Kanka
História para netos – 2
Quarentena Coronavírus 2020
10/05/2020
1º Episódio
Era uma vez, uma velha Bruxa de nome Samara, que morava na Floresta Desconhecida, no Planeta Terra. Ela era chamada, por alguns malvados, de Bruxa Louca. Porém, Samara não era louca coisa nenhuma, pois amava muito a sua família e era do Povo das Bruxas Curandeiras. Como ela sempre foi estudiosa, um dia, as Divindades Nórdicas a chamaram lá do Céu, por intermédio de um Corvo Falante. O Corvo disse à Samara que ela fosse, sem perder um minuto, até o Reino dos Deuses, que habitavam um Castelo de Sal, situado num disco liso chamado Asgard. A urgência do chamado devia-se ao aparecimento do Coronavírus, que estava fazendo os povos da Terra correrem perigo de adoecer.
Samara fez uma trouxa de roupas, montou em sua Vassoura Mágica, de nome Nana, e voou alto, muito além das nuvens, em direção à Asgard. Quando chegou no Reino dos Deuses, teve de atravessar uma ponte de basalto que ficava debaixo de um arco-íris. Foi parar em uma praça central, vigiada por duas águias colossais, que ficavam uma de cada lado de uma escadaria, formada por mil degraus de sal.
[Cá entre nós: como Samara não era boba nem nada, e tinha dor nos joelhos, ela não subiu os mil degraus caminhando, mas voando, em sua amada Vassoura Nana.]
Quando chegou ao topo da escadaria, encontrou uma cidade formada por templos elevados e praças adornadas com estátuas. Para ir até o Castelo de Sal, Samara precisava atravessar seis Portais, cada um coroado por uma Esfinge de Pedra, que tinha corpo de leão alado e cabeça de mulher. Para quem quisesse atravessar o Portal, a Esfinge, que dele cuidava, lançava um enigma. Se a pessoa acertasse a resposta para o enigma, poderia atravessar; se a pessoa errasse, era estrangulada ou devorada.
[Ruim, não? Mas era a tradição de milhares de séculos e não existia outro modo de chegar ao Castelo de Sal.]
Então, Samara teve de encarar os seis enigmas. A primeira Esfinge perguntou-lhe: “Qual a criatura que, pela manhã, tem quatro pés, ao meio-dia tem dois, e à tarde tem três”? Samara pensou e respondeu: – “Só pode ser o homem. Quando bebê, engatinha, como se tivesse quatro pés; na idade adulta, caminha sobre os dois pés; quando fica idoso, usa os dois pés mais uma bengala ou um bastão, o que o leva a caminhar com três pés”.
[Uma observação: É desse enigma que deriva aquela musiquinha que o meu pai O Velho Ruy [bisavô de vocês] me ensinou quando eu era criança, que ele cantava para os pais de vocês, quando eram crianças, e que eu também já cantei para vocês, e que diz assim: “Quando eu for bem velhinho, bem velhinho/E usar um bastão/Eu hei de ter um netinho, um netinho/Pra me levar pela mão.]
Agora, voltando para a nossa História: vieram mais cinco portais, cinco Esfinges assustadoras e cinco difíceis enigmas. Samara acertou a solução para todos os problemas e atravessou vitoriosa os seis Portais.
[Outra observação: se algum de vocês, que estiver ouvindo esta História, quiser saber quais foram os outros enigmas com suas soluções, pergunte depois para mim. Se não, esta História vai perder o foco.]
Prosseguindo. A seguir, depois dos portais, Samara entrou em um imenso salão, cheio de colunas de ouro e de pássaros de vários tamanhos, que voavam livres. Lá, ficavam 300 tronos luxuosos, nos quais estavam sentadas as Divindades Celestiais. No maior dos tronos, ficava Odin, o Deus Principal; a seu lado direito, sentava o filho Thor, deus dos trovões e das batalhas; do outro lado, sentava Tyr, deus da luz e da justiça. Depois vinham os tronos dos outros 297 deuses.
[Quem quiser saber os nomes e os poderes de cada um dos deuses, fale, depois, comigo ou com os pais de vocês. Todos são interessantes.]
[Ao pé do ouvido: o que será que as 300 Divindades queriam com a Bruxa Samara? Como ela poderia ajudar? Fiquem sabendo tudo isso no 2º Episódio, que começa daqui a pouco.]
