Primeiro Encontro Oficial da Rede de Pesquisa Escrileituras da Diferença em Filosofia-Educação (2015 -)

– NA SERRA GAÚCHA –
– EM ALGUM INVERNO DE ALGUM ANO –

Sandra Mara Corazza
UFRGS/CNPq
(31/03/2020-02/04/2020)

> Para sonhar. Tipo um conto de fadas.

> Necessariamente, o Primeiro Encontro Oficial [PEO] da Rede de Pesquisa Escrileituras da Diferença em Filosofia-Educação [RE] – PEO-RE – terá financiamento: FAPERGS, CNPq, CAPES, Pró-Reitorias de Pesquisa e de Pós-Graduação, Programas.

> [Soñar no cuesta nada.]

> Será um retiro [argh], uma residência [argh], um confinamento, um isolamento escritural, uma imersão [argh], um final de semana…

> [Aceito sugestões inteligentes. Sem inspiração.]

> Talvez uma “Colônia de Escrileitores”. [Provisório.]

> Acontecerá em um hotel ou em uma pousada, com ótima infra-estrutura de alimentação, bebidas e limpeza.

> [Sosseguem bichos-grilos/comunistas/socialistas/anarquistas, adoradores de hostels com percevejos, pulgas, baratas e outros bichos desta fauna: desta vez, sei que, com tristeza, terão de abdicar desses companheiros/camaradas mais antigos do que o mundo. Afinal, aquele mundo (i)mundo parece que acabará.]

> Retomo: A Colônia de Escrileitores [não é tão ruim; parece algo do final do século XIX] ocorrerá em um hotel ou pousada, preferencialmente, localizado em um parque ou bosque. Quase certamente, localizado na Serra Gaúcha, durante o inverno: em Canela, Gramado ou São Joaquim.

> Movimentos iniciais: na sexta-feira pela manhã viajaremos de Porto Alegre até a Serra, com a indefectível A-Vida-é-Van. [1, 2, 3…]

> Ao chegar, almoçaremos na cidade-sede, onde fica o hotel. Este almoço não terá nada ou muito pouco de álcool [esperemos que nem o ardido álcool em gel 70º].

> Ingressaremos, então, no hotel, na hora do check in [?], que costuma ser às 14h. [Averiguar antes.]

> [Nosso check out será na segunda-feira pela manhã, o que corresponderá a 3 diárias per capita. Quando então, retornaremos à Porto Alegre, novamente com A-Vida-é-Van.]

> Exige-se que o PEO-RE seja realizado durante o inverno para haver lareiras no hotel: condição sine qua non.

> [Ao menos, se não houver lareiras, no plural, deverá existir um grande salão com uma Grande Lareira, onde seja possível jantar e realizar a nossa reunião. Vide abaixo.]

> Cada escrileitor terá o seu próprio quarto com banheiro, evidentemente.

> [Ninguém gosta de indigência. Eu, ao menos, odeio.]

> E, neste tópico, é importante para os mais gregários: inútil sequer cogitar em fazer ajuntamentos de Escrileitores, para poupar diárias. É necessário não haver, durante o dia, conversas, nem fuxicos, nem combinações, nem galinhagens. Nenhuma dramaturgia. Guardem-se. Preservem-se para as noites. O clima deve ser, na maioria do tempo, de claustro, de reclusão, de silêncio. Juntos, mas separados, por um motivo de criação. [Não como agora, nesta droga de Quarentena, separados por esse perigo de contágio letal.]

> Na sexta-feira, ainda: após o check in, cada Escrileitor vai para o seu quarto. Lá, poderá desfazer sua mala, sacola ou mochila, tomar um banho calmante e tirar uma breve sesta ou simplesmente descansar.

> [Proibido dormir toda a tarde. É preciso escrever para não dormir, nem adoecer, nem morrer.]

> Imediatamente após, escreverá até o cair da noite. [18h30min parece ser uma boa hora indicadora para a parada]

> [Neste dia, cada Escrileitor escreverá, no mínimo, 1.000 palavras, o que equivale a 5 páginas.]

> Então, se higienizará, num outro salutar e revigorante banho quente [ou morno/frio], lavará ou não os cabelos [de acordo com a própria necessidade], os secará e modelará. Vestirá, então, um traje adequado para uma reunião, ao mesmo tempo, social e intelectual, e se calçará de acordo.

