícola

Economia Monetária II

Política e Planejamento Econômico

E agora?

O próximo passo para a aprovação do novo currículo é a discussão no Plenário do Departamento de Economia, que reúne todos os professores e nove representantes discentes. Semana passada foi feita a primeira reunião, para apresentar a proposta. Na ocasião o DAECA entregou uma carta aos professores com nossa opinião sobre o currículo. As próximas reuniões, para decidir as mudanças, estão marcadas para os dias 11 e 19 de agosto.

Quem tiver interesse em participar pode entrar em contato com o DAEA pelo e-mail daeca.ufrgs@gmail.com.