O grupo que surgiu a partir de pesquisas em Estudos Organizacionais tem relações com campos relativamente novos – como o da Gestão Social e o Campo de Públicas – mas que estão em processo de verdadeira efervescência intelectual e acadêmica e mantêm fortes vínculos com questões sociais de caráter público. Assim, estamos diante de um espaço aberto para novas produções e para inovação teórica e metodológica, com significativa acolhida entre outros grupos de pesquisa, e também com relevante impacto social.
LINHA DE PESQUISA 1 – ORGANIZAÇÕES ALTERNATIVAS OU CONTRA HEGEMÔNICAS
Essa linha de pesquisa do NEGA quer conhecer e entender os processos organizativos de experiências coletivas que contestam o que é geralmente propagado pelo conhecimento mainstream, não apenas do ponto de vista da forma organizacional que adota, mas também por terem um caráter performativo, ou seja, o modo de dar consecução às suas atividades-fim tem – ou aspira ter – implicações políticas diretas na hegemonia das estruturas sociais.
Tais experiências não se resumem nem se limitam, portanto, a um modo coletivizado e/ou horizontalizado de trabalho, mas parecem ser, antes, animadas por um discurso que transcende a dimensão do trabalho e o recoloca como um meio de luta pela realização presente de um devir imaginado e desejado. Outro modo de abordar essas experiências é examinar como elas vivenciam um modo de vida, não só econômico, mas ético em seu sentido pleno.
Interessa para a linha de pesquisa desvendar e compreender os modos pelos quais tais organizações lidam com a tensão constituinte que parece marcar a sua intenção contra hegemônica. Também interessam para a linha de pesquisa questões que envolvem o efetivo alcance dessas experiências em provocar transformações nos modos de vida, seja ao nível das experiências subjetivas ou da organização da sociedade.
LINHA DE PESQUISA 2 – ORGANIZAÇÕES E NOVAS SUBJETIVIDADES
Nessa linha de pesquisa, o NEGA tem o objetivo de refletir sobre os processos organizativos emergentes (organizing processes) em sua relação com a produção de subjetividades. Ambos compõem o processo de gestação de novas formas de vida na sociedade contemporânea. Uma dessas formas de vida, de particular interesse para nossa pesquisa é a “empresa” ou “empresarização de si”, mas não apenas esta.
A partir da relação entre poder e subjetividade, examinamos organizações como objetos empíricos privilegiados para a observação da produção e reprodução de subjetividades. São fenômenos históricos concretos de construção de espaços intersubjetivos cuja operação se sustenta numa dialética que divide o sujeito, ao produzir concomitantemente sujeição e subjetivação, mas que nunca deixam de ser espaços (e tempos) produzidos intersubjetivamente.
LINHA DE PESQUISA 3 – GESTÃO E TECNOLOGIA (ORGANIZAÇÕES E MATERIALIDADE)
A linha de pesquisa parte do pressuposto que o desenvolvimento das “ciências” da gestão guarda forte relação com o desenvolvimento tecnológico. A criação, apropriação e aplicação da técnica é a forma com que o ser humano transforma o seu meio, e as organizações são mediadores importantes desse processo tecnológico.
Por isso, repensar as técnicas de organização não significa apenas criar formas de gestão mais humanizadas para operarem dentro dos atuais padrões capitalistas de reprodução social. Também é importante interrogar o modelo de desenvolvimento tecnológico subjacente às práticas gestionárias atuais. Assim, conceber alternativas de gestão e organização significa, necessariamente, escrutinar o conceito hegemônico de tecnologia.
Apesar de muitos autores insistirem na ideia de competitividade para propor novos modos de organizar fundados na “solidariedade”, o NEGA pretende examinar as práticas de gestão como componentes funcionais de um sistema e examinar aquilo que é eliminado como disfuncional. O objetivo, portanto, é construir uma concepção através da negação.
LINHA DE PESQUISA 4 – TENSÕES ENTRE AUTONOMIA E ORGANIZAÇÃO NA UNIVERSIDADE BRASILEIRA
Essa linha de pesquisa examina a tensão constituinte no fazer universitário de Universidades Públicas Brasileiras, que se dá entre a busca de autonomia e a necessidade de administrar processos organizativos. Esta tensão reflete uma disputa entre concepções de universidade e entre ser uma instituição social autônoma ou uma organização administrada.
Como ponto de partida teórico, a reflexão se apoia na teoria política do discurso de Ernesto Laclau, para entender os processos de disputa de concepções de universidade como formações discursivas; e na discussão histórica e ontológica que intelectuais brasileiros e latino-americanos fazem a respeito da universidade e do seu sentido político para produção de conhecimento.
Essa emergente linha de pesquisa visa abrigar estudos que, entre outras questões correlatas, se interessam em investigar os modos de organização da universidade, em especial o caráter mais ou menos democrático adotado nos discursos e nas práticas; a articulação que esses modos de organização podem ou não ter com concepções de universidade e de conhecimento subjacentes; e as possíveis implicações das entradas de novos públicos nas universidades públicas brasileiras nos últimos 20 anos nos modos de organização.