2º Episódio
Continuando. Odin falou, em nome dos Deuses, que eles tinham decidido que Samara deveria morar sozinha e isolada de toda a sua família, durante seis meses, para aprender aquilo que ainda não sabia sobre a Pandemia do Coronavírus. Mas não fazer Quarentena, indo morar em qualquer lugar, não; e sim na Lua, para ficar bem distante da Terra e poder pensar, pesquisar e escrever as suas descobertas! E, assim, criar novas ideias mágicas e científicas, que combatessem o Covid-19, tais como: novas vacinas de ervas e plantas; cortinas de fogo contra as bolas vermelhas com espinhos; anéis mágicos que protegessem quem usasse; mantos invisíveis que mantivessem a saúde de quem vestisse; espadas mais finas do que agulhas, que nunca perdem o fio, para matar o vírus; poções que fazem voar léguas pelo espaço interplanetário; e assim por diante.
Ordenaram, então, que Samara pegasse a sua Vassoura Mágica e voasse até a Lua. Ela saiu de Asgard, feito uma flecha, pois o caso era mesmo sério e ela precisava ajudar a proteger a humanidade, dentre ela, a sua família. Só não sabia ainda o que teria de fazer, nem qual seria a sua tarefa e, nem mesmo, em que consistia a sua missão. Mas iria descobrir. Quando pousou com Nana, bem no meio da Lua, encontrou uma cidade cintilante, feito uma pedra preciosa na coroa de um rei. Essa cidade chamava-se Sabá e ficava aninhada entre as montanhas, num lugar lindo, onde, no verão, os frutos das macieiras se transformavam em crianças.
Em Sabá, distante da família e dos amigos, a Bruxa dedicou-se, dia e noite, a estudar e pesquisar. Depois de cinco meses lá, na noite de Ano Novo, toda a cidade de Sabá estava em festa. Mas o coração da Bruxa estava triste, com saudades da família e pensando que ainda lhe faltava um mês para voltar para a sua querida Floresta Desconhecida na Terra. Além disso, ela tinha escrito muito, mas ainda não tinha descoberto a fórmula chave para ajudar a humanidade. Então, enquanto todos festejavam, parou de estudar, pois ouviu um barulhão. Ficou olhando pela janela de sua casa e teve uma visão: ao mesmo tempo, bela e assustadora.
[Ao pé do ouvido: o que Samara terá visto pela janela? O que estará lhe aguardando de mais desafiador? Aguardem o 3º Episódio.]
3º Episódio
Através da janela, Samara viu chegar a Rainha das Fadas, esplendorosamente vestida, montada num gigantesco Tiranoussaro Rex, que se movimentava dando enormes pulos e troteando no espaço. A Rainha desceu voando do Tiranossauro, fez sinal à Samara para lhe abrir a porta e falou:
– O foco dessa pesquisa, determinada pelas Divindades, é que tens de descobrir de qual Raça Antiga cada um dos teus seis netos procede.
– Por quê?, indagou Samara. Por que tenho de descobrir as Raças Antigas dos antepassados dos meus netos? Eu tenho certeza que todos eles são humanos, pois conheço cada pai (afinal, são meus filhos!) e cada mãe deles. Pais e mães que são humanos também. Eu não estou entendendo…
A Rainha das Fadas explicou-lhe que essa descoberta das Raças Antigas seria fundamental, não somente para o futuro de cada um dos netos e suas famílias, mas também para o futuro de todos os viventes da Terra. Isso porque, só sabendo de qual Raça cada neto vinha, as seis Raças Antigas poderiam ajudar a combater a terrível Pandemia, que adoecia as pessoas e os animais, em todos os países do Mundo.
– Então, para eu entender melhor, Rainha das Fadas. Queres dizer que cada um dos meus netos, além de nascerem humanos, também são descendentes de uma Raça Antiga? Uma Raça que ninguém acredita que exista mais, que ninguém vê, nem ouve, nem toca mais porque não aparece mais para ninguém?
– Isso mesmo. E se descobrires de qual Raça cada neto veio, eles serão representantes de cada uma das Raças, lá na Terra; e, assim, terão o poder de convocá-las, para lutarem juntamente com a Ciência, na defesa do Universo.
– Mas, por onde começo a agir, Rainha? Poderias me dar uma pista?
Enquanto o Tiranossauro Rex urrava, apavorando de novo toda a cidade de Sabá, para mostrar que estava na hora de partir, a Rainha voou para as suas costas. Antes de ir embora, dirigiu-se à Samara:
– Tira o teu cavalinho da chuva, não serás tu quem descobrirá a Raça Antiga de cada um. A tua tarefa será trazer todos os netos para a Lua. Aqui chegando com eles, os levarás para um lugar chamado Vale Encantado. Neste lugar, existe a Trilha Traiçoeira, lamacenta e cheia de jacarés e lagartos gigantescos, que atravessa a Floresta do Marquês de Carabás. Se vocês conseguirem superar a Trilha Traiçoeira e escapar dos Ogros que habitam a Floresta de Carabás, chegarão num Lago, denominado Espelho dos Séculos. Lá, cada neto, sozinho, olhará para o espelho do Lago. Nesse espelho, verá chegar, debaixo da água, a Raça dos seus antepassados, de centenas de milhares de anos atrás.
