Seis integrantes do GAEP – e discentes de mestrado e doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – apresentarão trabalhos na 33ª edição da Reunião Brasileira de Antropologia (RBA). O evento acontece de 28 de agosto a 3 de setembro, em parceria da Associação Brasileira de Antropologia (ABA) com a Universidade Federal do Paraná (UFPR). Neste ano, as atividades ocorrerão no formato online e reunirão cerca de 2 mil pesquisadores/pesquisadoras da Antropologia e área afins da América Latina, América do Norte, Europa e África. A programação conta com 78 grupos de trabalhos, 32 simpósios especiais, rodas de conversa e 55 mesas redondas, 4 conferências, além de exposições fotográficas, mostras de filmes, lançamentos de 60 livros, oficinas e diversas premiações.
Abaixo, acesse maiores informações sobre os trabalhos que serão apresentados por integrantes do GAEP.
GT53: Mercados culturais e trabalho: desafios e fazeres etnográfico
Data e horário da apresentação: 30 de agosto de 2022, das 13h30 às 16h30
Título do trabalho: “Mediar não é o mesmo que contar uma história”: apontamentos etnográficos para a compreensão da mediação de leituras em bibliotecas comunitárias como um trabalho do setor cultural
Resumo: Nesta pesquisa de caráter etnográfico, tenho o objetivo de explorar os sentidos emergentes do trabalho cultural realizado em bibliotecas comunitárias localizadas nas cidades de Fortaleza (Ceará) e Porto Alegre (Rio Grande do Sul). A partir da realização de entrevistas semiestruturadas e de observação participante no ciberespaço, proponho uma discussão que enfoca a compreensão das mediadoras de leitura de duas bibliotecas comunitárias sobre o trabalho cotidiano que elas desempenham na construção de um circuito alternativo de divulgação e consumo de livros e literatura. Essa investigação, portanto, se insere nos debates sobre economia criativa e gestão cultural, bem como pensa as formas pelas quais o capitalismo contemporâneo incorpora críticas e se renova, através da vida por projetos e da construção de redes colaborativas de trabalhadores.
GT58: Pandemia silenciosa: o impacto do novo coronavírus na saúde mental em tempos de pandemia e pós-pandemia de Covid-19
Data e horário da apresentação: 31 de agosto de 2022, das 13h30 às 16h30
Título do trabalho: “Temos que lidar com excesso de trabalho, agravamento do estresse, ansiedade, insônia…”: os abalos na saúde mental de professoras de escolas públicas de Porto Alegre durante a pandemia de Covid-19
Resumo: A pandemia da Covid-19 exigiu que as práticas educativas presenciais fossem interrompidas e novas formas de ensino, realizadas remotamente, fossem inseridas no cotidiano das escolas. Em uma perspectiva etnográfica (MAGNANI, 2009), que reacendeu as discussões sobre etnografias digitais (HINE, 2020; LATOUR, 2012; RIFIOTIS, 2016), a pesquisa que enseja este escrito se propôs a identificar as vivências dos educadores de escolas públicas no contexto de ensino remoto emergencial. A realização de entrevistas e a observação em aulas síncronas online de uma escola estadual de Porto Alegre (RS) deram acesso a relatos que escancararam as realidades dessas educadoras e elencaram diversas questões responsáveis pelo abalo de sua saúde mental, como a distância dos estudantes, a carga de trabalho excessiva, as dificuldades financeiras, as ameaças por parte da Secretaria Estadual de Educação, a dificuldade de inserção no ambiente digital e as incertezas sobre a propagação do vírus e a duração da pandemia foram alguns dos pontos que causaram os abalos citados pelas professoras. Foi surpreendente notar a forte presença de recorte de gênero nos relatos de insônia, cansaço, crises de pânico, sintomas de ansiedade e depressão – causados pelas duplas e triplas jornadas de mulheres mães.
