VIDA
Maria Helena Vargas da Silveira
Maria Helena Vargas da Silveira, nasceu em 1940 na cidade de Pelotas, no sul do Rio Grande do Sul. Oriunda de uma família negra, filha de uma costureira e de um motorista, era neta de um dos articulistas do jornal A Alvorada, o cronista e poeta Armando Vargas. Esse periódico fez parte da histórica Imprensa Negra Brasileira, consolidando-se como o jornal de maior circulação nas Américas, nesta categoria. Entre fins dos anos 1950 e início dos anos 1960 formou-se no Instituto Estadual de Educação Assis Brasil no Curso Normal de formação para a docência – atualmente Ensino Médio com Habilitação para o Magistério – e deu início a formação em nível superior junto ao Curso de Pedagogia na Universidade Católica de Pelotas.Enquanto professora da rede estadual de ensino, lecionou em escolas do entorno da cidade de Pelotas, como São Lourenço do Sul e Jaguarão, por exemplo, mudando-se para Porto Alegre na sequência.
Na larga experiência docente impulsionou a formação de sua identidade, enquanto mulher negra consciente dos desafios de ser quem era – mulher negra e oriunda de um grupo social com poucos acessos econômicos. Nesse contexto, seus alunos e suas alunas detinham intersecção semelhante. Tais elementos seriam preponderantes para que, a então professora, imergisse no mundo da escrita literária. Então, ela foi na trilha de um trajeto já traçado por muitas outras mulheres negras que a antecederam, como quais têm como ponto em comum a preocupação em trazer para as páginas de seus livros como vivências de uma coletividade.
Uma coletividade negra da escritora Maria Helena Vargas da Silveira, que gostava de ser chamada de Helena do Sul, se depreende em seus 11 livros publicados entre os anos 1980 e 2000. Em sua obra, a negritude e a educação permeiam a maioria de seus escritos, publicada em coletâneas literárias e em livros técnicos. Essa relação entre coletividade negra e educação foi responsável pelo retorno ao trabalho após a escritora ter se aposentado da docência. Assim, Maria Helena Vargas da Silveira foi uma das precursoras da citada Lei 10.639/2003 e das ações afirmativas, tendo a oportunidade de integrar a equipe do governo federal interagindo, principalmente, com a Secretaria de Educação Continuada, Diversidade e Inclusão (Secadi) do Ministério da Educação e a Fundação Cultural Palmares, na época. Nesse sentido, o título conferido ao seu último livro é bastante revelador de seu pensamento e atuação: Diga Sim ao estudante negro/a (2008).
Desta feita, considera-se fundamental proporcionar o conhecimento da escritora Maria Helena Vargas da Silveira, que mescla em sua produção ou legado de mulheres negras que adotaram a escrita como uma forma de ativismo. Tal e qual a educação, mas não apenas, Maria Helena Vargas da Silveira concentra um grande trabalho de compilado de fontes fundamentais para a (re) escrita da história da população do sul do Brasil, bem como de outras regiões do país. Seu livro As Filhas das Lavadeiras, por exemplo, publicado em 2002, apresenta 20 depoimentos de mulheres negras filhas de lavadeiras, oriundas das regiões sul e sudeste do país, configurando um importante registro caro aos estudos dos mundos do Trabalho no pós-abolição.
No ano de 2009, Maria Helena foi vítima de aneurisma e deixava seu legado e seus feitos para os filhos, Éder e Shaiane, netos, familiares, amigos e leitores.
Por,
Fernanda Oliveira e Sátira Machado.