A Rainha das Fadas deu adeus à Samara, enquanto o Tiranossauro Rex fez um imenso salto e deu um urro terrível, sacudindo todo o corpo e, assim, atirando escamas pretas de ferro por toda a cidade de Sabá.
[Cá entre nós. Samara ficou muito preocupada com a imensa responsabilidade de sua missão. Como resolveria a quase impossível dificuldade de levar os seus netos até a Lua? Esperem só um pouco que iremos para o 4º Episódio dessa verdadeira História de Terror.]
4º Episódio
Como era esperado, naquela noite, Samara não conseguiu dormir. Em sua cabeça, rolavam as seguintes preocupações: – Os pais e as mães dos meus netos permitirão que eles venham até a Lua? E os meus netos aceitarão vir? Se você, que está ouvindo esta História, fosse meu neto, iria querer viajar até a Lua, para descobrir de qual Raça milenar você descende? Mas não tem jeito: vamos em frente. O dia começava a clarear, quando Samara tomou as seguintes decisões: 1ª) Tudo terá de ser feito em um tempo diferente do tempo, tal como é vivido na Terra. 2ª) Ela não poderia viajar na sua Vassoura Mágica, pois havia demorado 7 dias e 7 noites para ir da Terra até Asgard e, depois, até a Lua. 3ª) Além disso, na Vassoura, mesmo que Nana fosse valente, não iriam caber Samara e mais seis crianças, ainda mais que os três pequenos poderiam escorregar e cair. 4ª) Se eles demorassem muito tempo, nessas viagens, os pais e as mães iriam pensar que os filhos tinham sido sequestrados e levados, no porão de um navio, para a Sibéria, na Rússia. E ficariam roxos de preocupação.
Em função disso tudo, a Bruxa começou a pesquisar a fabricação de dois pozinhos encantados: 1) um Pó do Tempo, que era para diminuir a sensação de tempo dos humanos que ficassem na Terra e para que todos dormissem; 2) o outro era aquele pozinho que a sua amiga de infância, a Fada Sininho [apaixonada por Peter Pan] tinha lhe ensinado: o famoso Pó de Pirlimpimpim, que fazia qualquer um voar para qualquer canto do Mundo e mesmo para fora do Mundo.
Em uma semana, os potes de Pós Mágicos estavam preparados. Samara deixou cair a noite e explicou, para a sua Vassoura Nana, porque, pela primeira vez em sua vida de 70 anos, viajaria sem ela. A Vassoura ficou inconsolável e chorava e gritava de dar dó. [Em verdade, cá entre nós, Nana teve um chilique, de se atirar no chão e se bater contra as portas, janelas e móveis, arrancando os cabelos. Tantas estripulias a coitada da Nana fez, que Samara jogou sobre ela uma pitada do Pó de diminuir o Tempo, deitou-a em sua cama, tapou-a com um cobertor e a deixou dormindo, bem quentinha, para sonhar que estava viajando junto.]
Samara abriu a porta da casa, jogou sobre a sua cabeça o Pó de Pirlimpimpim e voou em direção à Terra. A primeira coisa que fez, quando chegou perto do Planeta, foi jogar sobre todo ele o Pó de encurtar o Tempo. Depois, seguiu direto para o Brasil e para a cidade de Porto Alegre. Chegou lá à meia-noite e foi para a rua onde moravam três dos seus netos. Sem fazer barulho, entrou pela janela dos netos Drope e Nationo, que dormiam juntos em um mesmo quarto. Disse bem baixinho em seus ouvidos: – Vamos com a vó Samara até à Lua? Ambos disseram que sim. Então, os três dirigiram-se para o quarto ao lado, de Ecila, que também respondeu que sim. A Bruxa jogou então sobre todos mais Pó de Pirlimpimpim.
Saíram voando até a cidade do Rio de Janeiro. Por um minuto, Samara se lembrou, com saudade, de sua amiga Nana, sozinha lá na Lua. Porém seguiu firme com os três netos. Chegaram no Bairro de Laranjeiras, onde moravam seus outros três netos. A avó e os netos do Sul entraram primeiro no quarto de Caslu, ao lado do viaduto, e repetiram a pergunta: – Vamos até à Lua? Caslu acordou e respondeu que sim. Pé ante pé, foram até o quarto do lado, de Melhergui e Raula, que eram gêmeos, e que também responderam que queriam ir. Então, a avó jogou mais Pirlimpimpim e os sete saíram voando, de mãos dadas, em direção à Lua.
