Atividades de ensino e de extensão foram realizadas em assentamento
No dia 08 de dezembro, o Programa de Extensão #SUStentaPICS e a disciplina Arte, Saúde, Educação realizaram atividade de extensão e de ensino no assentamento Itapuí em Nova Santa Rita. A atividade foi acompanhada pelas docentes Daniela Dallegrave, da Escola de Enfermagem, e Daniele Noal Gai, da Faculdade de Educação. A ação foi organizada junto com Daiane Santos que atua na Coordenadoria da Mulher e fez parte dos “21 dias de ativismo pela erradicação da violência contra a mulher”.
A disciplina Arte, Saúde, Educação é eletiva e conta com estudantes de diversos cursos da universidade, mas principalmente de Saúde Coletiva, Artes Visuais e Pedagogia. Na disciplina, são realizadas visitas técnicas para problematização das articulações dos temas que nomeiam a disciplina. Neste semestre, os estudantes terão a oportunidade de dialogar com as comunidades e construir um projeto de intervenção de acordo com as necessidades dos locais. Fazem partes dos campos da disciplina o Geração POA, o CAPS Adulto do Hospital de Clínicas, a oficina de criatividade do Hospital Psiquiátrico São Pedro, a comunidade Orquídea Libertária e o Ambulatório Trans. Para a professora Daniele, “a saída de campo para estudos acadêmicos no território foi uma importante mostra da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. A disciplina é eletiva e tem sido buscada pelos estudantes para encontrar estas potências, da universidade e da comunidade, em um encontro comum, em um encontro colaborativo e formativo. O objetivo é formarmos profissionais que tenham uma produção sustentável, uma relação de trabalho multidisciplinar, potencialmente aberto para a diferença, radicalmente inclusivo”.
O Assentamento Itapuí tem 37 anos, é constituído por 69 famílias, que produzem alimentos com certificação de orgânicos e está localizado em Nova Santa Rita. A visita técnica teve o objetivo de estabelecer parceria com a comunidade na promoção das práticas integrativas e complementares como recurso de cuidados e promoção de saúde. De acordo com a acadêmica de enfermagem Ana Marcela Sarria Albuquerque “é impressionante o que as pessoas dos assentamentos vêm fazendo há tantos anos, e o quanto todo esse trabalho acontece no sentido de promover saúde. Temos muito para aprender, e espero que possamos também contribuir com essa construção de qualidade de vida”.
Os estudantes ficaram impressionados com a beleza do lugar, com o acolhimento e com as histórias de vida das mulheres agricultoras. Para a professora Daniela, a união entre os saberes populares sobre cuidados em saúde, a biomedicina (medicina convencional no Brasil) e as práticas integrativas e complementares em saúde é fundamental para que o cuidado seja exercido na sua melhor forma. A professora destacou que “estar em um assentamento que produz alimentos orgânicos, com mulheres que lutaram e conquistaram seus direitos é uma oportunidade ímpar para discutir o direito à saúde”.
Ana Marcela ressaltou ainda que “foi muito importante participar da atividade, porque é totalmente diferente falarmos sobre ‘outras realidades’, e ‘diversidade’, e conhecer de fato onde e como as pessoas vivem, ouvir o que elas querem e o que esperam de nós enquanto universidade. Compartilhando da realidade material das pessoas e conhecendo melhor suas histórias em contexto, qualificamos muito nosso olhar e nossa prática”.




