Mulher Tornada: segredos de um astroblema

Mulheres Tornadas, escrita-Gaia, escrita no Cio. Invoca nossas forças vitais para transmutá-las em texturas furiosas que defendem os rituais de êxtase na intimidade com a Terra. Deusas são reveladas e as fases graduais e delicadas da lua iluminam este livro através dos fascínios de Vênus-Pomba-Gira-Afrodite. Elas, as mil mulheres moventes, vão tomando conta, possuindo e cuidando do arco sagrado do feminino em todos e em cada um. O corpo não tem limites, pois trata de nossa materialidade protegida pela utopia deste refugio atualizado. Entretanto, querida leitora, para entrar tem uma condição: a entrega ao perigo dos cantos imemoriais de Sereias que nos lembram do dever de habitar as derivas do viver-morrer-nascer. Esse livro fala de um amor que não se quer puro e trava uma vigorosa batalha para que seja assumidamente, mestiço. Está, pois, espalhado o feitiço! Torce o pensamento e estremece a carne seduzindo e dando a perceber certos modos primordiais que pressionam, levemente, o coração na intenção de uma escrita, sobretudo, amorosa. Estamos diante da realização de convidativos devires animais que proporcionam experimentar a virada do natural ao sobrenatural pelas acelerações e ápices do texto filosófico. A ecosofia se renova com erotização coroada com elegância extra-moral sustentando uma graciosidade que nos arma e permite a todas nós, ostentar as incoerências do que se chama verdade. Diretamente, do redemoinho dos ardores femininos nos embrenha na floresta e dela nos tornamos tão entendidas que tomamos conta de tudo. Mas, tudo! Podemos ser liquidas e infiltrar aqueles platôs mais desejados: fluindo úmidas e, implacavelmente, férteis. Estamos, de vez, Tornadas! Sintamos, pois, agora, o Mundo. Para ele, exatamente, é o envio da oferenda deste livro-cosmos. Infinitos prazeres do pensar brotam e o que nunca cogitamos pensar surge e, ainda vem outra página nas curvas deste rio.
A pergunta de nossos inquisidores sobre sermos bruxas poderia ter sido: isso é verdadeiro ou um sonho? Mas, como tantas mulheres podem ter o mesmo sonho? Sim este sonho é nosso e oriundo de nossas entranhas, diretamente, do interior de Gaia, que sempre nos aguarda ReTornadas. As fogueiras que ergueram para nos matar, devido a nossa aliança de sangue com Gaia se transformam, bem aqui, em ardores libertários. Destas tantas fogueiras que destruíram nosso corpo, uma delas retorna em redenção, sendo transportada para o centro de uma celebração com nossa dança que gira e goza. Indestrutível.

Patricia Argollo Gomes

 

ZORDAN, Paola. Mulher Tornada: segredos de um astroblema
Porto Alegre: Nota Azul/NuTAL, 2021 (142 p.).
ISBN: 978-65-5973-060-5

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