[A noite no Rio estava enluarada e calma. Interessante contar que um vizinho dos netos cariocas tinha ido ao banheiro, fazer xixi, bem na hora em que a turma dos sete estava saindo pela janela do quarto dos gêmeos. O vizinho olhou pela janela e achou que estava sonhando ou tendo uma visão. Eram seis crianças e uma bruxa voando no céu do Rio de Janeiro! Isso nunca tinha sido visto antes! Voltou logo para a cama e, assustado, se tapou até a cabeça. Mas não contou para ninguém, no outro dia, para não acharem que ele tinha ficado maluco! Mas isso já daria uma outra história do vizinho… Agora, vamos para o 5º e último Episódio desta nossa História, que já está ficando tão comprida quanto uma enguia!]
5º Episódio
Com a força do Pó de Pirlimpimpim, chegaram ao Vale Encantado na Lua. Passaram pela Trilha Traiçoeira, em que Samara e os netos maiores ajudaram os pequenos. Nos lugares mais perigosos da Floresta, também o Pó de Pirlimpimpim foi a salvação, porque ora caminhavam ora voavam. Chegaram então ao Lago Espelho dos Séculos. Samara orientou que as crianças ficassem 10 metros distantes do Lago e que cada um, sozinho, fosse olhar-se no Espelho, para descobrir de qual Raça Antiga descendia. Então, aquele neto que tinha ido se espelhar no Lago, voltaria para junto do grupo. Mas não contaria nada a ninguém e esperaria todos irem e voltarem. Isso seria feito por ordem de nascimento: assim, primeiro, iria Drope; em seguida Ecila; depois Caslu; depois, iriam os mais moços: primeiro Melhergui, depois Raula e, por último, Nationo.
Assim foi feito. Quando todos se reencontraram, Samara perguntou a cada um o resultado de sua pesquisa junto ao Espelho dos Séculos. As respostas foram as seguintes: 1) Drope disse que ele descendia da Raça dos Deuses, pois o Espelho lhe mostrou que ele era sábio, forte nos jogos e tinha bom coração, como os Deuses. 2) Ecila contou que o Lago lhe deu a ver que ela era uma Elfa, já que era estudiosa, inteligente e luminosa como uma Princesa, especialmente quando escrevia, desenhava e fazia estrelinhas. 3) Caslu observou que ele descendia da Raça Antiga dos Dragões, pois se movimentava no futebol e em outros esportes e pensava tão rápido como um grande Dragão. 4) Melhergui viu que descendia da Raça dos Gigantes, pois era um Semeador de Deus, esperto e tão valente, que não tinha medo de nada feito os Gigantes. 5) Raula descendia da Raça das Fadas Azuis, pois era linda, faceira, amorosa e concedia mais vida na vida de quem ela tocasse. 6) Nationo contou que viu que ele vinha da Raça Antiga dos Dinossauros, pois era fortão, trazia alegria aos corações de quem estava perto dele e dava gritos como os Dinossauros.
Com mais Pó de Pirlimpimpim, a avó levou os netos rapidamente para suas casas e camas. Durante os voos, Samara lhes disse que contassem aos pais que tinham tido um sonho e que, no sonho, tinham ido à Lua e descoberto de qual Raça Antiga cada um procedia. Assim foi feito e os pais não acharam nada de estranho, pois estavam dormindo enquanto o tempo durava menos.
Naquele mesmo dia, cada neto foi para um canto da sua casa, convocar a sua Raça Antiga, que chegou, vestida com Capas Invisíveis, para ajudar os humanos. Samara voltou então para a Lua, terminou os seis meses de estudo e veio para a Terra. Enviou mensagem, por intermédio de um Corvo Falante, para as Divindades Nórdicas, relatando que a sua missão tinha sido bem sucedida e estava finalizada. Quando chegou na Floresta Desconhecida, o Mundo já estava livre do Coronavírus. Todos fizeram uma grande festa, se abraçaram e se beijaram e cantaram e dançaram juntos, durante dias e dias. O segredo das descobertas das Raças Antigas ficou, até o fim da vida de todos os sete, tão-somente de conhecimento da avó e dos seus netos.
[Faltou contar que, em nome das 300 Divindades Nórdicas, Odin enviou à Bruxa Samara um belíssimo ramalhete com flores vindas uma de cada país da Terra, com um cartão de agradecimentos. Quem fez e entregou o ramalhete foi uma floricultura muito famosa chamada ArtePlantas.]
Agora o fimfirimfimfimserafim…
era uma vez
uma História da Bruxa da Lua
mas que não era Louca
era Curandeira
e amorosa da família
que era avó de seis netos
que descendiam de seis Raças Antigas
todos entraram por seis portas
saíram por outras seis
quem quiser que conte
seis Histórias de Terror
seis Histórias de Coragem
e seis Histórias de Amor
eu terminei de contar uma
esta História de Terror, de Coragem e de Amor
ÁUDIO:
Episódio 1
Episódio 2
Episódio 3
Episódio 4
Episódio 5
Disponível em PDF.