> Ao final dessa preparação, se auto aspergirá um bom perfume de qualidade ou uma água de colônia de odor não muito marcante, de modo a não ser invasivo aos narizes dos seus coetâneos.

> [Parágrafo Restritivo. Os Escrileitores ficam terminantemente proibidos de aparecer, no espaço comum do Salão da Lareira, arrastando chinelos [mesmo que seja o Presidencial Rider, ou algum das marcas Havaianas ou Crocs, muito menos os de couro hippie] ou com pantufas [mesmo aquelas quentinhas ou engraçadinhas, tipo Urso Panda, Homem Aranha, Cachorrinho], feitas para se andar em ambiente estritamente particular. [Calçados ou algum outro acessório desse gênero devem ser deixados no quarto, para serem utilizados quando o Escrileitor a ele retornar – sozinho.]

[… retornar sozinho. Para bom entendedor, uma palavra – sozinho, no caso – basta.]

> Pois, então, entre 19h e 19h30min da sexta-feira [não antes e jamais depois], com os seus textos [de no mínimo, 1.000 palavras ou 5 páginas, para lembrar], produzidos à tarde, debaixo do braço [modo de dizer], todos os Escrileitores dirigem-se ao salão da Grande Lareira, previamente reservado para, em primeiro lugar, jantar.

> [Aqui, não haverá limitação etílica, de modo que cada um avalie a sua medida ótima para beber e trabalhar enquanto bebe, sem enrolar a língua, perder a lucidez mental, cair da cadeira ou protagonizar outras ações repugnantes derivadas da embriaguez improdutiva. Considerem os Escrileitores, também, nesta vivência, que cada um pagará a sua própria bebida, já que nenhum órgão de financiamento de pesquisa é, nem deve ser, ao mesmo tempo, Órgão de Apoio a Vapores Etílicos.]

> Durante o jantar, ficarão expressamente proibidas as fotografias, vídeos, Gifs, memes, ou qualquer outro registro whatsáppico, faceboótico, instagrâmtico e que-tais, nem, sobretudo, envio para as Redes Sociais. [Certamente, contaremos com a compreensão elevada de todos, de maneira a não ser necessária a antipática apreensão antecipada dos celulares e afins. Atenção, Si(g)las & Cia.]

> Após o jantar, diante da Grande Lareira do salão, iniciará e se desenvolverá o Sarau de Escrileituras. Nele, os Escrileitores farão leituras, em voz alta [sempre em voz alta], dos seus textos escritos durante a tarde/dia. Serão travadas discussões e formuladas críticas pertinentes e sugestões relevantes, a serem aproveitadas na melhoria dos textos e na operacionalização do funcionamento da Rede Escrileituras, bem como na unificação das pesquisas individuais/institucionais.

> Avançados os trabalhos no Sarau, enquanto seguem os colóquios, os Escrileitores poderão, se lhes for de gosto, com prazer e alegria, assar marshmallows ou estourar pipocas, na Grande Lareira; enquanto prossegue o consumo de cerveja, vinho, whisky, champagne, gim com tônica, moscow mulle, clericot, martini, cognac ou o Diabo-a-Quatro.

> [Nesse momento, seria interessante se tivéssemos um Mordomo e uma Governanta, atentos a nossos desejos. Claro, se nobres ingleses fossemos, o que não se aplica.]

> [Fumantes: quando o vício exigir, mesmo que a temperatura esteja negativa, dirija-se ao lugar do hotel em que isso seja permitido. Preferencialmente, bem distante do salão da

Grande Lareira. E tente não retornar com muito cheiro do tabaco, podendo, no percurso, chupar uma bala de menta ou passar no toalete para lavar a boca.]

> [Aliás, por ocasião da duração do jantar e do Sarau, serão utilizados os banheiros do próprio salão da Grande Lareira. Se houver necessidade, por parte de alguns – ou mesmo algum tipo de TOC, nesse sentido –, os Escrileitores poderão, junto com os seus textos, levar dos quartos para o salão da Grande Lareira, em bolsas ou mochilas, a sua escova, pasta e fio dental. Ninguém terá permissão de acessar os quartos, nessa fase.]