GT 22: As festas na pandemia de COVID-19
Data e horário da apresentação: 1 de setembro de 2022, das 13h30 às 16h30
Título do trabalho: Na pandemia tem carnaval? Notas etnográficas sobre festas e a ocupação dos espaços públicos na Cidade Baixa
Resumo: O coração da vida boêmia de Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, historicamente fica no bairro Cidade Baixa. Lá foi o nascedouro do samba e do carnaval porto-alegrenses, sendo para isso fundamental a influência da população negra que habitava a região e que foi, ao longo do século XX, gradualmente sendo expulsa para lugares menos centrais da cidade. Foi lá também onde realizei o trabalho de campo de minha dissertação, uma etnografia sobre as práticas e sociabilidades dos jovens que frequentam o bairro e sobre controvérsias envolvendo os moradores incomodados com sua presença nas ruas. O carnaval de 2020 foi catalisador de uma série discussões sobre o direito a ocupar os espaços públicos para a realização de festas e encontros, havendo inclusive repressão policial para controlar os foliões. Os defensores da realização do carnaval de rua no bairro reivindicavam sua tradição carnavalesca, enquanto parte dos moradores, ancorados no poder público, buscavam controlar e dispersar a festa. Logo depois, a chegada da pandemia mudou drasticamente o cotidiano na Cidade Baixa, com bares, casas noturnas e restaurantes fechados, sendo a segurança sanitária um elemento a mais nas controvérsias que envolvem a vida noturna. Neste trabalho, meu objetivo é discutir sobre os fluxos e arranjos da vida noturna do bairro a partir da pandemia de COVID-19, considerando os diferentes momentos e medidas de restrição e, sobretudo, as saídas de alguns blocos de carnaval em 2022, a despeito da decisão estatal de proibir aglomerações no período. O carnaval de rua, nesse caso, aparece como maneira de praticar a Cidade Baixa e também como reivindicação de ocupação dos espaços públicos.
GT48: Infraestruturas na antropologia: perspectivas teóricas, etnográficas e políticas
Data e horário da apresentação: 1 de setembro de 2022, das 13h30 às 16h30
Título do trabalho: Condução algorítmica de condutas: notas sobre as tecnologias empresariais privadas de governo
Resumo: Neste texto, proponho pensar as modalidades de tecnologia de governo em plataformas de prestação de serviços, a partir da minha experiência de campo em Porto Alegre, RS, enquanto ciclo-entregador por uma plataforma de entrega alimentos. Ao recuperar esta literatura que propõe pensar no Estado como o resultado de uma série de relações, quero refletir quais os processos que permitem o funcionamento e a existência de empresas cujo principal ativo é uma mescla de coleta de dados e logística. Proponho, assim, pensar nestas empresas como detentoras de formas privadas de condução das condutas de seus colaboradores. Devo apontar que estas plataformas se fazem mais ou menos presentes no cotidiano, conforme seus serviços, sempre ofertados por meio de seus aplicativos; são, então, demandados. Por serem empresas, as tomadas de decisão dos usuários e dos algoritmos seguem uma lógica que busca a maximização dos lucros. Sugiro a que há um modelo de gestão das ofertas de trabalho e de remunerações, delegada aos algoritmos codificados em aplicativos. Ao delegar as correções das taxas de entregas aos algoritmos embebidos no aplicativo, estas empresas conseguem articular uma forma de “keynesianismo privado” (Morozov e Bria, 2020), um modelo de urbanidade pautado em decisões automatizadas pelo gigantesco volume de dados fornecidos pelos cidadãos para agentes privados capazes de coletar e tratar estas informações. Analisar os dados produziria uma realidade informacional que os usuários acreditam ter autonomia. Entretanto, observa-se uma assimetria no fluxo de informações. Do leque de dados coletados, aqueles sobre remunerações de todas as partes envolvidas são profundamente desconhecidas (Woodcock, 2020), o que reiterando certas posturas mercadológicas. Noutros termos, tais cálculos seriam infraestruturantes destas relações sociais, produzindo os modos de organização social, naturalizando-os (Akrich, 2014).
GT05: Antropologia da economia
Data e horário da apresentação: 31 de agosto de 2022, das 13h30 às 16h30
GT 11: Antropologia das práticas esportivas e de lazer
Data e horário da apresentação: 31 de agosto de 2022, das 13h30 às 16h
