Rede de Pesquisa Escrileituras da Diferença em Filosofia-Educação

Rede é estudo. Preparação. Teorização. Prática concreta. Pensamento relacional. Processual. Físico e mental. Movimento de criação. Simultaneidade de ações. Ausência de hierarquia. Nexos de intensidade. Gesto inacabado. Gaveta e mesa vazias. Rede é um modo de existir. Força e onda. Conectividade e paixão. Seara e celeiro. Entrada e saída. Ida e vinda. Vaivém. Espera. Oficina e ateliê. Proliferação. Ramificação. Para além. Inter-relação de interferências. Modificação. Restrição. Compensação. Rede é não fixidez. Não segmentação. Não linearidade. Não isolamento. Não egolatria. Não dicotomia. Exorcismo da disjunção. Da separação. Da melancolia. Da esterilidade. Rede é mobilidade. Plasticidade. Polifonia. Caminhada. Passagem. Viagem. Travessia. Calor cultural. Vida intelectual. Solidão povoada. Pública. Republicana. Democrática. Rede adiciona e desloca. Corta e descentra. Roteiriza e ensaia. Rede é obra em construção. Em processo. Em progresso. Mais do que coletivo. Rede é vínculo. Cumplicidade no uso. Compartilhamento de recursos. Tendência. Rumo. Conflito. De miosótis. Desejo. De aço. Labirinto. De pedra. Força de vontade. De tigre. Amor à vagueza. Rede é vagamunda. Fecunda. Guardiã. Libertina. Devassa. Incompleta e visceral. Rede é ato inventivo. No grupo e no singular. Canteiro de obras. Percorrido. Parte que reaparece em outras. Rede é mais do que memória. É história. Tradição. Lenda. Fábula. Paródia. Sonata opus. É arquivo. Móvel. Dinâmico. Sensorial. Contínuo e descontínuo. Inacabado. Estético. Oracular. Ético. Non finito. Imaginário. Fantasioso. Fantástico. Surreal. Sígnico. Girassol. Rododendro. Rede é necessária. Do nosso interesse. Peça. Tela. Jogo. Escultura. Artigo. Livro. Resenha. Sinopse. Plano em ebulição. Projeto em vias de. Argumento de variação. Rede é intérmina. Coleta e armazenamento. Garimpo e fluxo. Colorista da ilusão. Atopia e esperança. Rede é rota. Apanha e solta. Ferra e corta. Faz reviravoltas. Rede é fatalidade do humano. Nossa. Inevitável. Inexaurível. Rede é medo do abandono. Da exclusão. Do escapamento. Da inacessibilidade. Da crueldade. Do fascismo. Da morte. Rede é impulso. Teia entre o que temos e o que queremos reverter. Resistir. Rede é chance de lutar. Expressão e estrutura. Aventura. Desconhecida. Tempestade. Rede dessacraliza o final absoluto. A origem. A forma única. Ser da Rede implica. Fazer anotações. Esboços. Rascunhos. Editais. Alvorada após noite. Tentar atingir o inatingível. Participar da Rede é sem previsão. Nem predição. É operar no universo da incerteza. Da mutabilidade. Do inacabamento. Funcionar em Rede é completar falas de personagens. Um problema. Discutir com amigos. Abrir mão. Desvestir peles. Intercambiar ideias. Trabalhar com condutores maleáveis. Enfraquecer dogmatismos. Ruborizar a face. Rede é atratora. Detonadora. Brecha. Fresta. Fissura. Linha de coser. Campo gravitacional. Retomada. Reaproveitamento. Revisão. Adequação. Escolha. Decisão. Redefinição. Rede é piso. Abismo. Envoltório. Dínamo. Tem nós e picos. Ligados. Pontilhismo. Rede é conjunto instável. Bloco definido. Intervenção no acaso. Ação recíproca. Rede nos modifica. É encontro e suas condições. Compromisso e pacto. Meio responsável. Quebra. Ruptura. Tempo e espaço. Atmosfera. Torrente. Afinação e agitação. Turbilhão e explosão. Efervescência. Procedimento. Estratégia de sobrevivência. Organização. Incitamento. De uns sobre/com/entre outros. Abrir mão de pressupostos. Cuspir hábitos. Descamar camadas. Sistema aberto. Crise do objeto fechado. Estático. Rede é contágio mútuo. Aliança. Atração. Admiração. Autoformação. Matilha. Cresce por dentro. Lados e direções. Rede é mapa de proteínas. Interage no fermento. Rizomatiza possíveis. Prolifera pesquisas. Docências e imagens. Superfícies e ressonâncias. Perspectivas. Rede é pausa. Seleção interativa. Retroativa. Rede é gerada. E geradora. Canto. E conto. Mais um ponto. De partida e de basta. De vista e de consciência. É ponto final suportável. Cena dramática. Texto lido. Tecido escrito. Tinta feita de ar, terra e mar. Rede é escritor-e-ledor. Crítico. Subversor. Paradoxal. Dilatório. Plural. Por vir. Matéria tensiva da qual os sonhos são feitos. Estar em Rede é transfigurar, transduzir, transcriar. Um privilégio. Um mistério. Uma poética. A-traduzir. Rede Escrileituras é o laço que nos ata. E ao mesmo tempo desenovela. Une e enfeita. Pela preciosidade de juntar o disperso. No infinito júbilo de trabalhar, viver e sonhar juntos.
Sandra Mara Corazza
Porto Alegre, 04 a 12/12/2018.
[Ano funambulesco quase findo. Ufa.]