> Antes de nossa aglutinação, na Colônia de Escrileitores, será decidido, combinado e recombinado, por todos os participantes, via correspondência ou Hangouts, quais os itens de pauta da escrita-e-leitura que nos serão comuns, enquanto organização e funcionamento da Rede Escrileituras. Além de produzirmos uma outra pauta, composta por matérias livres, literárias, poéticas, caóticas, fantasiosas, do tipo drama em prosa, poesia filosófica, prosa rítmica, canto, música, ditirambos, sátiras, paródias, alegorias, parábolas, imagens, tropos, simbolismos, metáforas, provérbios, máximas, fragmentos, aforismos, e assim por diante.

> Para a rotina da Colônia de Escrileitores, durante o sábado e o domingo, valem as seguintes normas.

> Depois do café da manhã [tanto no sábado como no domingo], realizado pontualmente às 8 horas, cada um retornará [sem blábláblá durante o café da manhã] para o seu quarto, a fim de escrever sobre a Rede de Escrileituras e/ou o que mais lhe for do gosto, seguindo as pautas previamente acordadas.

> Em cada um desses dois dias, a produção será de, no mínimo, 2 mil palavras ou 10 páginas.

> [De modo que cada Escrileitor totalizará, nos três dias do PEO-RE, no mínimo, a escrita de 5 mil palavras, o que corresponde a 25 páginas ou a um bom artigo Qualis – se existir.]

> Entre meio-dia e meio-dia e meia de sábado e domingo, um garçom trará, silenciosamente, um lanche [encomendado previamente], acompanhado de salada e suco [ou água mineral] para cada Escrileitor.

> Esse lanche será deixado, pelo garçom, na porta de cada quarto, sem tocar a campainha ou emitir qualquer outro barulho, para não interromper o transe quase hipnótico e transcriador do hóspede.

> [Como se o garçom fosse a Fada dos Dentes que deposita, em silêncio, uma moeda sob o travesseiro de cada criança, em troca de um dente-de-leite.]

> Após comer o lanche, o Escrileitor que preferir poderá dar uma breve espichada de pernas ou mesmo uma sesteada [se integrar a sua rotina], fazendo uma blindagem total nos seus aparelhos eletrônicos [de qualquer tipo]; para, logo após, prosseguir escrevendo e revisando as suas 2 mil palavras ou 10 páginas, no mínimo.

> [Nunca é demais repetir. Fica proibido dormir toda a tarde. É preciso escrever para não dormir, nem adoecer, nem morrer.]

> Nessa etapa, nos dois dias, repete-se o funcionamento, na Colônia, do entardecer [18h30min para a parada] do primeiro dia da chegada, em termos de higienização, vestuário, calçados, odorização. E também em relação ao funcionamento noturno da parte coletiva, via Sarau de Escrileituras. [Vide normas supra para sexta-feira.]

> Acréscimo importante: As atividades comuns de sexta, sábado e domingo, realizadas no salão da Grande Lareira, não possuem hora marcada para serem encerradas. Os Escrileitores decidirão no coletivo ou começarão a desmaiar ou mesmo a se recolher, caminhando, arrastando-se ou sendo carregados pelos mais próximos, mais sóbrios, mais jovens ou mais amigos.

> Casos omissos ou urgentes serão resolvidos pelos Sovietes, reunidos sob a minha férrea Presidência auto-proclamada aqui.

<> Rogo aos 7 Deuses (ou Deus das 7 Faces ou Os Sete) dos 7 Reinos
– O Pai [julga almas dos mortos]
– A Mãe [misericórdia, paz, fertilidade]
– A Donzela [pureza, inocência, amor, beleza]
– A Velha [com sua lanterna, sabedoria e previsão]
– O Guerreiro [força e coragem nas batalhas]
– O Estranho [a morte e o desconhecido]
<> que sejamos bem sucedidos,
<> na Colônia de Escrileitores,
<> em nosso Primeiro Encontro Oficial,
<> na Serra Gaúcha,
<> em algum inverno de algum ano, sem Covid-19 ou outro número
<> em direção ao futuro do Novo Mundo da Rede de Pesquisa Escrileituras da Diferença em Filosofia-Educação,
<> tendo sempre Palas Atena no Comando.

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